Quintessência
Nós, meros seres humanos, somos alunos relutantes no palco da vida. Teimosos, achamos que podemos elaborar o manual daquilo que não produzimos. Somos assim mesmo, o homem mais viril é frágil como uma vela acesa em noite tempestuosa. Não há ser varonil que faça frente à grandeza dos mistérios e enigmas da vida limitada a sua fraqueza. Mas, vivemos como que num parque de diversão no qual muitos ficam entretidos olhando aquilo que alguns chamam de “roda gigante da fortuna” enriquecendo uns e empobrecendo outros. Demoramos demais a aprender coisas básicas como apreciar o que já temos, sendo gratos pelo ar que respiramos. Demoramos a aprender que a vida não é mérito nosso. É uma dádiva. Então, à medida que o tempo passa, nós vamos enfraquecendo, desaparecendo, deixando nosso ego diminuir ao máximo, e abrindo os nossos ouvidos para as verdades da vida.
O que normalmente fica ao passar dos anos? Lições, grandes lições. Aquilo que deveríamos saber desde o primeiro ano de existência, aprendemos, muitas vezes, depois dos 50 anos. Os erros e acertos vão ajudando a enxergar o terreno da vida. Depois de anos andando e apanhando no território da vida aprendemos que há locais perigosos, vales traiçoeiros e aventuras contraproducentes. É com muito sofrimento que aprendemos os caminhos da vida, e quando somos mestres no assunto, já passamos dos 70. Não deveria ser assim. Mas, então, qual seria a quintessência da vida? A qualidade de vida muito depende dessa resposta.
Caridade em vez de ódio
No início da vida é comum alguém dizer “tenho ódio de A”, “não agüento olhar para a cara de B”. Depois, com o passar dos anos, a pessoa viu que aquele ódio foi tão oneroso que teve como saldo negativo uma doença do coração. Passou a vida toda controlando seu ódio para controlar seu coração. Depois dos 50 anos, já perdoou todo mundo e não tem mais ódio de ninguém. Aliás, ter ódio nessa idade é ainda mais fatal, pois pode matar por dentro e por fora com maior facilidade ainda, perde-se a alma e o corpo. Precisamos demorar 100 anos para aprender que o ódio é um veneno? Não. Ter caridade, piedade, compaixão é coisa de gente nobre. Não precisa que a pessoa seja perfeita para termos compaixão por ela. Devemos exercer o ato de compaixão exatamente pela situação pobre em que se encontra a pessoa que supostamente nos ofende, quando na verdade está ofendendo a ela mesmo e roubando-lhe a própria paz. Se aprendermos essa lição no começo da vida, saberemos ver que o perdão é um escudo contra o veneno do ódio e da inveja alheia. Sorria enquanto seus inimigos rangem os dentes. Um dia eles se espelharão em você.
Paciência em vez de pressa
Não precisei chegar aos 50 para aprender isso. A pressa é sufocante. No início das minhas aventuras como empreendedor a pressa era parte do negócio. Depois vi que pressa é um passivo e não um ativo no meu balanço patrimonial. Descartei-a. Mas, é um vício difícil de deixar neste século XXI. Porém, é perfeitamente possível abandoná-lo antes que cheguem os anos em que o abandono seja mesmo em função da idade avançada. A pressa é porta para o estresse, o estresse é porta para doenças. Em situação de estresse o organismo trabalha no alerta vermelho. A respiração é ofegante, oxigenação fica desequilibrada, o coração sente os sintomas, e por aí se vai descendo ladeira abaixo. Então, prá quê pressa? Pressa só vale quando for situação de vida ou morte, como encaminhamento para a urgência e emergência de um hospital. Mesmo assim tem que ter cuidado no trânsito para que a pressa seja maior que o raciocínio e não cause um acidente que piore a situação. Então, até quando é indispensável é preciso cautela na pressa. Ademais, trabalhos feitos às pressas normalmente têm qualidade menor, a não ser aqueles feitos precisamente por robôs. Ter pressa uma vez ou outra é uma coisa, mas ter pressa todos os dias é demais. Algo está errado e a qualidade de vida fica comprometida. É preciso organizar a empresa, organizar a vida, organizar os prazos, para que tudo seja feito com qualidade. No entanto, isso não é um convite para a preguiça. Em tudo existe equilíbrio. Os extremos são perigosos. Então, assim como a pressa é estressante e ineficiente, a preguiça é o fracasso em pessoa. É preciso saber nem ser apressado para não ser ineficiente, nem ser parado para não ser sedentário. Tudo subsiste dentro de um equilíbrio. O sangue circula sob pressão que nem pode ser alta para que haja hipertensão, nem baixa que promova uma hipotensão. Com a idade, vamos aprendendo a encontrar o equilíbrio perfeito da equação da vida. Mas, quanto mais cedo descobrirmos isso, melhor!
