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Win Rodrigues

Win Rodrigues - wintemberg@digi.com.br

Comentário Empreendedor

Wintemberg Rodrigues, 28, é administrador pela UFRN e empreendedor. Escreve semanalmente na coluna "Comentário Empreendedor" que aborda temas sob o enfoque empreendedor, buscando soluções, quebrando paradigmas, ampliando o campo de visão e empreendendo grandes idéias.

Política com profissionalismo

quinta-feira, 6/dezembro/2007

Ei, você aí, caro empresário que fatura R$ 10 milhões todo mês. E você que ficou feliz e preparou uma festa quando sua empresa atingiu um lucro de R$ 50 milhões. E você, que já é bilionário, e sabe muito bem o valor da profissão e do preparo. Sim, você mesmo, que tem como cliente todo o Brasil. E também você já que já exporta. Inclusive você que até abriu uma filial no exterior. Você que é dono único ou você que é acionista majoritário. Você que entrou na Bovespa recentemente e quase desistiu pela exigência desse novo mundo. Algum de vocês colocariam pessoas para administrarem seus negócios só por serem popupares?

O que é a popularidade sem um preparo intelectual?

Bem, esse é um assunto polêmico, mas inevitável. O congresso está repleto de popularidade, mas muitos de nossos representantes parecem perdidos profissionalmente. Isso mesmo. Se a profissão tem tanto peso no Brasil e no mundo, porque na política basta a popularidade para um candidato ser eleito? É justo que alguém, só por ser popular, represente o povo?

Eu vou mais além, prefiro votar num personagem político popular e profissional a ter que votar um mero político popular. Existem muitas democracias, mas a qualidade da democracia também se mede pela qualidade intelectual dos políticos.

O Brasil não está aproveitando a evolução de profissionalismo que experimenta. Temos inúmeros políticos em Brasília, mas quantos deles têm formação em administração? Quantos deles sabem o que significa “reengenharia” ou “benchmarking”? Quantos tem noção de logística ou finanças? E quantos já fizeram ao menos uma especialização em gestão pública?

O país sofre porque exige-se pouco dos candidatos. É preciso muito pouco além da idade e popularidade para ser um político. Isso é coerente? É necessário ter popularidade, mas sem extinguir o profissionalismo.

Percebemos como é exaustivo (intelectualmente falando) para alguém sem preparo profissional sentar numa cadeira de vereador, deputado, prefeito, governador, secretário, senador e até mesmo presidente. Reconheço que muitos fizeram alguma coisa, mas poderíamos ter feito muito mais se existisse uma lei que obrigasse o político a ter um diploma de administração. Em administração ele vai ter noções de: estratégia, logística, marketing, recursos humanos, finanças, gestão pública, empreendedorismo, etc. Ou seja, aquilo que é fundamental para todo político conhecer.

Defendo a idéia de que os políticos atuais devam passar por essa preparação e os políticos futuros devam ter necessariamente uma preparação profissional. Porque o nome político não se traduz em profissão, mas é simplesmente um adjetivo de alguém que ocupa cargo público através de voto popular. Mas é preciso preparo. Só ganhar não adianta. É preciso estar preparado para administrar.

O Brasil tem problemas crônicos em várias áreas: saúde, educação e aéreo. Por quê? Limitação dos políticos que ingressaram fácil na política. Fácil porque bastou ter dinheiro e popularidade e pronto.

Ah, e não vale dizer que não há necessidade porque eles têm os administradores deles. Mero engano. Se o político não tiver preparo nem ele mesmo saberá guiar os profissionais que estiverem abaixo dele. Resultado: um Brasil muito mal administrado.

Assim como as empresas sofrem quando não contam com profissionais competentes da mesma forma o país sofre quando os políticos não têm um preparo que o ajude na profissão de alto executivo da nação.

Administração não é uma área apenas para o comércio, mas também para a vida e também para a política. Ser político é necessariamente ser administrador, porque administrar é tomar decisões. Logo, é imprescindível um curso de graduação ou pós graduação em administração para quaisquer políticos.