Regra em vez de liberalismo
Em tempos modernos liberar é uma regra. Logo vemos o problema do liberalismo quando jovens bêbados cometem loucuras pós baladas. A regra é liberar, tanto que nem a maconha escapa. Libera-se tudo, até que a sociedade aprenda que está liberando demais e mesmo os psicólogos mais modernos digam que é preciso impor limites. Ora, seria o ser humano o único no universo a não trabalhar dentro de certos limites? Se até Deus, que é infinito e verdadeiramente autônomo, não pode fazer certas coisas, como por exemplo: mentir. É porque a regra é a chave do sucesso para a liberdade. Quem vive sem regra pensando ser livre acaba descobrindo nos castigos da vida uma prisão. A regra é um padrão inteligente que mantém o status quo e a autenticidade, mantém a ordem e o funcionamento. Certas regras criadas pelos homens são efêmeras e não passam de convenções, mas as regras da vida são válidas para todos em qualquer lugar. São essas regras que devem ser observadas: o respeito, a prudência, fazer apenas o que vale a pena e fugir daquilo que todos sabem que só leva à destruição. Imagine o que aconteceria se a lei da gravidade entrasse em parafuso, saísse de férias ou fosse liberal. Um dia ela estaria de bom humor e os aviões decolariam normalmente. No outro dia todo mundo flutuava como se estivesse no mundo da lua, com a gravidade quase zero. A destruição seria total. Sem regra não existe nada produzido pelo homem que funcionasse, tudo seria perdido. Equipamentos hospitalares, carros, aviões, relógios malucos, toda sorte de tecnologia seria de nenhum préstimo porque as leis da física e química não seriam confiáveis. Porém, o ser humano acha que está acima do bem e do mal e que pode criar suas próprias regras. Sem regra, a orquestra perde a melodia. Nada é por acaso. Tudo precisa de sincronia. A dor vai ensinando muitas regras durante a vida e só depois de muito sofrimento começamos a parar para pensar e ver que há um caminho mais simples a seguir e que proporciona maior tranquilidade. Depois de casar e ter filhos as pessoas são levadas a pensar em como colocar as regras que não obedeceram. Eis aí um momento difícil que chama a atenção, diria que uma forma dura de aprender uma lição. A lição que diz que sem regra nada tem sentido.
Fé em vez de ceticismo
No auge do vigor da vida é relativamente fácil (e perigoso) considerar-se auto-suficiente. Aparentemente não falta nada, inclusive conhecimento. A força está em pleno vapor. Tudo é 110%. Quanto mais se tem, menos se procura no exterior algum complemento. É o mito do rei imortal. Mas a história conta e comprova que os deuses imortais como faraós já foram enterrados. O vigor e a força enganam bastante. O ser humano passa a acreditar apenas nele mesmo e em sua força. Ora, ele não vê necessidade de nada, pois tem saúde, dinheiro, fama, conhecimento, riqueza. Ele quer experimentar a sensação de ser o centro das atenções, poder fazer o que bem entender e não quer dividir essa glória com um ser que considere maior que ele. Aliás, ele nega-se a aceitar que exista um ser maior que seu próprio ego. O rei do universo existe e mora em sua barriga. Quanto engano para uma vida só. Atribuem à Albert Einstein uma carta em que considera a crença em Deus como fruto da fraqueza humana. Mas, é exatamente a confiança na força humana que faz as pessoas desacreditarem em Deus. Por outro lado, é a fraqueza que demonstra que o homem não é Deus. Por tanto, Einstein (se escreveu isso) poderia convencer caso dissesse que Deus não existe porque o homem é forte e imortal, mas usar a fraqueza humana, atribuindo a isso a crença em Deus, é roubar o argumento contrário ao que defende. Dizer que Deus não existe é pior que chegar em Marte, encontrar um planeta completamente inabitado, cheio de casas, prédios e tecnologias de alto nível, e dizer que tudo aquilo foi feito por acaso. De outra forma, Einstein atribuiu à Bíblia a posição de livro infantil, esquecendo-se que sobre essa “infantilidade” está baseado o maior código moral existente na terra, sem o qual muitas leis estariam rebaixadas à crueldade do paganismo. Fazer observações tais quais essas do famoso físico é uma forma avançada de ignorância, quando o ser humano nega-se a raciocinar um pouco mais para tirar conclusões verdadeiras e autênticas. De acordo com