Vamos ver como ficaria o quadro se as coisas fossem feitas com mais profissionalismo. Um vereador, deputado, senador, prefeito, governador ou presidente poderia ser formado em administração, podendo ter até uma pós-graduação em gestão pública. Um ministro da saúde poderia ser um médico com pós em administração ou um administrador médico. Um ministro da fazenda poderia ser um administrador com pós em finanças, contabilidade ou economia. A ministra do turismo poderia ser formada em turismo, curso que já conta com um preparo administrativo. E assim teríamos profissionais entendedores do assunto administrando o país.

Então, que os políticos do presente preparem-se profissional e intelecualmente para administrarem. E que os políticos do futuro já entrem na política com um diploma merecido de administração.

Se tudo correr bem, em breve poderemos ter realmente executivos no executivo.

Compreendo que existam políticos competentes, mas a maioria faz muito pouco diante do que poderiam fazer, por limitação intelectual, o que faz com que eles desconheçam certas estratégias e conhecimentos imprescindíveis para o aproveitamento máximo do mandato. Não por maldade ou vício, mas por limitação. Eles fariam mais se tivessem um preparo para fazê-lo. E isso não tem que ser depois, mas antes de ingressar na política.

Para evitar problema com a demanda insuficiente de candidatos diplomados, o governo poderia incluir nas faculdades federais o curso de administração pública, no qual os candidatos preparar-se-iam especificamente para serem administradores políticos.

Sou a favor do diploma de administração para ingressar na política. Quem quiser ser político passe antes pelo escrutínuo da bigorna do preparo intelectual.

Assim a coisa seria mais séria e seríamos uma nação pautada em metas e objetivos concretos. Claro que pode haver variação de qualidade entre tais profissionais, mas só o fato de termos pessoas entendedoras de administração na política já seria bem melhor do que ter alguém que ganhou a eleição apenas por ser popular. É preciso ir além da popularidade e alcançarmos o profissionalismo na política.

E para não pegar os políticos atuais de surpresa isso poderia valer apartir das eleições de 2012. Assim todos poderiam preparar-se para um novo tempo de mais seriedade e profissionalismo na política.

Assim talvez os profissionais que dão show nas empresas privadas não vão ter o sofrimento de ver seu país mal administrado, com políticos costureiros que remendam uma coisa aqui e ali, sem resolverem os problemas como um todo, uma vez que os problemas brasileiros são sistêmicos e não podem ser resolvidos com remendos, mas com soluções completas e abrangentes. E para isso é preciso que no executivo existam pessoas que pensem com muita seriedade e profissionalismo.

9 comentários

  • Breno : -

    A questão levantada pelo seu texto é pertinente. Muitos dos políticos se escoram no populismo, se elegem e exercem o mandato sem necessariamente ter uma formação acadêmica. Mas não são todos. Na minha opinião o curso superior deveria ser sim pré-requisito para determinados cargos, e até deve ser. Alguém da área jurídica pode responder se existe alguma legislação específica. Porém, não concordo com seu enfoque no curso de Administração. Tá certo que é sua profissão e nada melhor do que vestir a camisa do curso (muitos fariam o mesmo). No meu ponto de vista uma organização política não é formada apenas por Gestores e sim por uma pluralidade de profissionais das mais diversas áreas. Um páis se faz sim com o pensamento de Juristas, Contadores, Economistas, Médicos, Engenheiros e também Administradores, mas não só Administradores.

  • Wintemberg Rodrigues : -

    Olá Breno,

    É claro que as outras profissões têm lugar no mundo político, como citei, em ministérios, secretarias.. etc. Ministério da educação, por exemplo, poderia ser alguém de pedagogia, ou com especialização na área. No ministério da saúde poderia ter alguém formado em medicina, mas também com conhecimentos em administração. A questão é que todos precisam de administração. E um ministro vai administrar. Um senador ou presidente vai administrar. Um político inevitavelmente precisa de entender de administração. Não estou puxando para um curso no qual eu seja graduado, porque tenho interesse em outras áreas, como direito e medicina. Mas, se eu fosse um médico que quisesse ser político eu procuraria conhecimento em administração. É algo indispensável, mas não é nada pessoal, embora seja difícil dizer isso, já que sou administrador. Mas, a razão fala por si só. Quem administra tem que ter um preparo em administração, independente se for político, ministro, etc. E se queremos as coisas corretamente, principalmente os políticos deveriam preparar-se melhor como profissionais nessa ciência-arte.

  • Antonio : -

    Muito bem!

    Antigamente, quando não tinhamos profissionais em quantidade suficiente para ocuparem todos os cargos, admitiam-se nomear aqueles que tinham alguma experiência. Hoje em dia, com tantos profissionais preparados, empresários bem sucedidos que se dispõem a prestar serviços em cargos públicos, não vejo porque continuarmos nomeando apenas os amigos, parentes e correligionários políticos sem experiência e sem competência para a gestão pública. Principalmente no poder executivo, onde é difícil ver planejamento, controle, coordenação, enfim, falta o básico de administração.

  • Arthur Ribeiro : -

    Discordo do seu ponto de vista. A representatividade popular, na democracia, é uma coisa muita cara para os seus cidadãos, e é a força do voto que serve de alicerce e justificativa para o governo. O cargo político não pode ser monopólio de uma classe social, de uma profissão, de patentes militares, de um partido, de alguém com domínio da imprensa ou de alguém com direito a reeleições infinitas . Um cientista político certamente, ao ler seu texto, poderia querer que fosse exigido um diploma em Ciências Políticas para que o assunto fosse mais embasado.

  • Wintemberg Rodrigues : -

    Sr. Arthur, posso afirmar que um administrador é a pessoa mais indicada para sugerir que os políticos entendam de administração, porque o foco principal é administração e não o estudo da política em si. Então, estou falando com propriedade sem necessidade de diploma de ciências políticas que não iria me dar base alguma para defender o diploma de administração na política, já que quem conhece melhor as vantagens do curso de administração na política é um administrador e não um cientista político que focaliza a questão política. Ademais nenhum cientista político sério encontrará argumento que defenda tanta incompetência administrativa na política e não atribua isso, em parte, a falta de preparo administrativo. Pelo contrário, os cientistas políticos sabem que uma das duras críticas aos políticos, além da corrupção, é exatamente o fato de muitos políticos entenderem pouco ou nada de economia, administração e finanças. Pois é, então podemos dizer que minha idéia não é novidade. Já existem muita gente que reparou isso muito antes de eu escrever essa coluna, inclusive os cientistas políticos.

    Sobre monopólio, devo dizer que é parece ser uma comparação não apropriada, pois estamos falando de políticos terem preparo para o exercício do cargo. E isso pouco ou nada tem haver com partidarismo, haja vista que qualquer profissional deve ter preparo, obrigatoriamente. E por que os políticos não? Se os políticos tomam decisões que afetam as pessoas, por que não prepararem-se adequadamente? Que ditadura existe nisso? Eu defendo que os médicos é que façam cirurgias e que os juízes julguem. É ditadura? Não. É profissionalismo. Se faz parte da profissão do político, não há problema nenhum nem qualquer ônus para o povo que eles sejam entendidos de administração. Não restringe ninguém. Apenas exige-se um preparo. Mas, enquanto as pessoas estiverem escolhendo políticos que não entendem de planejamento estaremos sempre vendo essas soluções de costureiro que saem do congresso e resolvem por 3 ou 5 anos para depois voltar à tona. É o caso da educação, saúde, quando o governo finge que resolve as coisas e depois tudo volta à tona. Um político que entenda de administração estará mais a vontade para propor mudanças concretas e bem planejadas que resolvem o problema como um todo e não fique tapando buracos como sempre acontece.

    Então, não se trata de monopolizar. A questão é que um político administra, então é um administrador então deve entender de administração. Será que seria coerente que qualquer pessoa saisse por aí fazendo cirurgias feito um médico ou julgando feito um juiz? Não. Então também não é coerente que um político administre sem entender de administração. Ademais, administração está para todos os que quiserem se aprofundar. Não é de um grupo. É de todos. O fato de exigir-se um diploma de administração não evitará que pessoas entrem na política, apenas exigirá um maior preparo.

  • Julio : -

    Precisamos justamente disso! Independente da profissão: profissionais qualificados em fazer, agir, realizar (e não, pensar e somente falar como parece ser a regra neste país)!