os seus conhecimentos, o mínimo que poderia dizer é: “não sei”. Porém, o famoso físico judeu pode ter sido um dos que não aprenderam com o tempo a valorizar a fé, em vez do ceticismo. Por outro lado, Voltaire, deísta, mesmo não sendo regrado conforme os padrões cristãos, odiando as igrejas, reconhecia que não havia sentido em não existir um Deus. Se até um inimigo das igrejas cristãs, como Voltaire, reconheceu que é impossível que Deus não exista, é difícil entender como alguém pode simplesmente não conceber a existência de um ser supremo maior, sendo que quando ele faz isso está candidatando-se ao cargo, que diz estar vago, do próprio Deus, pois por tabela, se Deus não existisse, o maior ser humano ocuparia sua vaga. Mas, isso seria irrisório diante da condição humana, limitada em todos os sentidos. Porém, embora existam exceções, com a idade, as pessoas vão deixando de lado o ceticismo e vendo que “há mais coisas entre o céu e a terra do que dizem suas vãs filosofias”. O ser humano teria que ser onisciente (saber de tudo) para ter certeza da inexistência de Deus. Essa certeza, porém, todos têm, inclusive os ateus: o ser humano não é Deus. É o primeiro passo para plantar as sementes da fé. Depois de muitos anos, quando o ser humano enfraquece, e até adoece, amolece seus discursos duros de ceticismo, passa a ver que tem que existir um Deus, pois sem ele tudo estaria perdido. Ele quer viver para sempre. Ele quer subsistir. É uma necessidade como beber água. Ele precisa crer em Deus. É precisa de um Deus para adorar. Mas, ninguém precisa esperar 50 anos para começar a crer. No tocante à fé, quanto mais cedo nós tivermos, melhor!
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Não acredito no que acabo de ler.
Sobre moral e religião há várias obras de vários filósofos, especialmente a moçada boa do século XIX da escola alemã.
Sobre precisar de um Deus, fale por você.
E agente é o 007.
Escrevi um texto em 2006 sobre minha posição cética. Está disponível em:
maodupla.blogspot.com/2006/01/por-que-ser-ctico-bom-pra-voc.html
É impressionante que ainda exista pessoas que pensam assim. Cara, com todo o respeito, mas a moral prescinde da religião, ou você acha que todo ateu é um imoral? Sua visão de mundo é quase medieval…
Gabriel,
Já que você não tem certeza da inexistência de Deus, pois ninguém consegue provar que não exista, não seria a “solidão cósmica”, que parece um sentimento de estar perdendo alguma festa em algum lugar, um atenuante para a qualidade de vida, o que mostra a necessidade da fé, necessidade que pode ser sentida de forma mais forte numa idade mais avançada da sua vida?
A fé aqui foi abordada como uma necessidade humana patente depois de anos de reflexões, a qual não promete só no pós-morte, mas na vida também pode-se sentir seus efeitos. Também nada tem a ver com essas crendices de cartas e tarôs (isso não é fé). Portanto, sua “solidão cósmica” não seria um claro sintoma da ausência da fé? E o fato de você não ter certeza da inexistência de Deus não seria uma indicação clara de que seus argumentos são insuficientes para provar que ele não exista?
É impossível o ser humano reunir argumentos, dentro do infinito, para provar que Deus não existe. Ele só conseguiria essa façanha se ele dominasse o próprio infinito, o que não é possível. Por exemplo, dentro da sua casa (finita), você só acredita que não existe ninguém se você conseguir percorrer toda a casa. Se você estiver só na cozinha, e não sair para os outros cômodos, jamais dirá com certeza que não existe ninguém ali. Portanto, como Deus é infinito, a não ser que o ser humano seja onisciente (conhecimento infinito), jamais poderá provar que ele não exista. Por outro lado, pela fé o ser humano percebe Deus. Mas, a estrada é longa e, como diz o texto, às vezes os ouvidos e olhos da fé funcionam melhor quando os ouvidos e olhos físicos já estiverem desgastados. Mas, se for possível antecipar, melhor.
P.S.: Vou deixar esse “P.S.” como agradecimento por ajudar-me a tirar o 007 de cena. Por falar nisso o “S” do seu “P.S” (do seu artigo) está querendo saber até hoje por que o irmão “P” tem direito a um ponto e ele não. Não se preocupe, isso é só para mostra que nos preocupamos com os detalhes, e com as regras. Afinal, as regras são importantes. Tem tudo a ver com o texto.
[[Não seria a “solidão cósmica”, que parece um sentimento de estar perdendo alguma festa em algum lugar, um atenuante para a qualidade de vida, o que mostra a necessidade da fé, necessidade que pode ser sentida de forma mais forte numa idade mais avançada da sua vida?]]
Não. Qual é o problema em ser forte o suficiente para se conviver com o fato simples de que não sabemos o suficiente sobre a existência? É uma questão de aceitar a nossa própria ignorância, não!?
Outro argumento bobo dos crentes é o de que os ateus ou agnósticos estão a todo momento querendo provar a não-existência de Deus. Eu não tenho a menor intenção de provar que ele não existe. Inclusive não digo isso em nenhum momento do texto. O que afirmo é que possivelmente vivo uma vida melhor sem me utilizar de muletas.
Pois lhe digo: não há prova de não-existência. É simplesmente uma questão de visão. O fato de você não poder me provar que não existe uma chaleira no lado escuro da Lua significa exatamente que ela existe? Percebe sua fraqueza argumentativa?
Mantenho minha visão por uma questão de honestidade intelectual.
E inclusive NÃO foi isso que eu quis combater quanto ao seu texto. O que combato é a postura altamente preconceituosa e de certo modo até simplista que procura atrelar uma possível associação ético-moral com a Bíblia. Esse argumento já foi derrubado por filósofos há quase 200 anos. O que eu quis combater foi a postura arrogante e até bastante comum em nossa sociedade de se achar alguém provido de maior ‘capacidade’ simplesmente por acreditar no que quer que seja. Como se a capacidade do cérebro de se auto-enganar e criar figuras paternas fosse algo que atestasse uma possível qualidade intelectual.
Em pleno século XXI acredito que estaríamos melhor se todos pudessem tolerar as crenças. Você pode verificar que ao fim de meu texto, concluo dizendo que não posso falar nada sobre o que é melhor aos outros. Posso somente falar sobre o que é melhor para mim. E não é isso?! Não tenho o direito de impor minha visão a ninguém e, por isso e disso, me irrito quando querem se julgar superiores e ‘desrespeitar’ a não-fé baseando-se na críptica capacidade de crer em criações humanas.
Pois lhe digo: não há prova de não-existência. É simplesmente uma questão de visão. O fato de você não poder me provar que não existe uma chaleira no lado escuro da Lua significa exatamente que ela existe? Percebe sua fraqueza argumentativa?
Na verdade, pode ser fraco o argumento porque usei uma linguagem racional e objetiva, direta, para uma pessoa cética entender. Se usar a linguagem da fé, a coisa muda. Mas, a fé não se pode mensurar. Logo, a certeza que se tem de Deus está baseada muito mais na fé, porque o ser humano não consegue conceber a existência de Deus, pois a fé está além da lógica (como a conhecemos). Então, tenho um argumento extra, o argumento da fé, defendido no texto, usada por milhões de empreendedores no mundo inteiro, e com sucesso!
Como seria a herança ética dos povos sem a Bíblia? Bem, acho que se voltarmos no tempo, quando só os judeus tinham acesso, como povo escolhido, vamos ver por todos os lados povos pagãos sacrificando seus filhos, queimando-os vivos porque nasceram mulher, queimando viúva com o marido que morreu, o liberalismo nas civilizações por todos os lados. Foi depois de Cristo, com o crescimento do cristianismo que os princípios éticos judaico-cristãos se espalharam pelo mundo. O cristianismo influenciou a criação de hospitais, universidades, influenciou costumes de civilizações, policiando-as. Como negar isso? Será que sem essa influência judaico-cristã as coisas estariam tão organizadas hoje? Como?
Quem é provido de capacidade? É exatamente o argumento contrário que foi usado. Ao passar do tempo, a capacidade diminui, e consequentemente a pessoa considera-se menor, ela fica mais humilde. Isso é um fato claríssimo. Não tem nada de abstrado nessa afirmação. Nesse caso, a fé encontra um cenário favorável porque a pessoa aprendeu que tem necessidades que não são atendidas por ela mesma. Muletas? Não. Pois se crer em Deus fosse muleta, respirar o oxigênio puro também seria. Aliás, quem é autosuficiente? Não se trata de muletas, mas, de crer. Crer é algo possível na mente humana. O ser humano está apenas usando algo que tem disponível dentro de si. Qualquer um tem a capacidade de crer e ter fé. É algo associado ao sucesso.