    Obs: poderia ter utilizado algumas fontes para o texto ficar mais embasado, cito um artigo de kanitz (a era do administrador) muito bom! disponivel em http://www.kanitz.com

  • Wintemberg Rodrigues : -

    Júlio, eu defendo que os políticos tenham algum preparo profissional para o exercício do mandato. Claro que pode ser de qualquer área, contanto que tenha ao menos uma pós em administração pública. Uma pós-graduação não é algo tão demorado quanto uma graduação, mas já ajuda bastante ao político entender o que é administrar.

    Um outro artigo que poderíamos citar é UM PAÍS MAL ADMIISTRADO, de Kanitz, no qual ele fala do progresso do México quando o ex-presidente da Coca-Cola assumiu a presidência do país. Assim podemos notar que profissionalismo é excencial para uma boa administração. É preciso capacitação profissional e não apenas popularidade.

    Referência:
    http://www.kanitz.com/veja/pais.asp

  • Arthur Ribeiro : -

    Sr. Wintemberg,
    Justificativas técnicas não vão alicerçar mandatos políticos, daí por que os mandatos não são escolhidos de acordo com a profissão do ocupante, nem pode haver exigência prévia de educação nesta área. Se por acaso houver necessidade de uma demissão em massa de funcionários públicos, a simples justificativa de que “a decisão foi técnica” vai reduzir os protestos? ou será que o melhor é que o político, independentemente de sua formação, aguarde o melhor momento político e ponha o assunto em negociação?

    A comparação da preparação do governante com a preparação de profissões como a de médico ou de Juiz não é válida. Político, na democracia, não é um mero administrador, é um representante do povo. Em Israel se leva em consideração (entre outras coisas) o passado militar da pessoa, no Líbano, influi a religião deste político, na África importa também a etnia, no Brasil se considera (pelo menos isso foi bastante válido para Lula, por exemplo) a origem social da pessoa. Essa representatividade é o lastro do ocupante quando ele é obridado a tomar decisões impopulares. Para um administrador, o lastro é o resultado do seu trabalho para a eficiência da empresa, o que não é justificativa suficiente no ponto de vista povo insatisfeito.

    Quero deixar claro, porém, que dou importância à formação do político, que prefiro dar meu voto a políticos mais bem preparados, e que deve ser ofertadas todas as oportunidades para que os políticos se preparem melhor para exercer seus cargos quando eleitos. O que não pode haver é uma obrigatoriedade que limite a escolha popular.

  • Wintemberg Rodrigues : -

    Sr. Arthur, administradores são também preparados para lidar com o público, isso se chama inteligência emocional que é levada em conta, até certo ponto, no currículo do profissional. Então, ele tem que saber lidar com o caos. Não é meramente algo técnico, mas também algo do gênio, mas cabe dizer que nem todo administrador tem genialidade.

    Sim, o político é um representante do povo, mas o que ele faz? Apenas representar? Não, pois ele toma decisões como representante do povo, aí é que entra a necessidade do prepara para tomar tais decisões como representante do povo.

    Sobre como as coisas acontecem em outros países, podemos dizer que mesmo os países desenvolvidos não são necessariamente bem administrados. Eles estão cheios de problemas. Administração é uma ciência nova e que poderá estar cada vez mais aliada à administração pública para uso dos políticos. Então, não se trata de tomar alguns países como modelo. Trata-se de usar uma ferramente que temos à disposição. É preciso mais competência administrativa. Essa necessidade observa-se principalmente nos países subdesenvolvido, como o Brasil.

    Talvez a solução melhor seja que esse preparo se dê apartir do momento em que ele entrar no partido. Uma coisa é certa: é preciso maior preparo administrativo, pois eles fazem muitos remendos, planejamentos não sistemáticos e gastam muito dinheiro para fazer alguma coisa em dez anos depois de terem dado solução para um mesmo problema umas 200 vezes. É preciso maior profissionalismo nisso para que o país não perca a onda e caia no atraso, como aconteceu quando o país não soube aproveitar o embalo da indústria de semicondutores e acabou chegando atrasado nesse grande negócio. Isso é só um exemplo do quanto o país perde por não ter políticos preparados profissionalmente para o exercício do mandato.

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