Quanto a tolerância das crenças, o cristianismo foi quem mais colaborou com isso, não contabilizando aqui o que a igreja católica erroneamente fez, representando equivocadamente o cristianismo com o mal exemplo da “santa inquisição”. Estamos falando do cristianismo ao pé da letra, como foi divulgado por cristo, de não agressão, de liberdade de escolha, de respeito, com certeza. Essa certamente foi uma interpretação equivocada do texto. O respeito das crenças não implica em inexistência de opinião contrária acerca delas. São coisas totalmente diferentes. Respeitar não significar não ter opinião sobre a veracidade ou não de algo. Todo ser humano tem um ponto de vista sobre tudo. Falemos, pois, como seres humanos. Ninguém impõe uma visão ao expressar sua opinião. Aliás, ninguém consegue essa façanha de impor uma visão a não ser pelo engano da alienação. Todos os seres humanos têm o direito de aceitar ou não quaisquer visões. Isso é fato. Mas, estamos relatando aqui um fato, que a fé das pessoas, no mundo cristão, tem uma maior tendência para aumenta na medida em que aumentam os anos de vida. Estamos aqui falando de fé de uma forma matemática. E que podemos antecipar isso para nosso benefício e do próximo. Mas, se há quem não o faça, cada qual faz o que quer. Acontece que a importância da fé é muito conhecida hoje, não podemos negar as raízes da civilização ocidental.
É inútil continuar a discutir.
Desculpe a intromissão na sua coluna.
Inútil não. Isso depende do ponto de vista. Foi muito importante ter acesso ao seu artigo para compreender o outro lado, o lado de quem não considera a fé algo relevante. Mas, como qualquer colunista, estou apenas lançando os argumentos que defendem a idéia exposta. Não há problema em colocamos aqui os dois lado opostos de um mesmo assunto. Por isso sua colaboração foi fundamental. Há milhões de pessoas que acreditam na importância da fé, assim como há milhões que não acreditam. É normal que seja assim. Por isso eu é que tenho que agradecer sua colaboração. Você tem seu ponto de vista o qual defende. Estou apenas lançando algumas informações, as quais podem ser novas ou não para você. E você lançando umas informações com as quais posso concordar ou não. Isso não é uma discurssão, mas um colóquio para apresentação de idéias opostas. Lançamos as idéias. No final, se ninguém comprar a idéia, cada qual reconhe suas idéias para si. É uma forma civilizada de confrontar opiniões diferentes. Por isso, fique à vontade para lançar o comentário que achar necessário, mas procurando não fazer interpretações extensivas, que não constem no texto.
Adriano Araújo, essa visão de mundo não é medieval, é de muito antes, é do século I. Sim, moral prescinde da regilião. Mas, quem falou em religião? Afinal, quantas religiões existem que discordam entre si. Realmente, moral prescinde da religião, falou bem.
Inútil pois estás falando de cima de um púlpito.
Olá Win,
Você está certo, a idéia de valorizar a fé religiosa já existia na Antiguidade, por sinal, bem antes mesmo do século I. Entre os gregos antigos já existia a crença em deuses. Aliás, a crença no supernatural parece existir desde os primórdios na existência da humanidade.
E só para deixar claro quando eu falei em religião: eu entendo por religião qualquer sistemas de crenças no supernatural. Se você acredita em um Criador do Universo, por exemplo, mesmo não sendo adepto de nenhuma Igreja específica, então você é religioso, segundo os meus padrões. É só uma questão terminológica.
Mas ainda bem que concordamos que não é preciso ter fé em algum deus ou deuses para ser uma pessoa dotada de moral. Existem milhões de ateus no mundo, e seria preconceituoso afirmar que todos eles são seres imorais, sem caráter.
Outra coisa: eu penso que é um pré-requisito para se acreditar em algo que exista alguma base empírica ou racional em defesa desse algo. Se temos prova de que se algo é verdadeiro, não precisamos acreditar, nós “saberemos”. Se não há prova, mas indícios suficientes, estaremos autorizados a acreditar, mas sem certeza. Se não há evidências, ou elas são poucas e/ou fracas, então não podemos acreditar. Não devemos. Quem acredita nessas circunstâncias estará fazendo o “salto da fé”, que me parece algo errado, ou, pelo menos, desaconselhável.
Se vcs olham ao redor e para dentro de si e não conseguem ver algo além de vcs, é melhor olhar novamente para encontrá-lo; talvez num momento de agonia seja mais difícil
Gabriel,
Todo mundo fala de cima de algum púlpito.
Adriano,
Se tudo que é verdadeiro nós já soubéssemos, então a ciência estaria totalmente esclarecida desde as primeiras civilizações. A verdade é que descobrimos a verdade, pois ninguém nasce sabendo de tudo, muito menos a humanidade sabe de tudo. E o ser humano é muito complexo para que possamos afirmar que os cinco sentidos são os únicos disponíveis para que ele afirme que algo é verdadeiro ou falso. Assim como há aqueles que não descobrem o que é ouvir, pois são surdos, há aqueles que desconhecem Deus, pois são surdos na fé. Vamos concordar que para quem tem fé não há incerteza, mas certeza. Portanto, a fé aponta para algo incerto do ponto de vista do cético, mas do ponto de vista de quem tem fé aquilo está mais que provado.
Como deixei bem claro, religião por religião nada resolve. É preciso entender que há uma verdade, E se uma religião for baseada nessa verdade, então temos um verdadeiro exercício de fé. Na verdade, agente fala do que tem convicção. Se o cético empreendedor crer na descrença, ele fala de empreendedorismo no clima de ceticismo. Se ele tem fé, ele fala em empreendedorismo de forma entusiástica. Eu escolhi falar de empreendedorismo pelo meio entusiástico, e se entusiasmo significa “Deus dentro de você”, não posso deixar de informar que acredito sim em Deus, e que ele é a base para a verdade, portanto a base para a ética e a moral. Porém, se o assunto é relativismo, qualquer moral é válida do ponto de vista relativista. Mas se nem Einstein aconselhou aplicação do relativismo no campo moral, fica difícil trafegar por essa via perigosa. É melhor compreender moral de forma absoluta, pois se for algo compreendido relativamente, vai acabar confrontando-se com outras morais opostas, o que seria um grande paradoxo.
Com certeza, Neto. Não existe relógio sem um relojoeiro. Por isso é bom olhar dentro de si ou fora para poder ver se o ser humano é mesmo apenas uma metamorfose ambulante ou algo mais importante. Aliás, o momento em que fugimos da lógica é quando pensamos que nada na terra vem do nada, mas a terra veio do nada. Há algo de errado nesse pensamento e nessa quebra de lógica. Mas, enfim, qual a importância da fé para o empreendedorismo? A maior possível. Muitos escritores entusiastas aconselham a fé como propulsora e motivadora de grandes conquistas. Mas acontece que a fé é mais que isso, é um bem útil para toda a vida e que muitos só vão aprender a valorizar com o passar dos anos. Mas, claro que fica mesmo difícil adquiri-la às pressas, numa situação de urgência. Por isso o conselho do artigo é ter fé desde cedo.
“Se tudo que é verdadeiro nós já soubéssemos, então a ciência estaria totalmente esclarecida desde as primeiras civilizações.”
Eu acho que não afirmei que já sabemos tudo, afirmei?
“Vamos concordar que para quem tem fé não há incerteza, mas certeza. Portanto, a fé aponta para algo incerto do ponto de vista do cético, mas do ponto de vista de quem tem fé aquilo está mais que provado.”
Rapaz, o louco tem certeza que é Bonaparte, mas ele não é. O manicômio é a prova de que fé por si mesma não prova nada (Não lembro agora qual foi o pensador que disse isso).
“Como deixei bem claro, religião por religião nada resolve. É preciso entender que há uma verdade, E se uma religião for baseada nessa verdade, então temos um verdadeiro exercício de fé.”
E que verdade é essa? quem é que pode afirmar que a sua verdade é A VERDADE? Qual o parâmetro objetivo que se pode utilizar para aferir a veracidade de uma crença e a falsidade de outras?
“(…)não posso deixar de informar que acredito sim em Deus, e que ele é a base para a verdade, portanto a base para a ética e a moral. Porém, se o assunto é relativismo, qualquer moral é válida do ponto de vista relativista”
Mas você não tinha tido que não é preciso de fé religiosa para ser-se moral? Eu pensei que tínhamos concordado que mesmo os ateus são pessoais morais.
De qualquer forma, eu discordo de você quanto ao relativismo moral. Eu não sou a favor de um relativismo extremo, do tipo que aceitaria o assassinato de bebês recém-nascidos só porque nasceram gêmeos, como acontece com algumas tribos indígenas brasileiras, mas desconheço um parâmetro confiável que possamos usar para designar qual a melhor moral com 100% de certeza. Tudo o que podemos ter é um certo grau de confiança de que tal regra merece ser erigia à norma moral, e outra não.
Existem algumas exigências mínimas para o bom convívio entre os seres humanos: não matar, não furtar, não mentir, etc. Eu não preciso retirar essas verdades de Deus ou de qualquer outro modelo dogmático de crenças. Elas surgem como verdades a partir de contemplação da realidade prática. Uma sociedade em que se fosse livre para matar seria uma sociedade fadada ao desaparecimento.
E mesmo essas regras não são absolutas. Eu posso matar alguém se esse alguém ameaça a minha vida ou de terceiros. Portanto, seria perigoso, eu diria, seguir pelo caminho dos absolutismos, confundindo-se meios com fins, que é o que você, Win, parece estar fazendo.
Enfim, foi uma boa conversa, mas eu tenho de confessar que os meus dias estão bem corridos, por isso não posso garantir comentar novamente aqui.
Com todo o respeito, Adriano.
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Isso é apenas para mostrar que há coisas que podemos não estar vendo hoje mas que amanhã, depois de aguçarmos nossa visão, veremos.
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Pois é, assim como alguém afirmou com certeza que a terra era o centro do Universo, mas não era. Assim também muitos afirmaram com certeza que a terra gira ao redor do Sol. Todos afirmaram com certeza, mas só um grupo estava certo. A fé, se for verdadeira, faz parte do grupo certo. Com certeza, um louco não será convincente, pois ele, mesmo estando tão certo, não será capaz de convencer ninguém, diferentemente de uma pessoa saudável que consegue convencer
com sua fé. Há falsas e verdadeiras certezas. Cada um acredita numa verdade diferente, mas, pela lógica, alguém tem que está certo, e alguém deve estar errado.
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Isso parece um labirinto diante de tanto relativismo. Mas, venhamos e convenhamos, a verdade existe, e há sim parâmetros que comprevem que a verdade, e são imutáveis: amor, paz, felicidade, alegria, bondade, só para citar alguns. São elementos que se estiverem dentro do ser humano vão comprovar que ele está na verdade. Esses são frutos da verdade, pois é por esses frutos que podemos saber se estamos ou não na verdade.
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Concordo que não é a religião por religião que gera a moral, mas sim uma fé genuína, porque a moral vai além de não matar, não roubar. A moral é julgada na consciência desde pequenos detalhes.
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Os princípios da moral não deixam de ser absolutos: amor ao próximo, bondade, etc. A moral dos povos variam conforme cultura. Para se ter uma idéia, antes da influência cristã cometia-se barbaridade entre os povos pagãos, como crianças sendo queimadas vivas em sacrifícios a deuses. Porque isso só mudou com a influência cristã e não com outras influências? Eles tinham a moral do que era certo ou errado, tinham a certeza de estarem certos, mas estavam errados, pois desprezavam princípios universais descobertos no cristianismo. Será que a moral cristã não teve nenhuma importância para o empreendedorismo da civilização ocidental? Claro que teve, e muita. Não podemos negar os méritos do arquiteto do edifício em que moramos.
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De fato, seus questionamentos são bem vindos, com certeza. Inclusive, são questionamentos comuns quando o assunto é de tal importância e complexidade.
Bom trabalho! E muito sucesso!
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Sou ateu e me divirto muito com esse pseudo-debate que está se desenrolando aqui, mas só tenho algo a dizer: ser ateu não significa ser auto-suficiente;afinal de contas, ninguém o é.E antes mesmo de existir a “farsa” chamada de Cristianismo existia o zoroastrismo, ou outro besteirol religioso que já pregava a vinda de um “messias” para “salvar” a todos nós.Esta é um só uma das provas de que O cristianismo trata-se, na verdade, de uma colcha de retalhos de religiões, inclusive as pagãs, anteriores a ele. depois comento algo mais…..:)
Amauri, a despeito de você ser ateu, foi ótimo seu questionamento sobre a autenticidade da fé, conforme os cristãos reconhecem, pois isso propicia a oportunidade para aprofundarmos no assunto.
Existem vários relatos de que o zoroastrismo influenciou o judaísmo e/ ou cristianismo, mas afirmo que, de fato, isso parte de um pressuposto contrário ao defendido por judeus e cristãos, a revelação. Nesse caso, ao afirmar que o judaísmo foi influenciado pelo zoroastrismo na verdade nega-se que o judaísmo tenha partido de uma revelação, pois na concepção judaico-cristã foi a revelação de Deus quem criou toda a história disposta na Bíblia. Atribuir, pois, o cristianismo ao zoroastrismo é simplesmente negar que tais revelações tenham partido de Deus, e afirmar que elas partiram mesmo de uma religião chamada zoroastrismo. Então, eis a dificuldade que tais conjectores terão pela frente: provar que não houve revelação de Deus, que o que está na Bíblia é uma mentira, e que tudo na verdade foi continuação do zoroastrismo. Então, sinta-se à vontade para comentar o algo mais que você prometeu. Sua tarefa é suprimir, por meio de provas, a revelação, e colocar no seu lugar influências zoroásticas. Vai ser divertido ver que você não poderá atribuir o judaismo ao zoroastrismo sem ter que apelar para a idéia de que Deus (conforme a visão judaico-cristã) não revelou-se a Abraão, muito menos aos seus descendentes.
P.S. 1: O fato de tal religião ter pontos semelhantes ao judaísmo não quer dizer nada, nem muito menos que o judaísmo foi influenciado por elas. Assim como hoje tem muitas religiões que, embora acreditem em um só deus, não escapam de ser consideradas seitas. Perceba que os hebreus foram orientados a não fazer as práticas do Egito, portanto o que eles teriam como influência seria orientada diretamente por Deus, e não por um profeta zoroastra.
P.S. 2: Faltou um detalhe: os zoroastras não acreditam em inferno, mas que depois da morte, os bons serão escoltados por uma mulher bonita, enquanto os maus serão escoltados por uma mulher feia. Comparar algo tão infantil com o cristianismo/judaísmo é, no mínimo, para ser modesto, comparar um Ford Modelo T com um carro de Fórmula 1 do ano 2008 d.C.
Caro Win, artigo complexo esse… todo mundo sabe que se discutimos sobre política, religião e futebol a coisa esquenta… é o que está acontecendo… Não lí metade dos comentários e não sei se isso já foi discutido… Mas acredito no seguinte: a minha fé é movida por coisas que acredito, que quero conquistar, etc é um movimento de dentro para fora, ou seja, é uma força interior que é traduzida em atos, palavras, etc e pode ser atribuído a qualquer coisa que se acredita, um deus, um santo, um idolo, um objeto, etc, qualquer coisa que valide a sua fé, somos dependentes disso…agora isso é o que acredito e pode não ser o que você acredita, daí a complexidade do assunto…
É complexo, mas claro que é um tema discutível, sim. Não fosse assim, as grandes revistas do mundo, a começar da TIME, não disponibilizariam espaço para esse assunto para não gerar polêmica. O artigo defende a idéia de que a fé, desprezada no início, pode vir, por alguns, a ser considerada importante apenas apartir de certo ponto da vida. Óbvio que não é qualquer fé, mas uma fé em Deus que traga resultados em termos de bons frutos. No entanto, muitos preferem colocar fé em coisas diferentes, daí resulta a pluralidade religiosa, o nervo muito sensível do assunto, em que cada qual crer de sua forma. Nesse ponto o assunto torna-se complexo, pois trata-se de um tema que vem com a humanidade desde os tempos mais remotos. A diversidade toma conta, cada qual tem o direito de crer ou não. No entanto, se o artigo se propõe a mostrar a importância da fé, assim como tantos artigos falam de produtos espirituais inovadores de forma aberta e até social no contexto pos-moderno, nada mais justo que falar da fé tradicional, experimentada e aprovada por muitos, dispensando dar detalhes uma vez que, estando nós no Brasil, fica claro e evidente o teor do que falamos. Como combina com o toma “quintessência” não é por acaso que o artigo conclui falando de fé, pois todos a têm, seja em si mesmo, em Deus, em deuses, em riquezas, seja lá no que for. A diferença é que, assim como diz no artigo, há momentos em que é a fé em Deus que apresenta-se como subterfúgio para aqueles que já tentaram todo o tipo de fé artificial. Mas, o que dizer se alguém diz que encontra paz, alegria e felicidade sem fé, em meio ao puro ceticismo? Nada. É, como diz o artigo, esperar o que o tempo dirá a essa pessoa. Porém, uma coisa é certa: não adianta ganhar bilhões como empreendedor se não houver espaço para a felicidade. Sendo assim, parece pouco provável que felicidade combine com ceticismo e não com uma fé genuína. Quem, porém, acredita que é feliz sendo cético, vai esperar para ver se com o passar do tempo vai continuar acreditando e sendo convincente consigo próprio.