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Win Rodrigues

Win Rodrigues - wintemberg@digi.com.br

Comentário Empreendedor

Wintemberg Rodrigues, 28, é administrador pela UFRN e empreendedor. Escreve semanalmente na coluna "Comentário Empreendedor" que aborda temas sob o enfoque empreendedor, buscando soluções, quebrando paradigmas, ampliando o campo de visão e empreendendo grandes idéias.

O que eles deverão prometer para Natal

segunda-feira, 18/agosto/2008

É tempo de prometer, mas também é tempo dos candidatos que já estão no poder mostrarem que cumpriram o que prometeram e que não se meteram em encrencas e falcatruas. Se eles não forem capazes de mostrar isso na prática, de forma palpável, não são dignos de crédito. Mas, não se engane, promessa por promessa não quer dizer nada. Alguém pode prometer coisas inúteis, ou até mesmo ter um portfólio de promessas limitadas que não contemplam integralmente as necessidades da cidade. Isso quer dizer que tal candidato poderá lutar por poucas coisas e poderá vir a ser irresponsável quando tiver que tratar de assuntos importantes para a administração pública, mas que nunca chamou sua atenção, o que mostra seu despreparo. Um candidato deve ser completo. Portanto, procure observar se seu candidato olha a cidade de uma forma mais responsável, considerando suas mais diversas necessidades em todos os sentidos. Colocar alguém no poder para defender meia dúzia de causas, numa cidade cheia de necessidades, é o mesmo que pagar a um empregado para trabalhar três meses, e deixa-lo folgar por nove. Ou seja, esses nossos representantes são muito bem pagos para trabalharem pela metade. É preciso dar serviços para eles. Portanto, vamos passar em revista propostas em áreas importantes que deverão ser apenas alguns exemplos de alvo de campanha de candidatos à prefeitura e câmara municipal.

Em 2004, num dos meus primeiros artigos, intitulado “Rio Grande do Norte: ontem, hoje e amanhã”, abordei passado, presente e futuro do Estado, considerando três grandes projetos: a ponte da redinha, o metrô e o aeroporto de São Gonçalo. Dos três, um, a ponte, engrenou aos trancos e barrancos, e apesar das polêmicas foi benéfica. Pois bem, o efeito Ponte Newton Navarro foi imediato e a zona norte experimenta um momento de crescimento inédito. Bom para Natal. A ponte entre idealização e a realização é a coragem de fazer. Sonhar todo mundo sonha, mas poucos querem acordar e trabalhar duro para realizar. A Ponte Newton Navarro deve servir como demonstração de que os outros sonhos natalenses são possíveis de serem realizados. Por isso, o aeroporto também recebeu aval por parte do presidente, e os políticos do Estado estão conscientes de sua importância, porém esse projeto precisa ser acelerado, pois parece estar andando no passo do gado. Mas, o que dizer de quem sequer nasceu? O metrô de superfície de Natal, um projeto audacioso, para alguém que tenha coragem, se propõe a preparar a cidade para a demanda futura, está apenas no sonho. Mas, nada é tão simples, para interligar a grande Natal através de um metrô é preciso preparar a grande Natal para a cidadania, minimizar a violência com educação, além de gerar oportunidades de trabalho para todos. Interligar cidades favorece a circulação de pessoas, portanto, se as cidades não estão equilibradas em termo de cidadania, pode ser que o fluxo de violência passe de uma cidade para outra, um efeito comum em cidades grandes como São Paulo, e incomum em cidades isoladas do interior. O que é pequeno é fácil de controlar, mas o que é grande dificulta o controle. Portanto, para que haja um crescimento com interligação entre as cidades da grande Natal será preciso vencer o desafio social existente nessas cidades, para que a violência não circule juntamente com as pessoas. Mas quem disse que o trabalho de político tem que ser fácil? Não é à toa que eles são muito bem pagos para trabalhar. Então, que surjam as propostas que prometem sacudir estas eleições do ano de 2008 em Natal.

Transporte

Fazendo uma projeção de Natal para alguns anos à frente, imaginamos que a cidade engordará mais uns “quilinhos”. É a zona norte crescendo muito, é o aeroporto chegando (apesar da lentidão inacreditável), é Natal ficando saturada no trânsito. Tudo indica que em alguns anos a coisa tenderá a inchar de tantos carros, e mais, expelindo fumaça poluente. Em Nova Iorque, até mesmo o prefeito da cidade prefere usar o metrô. É coisa de primeiro mundo, uma solução para o caos no trânsito. Por quanto tempo vamos esperar para concordar com essa necessidade? Ou melhor, por quanto tempo nos negaremos a abrir os olhos? Se ser primeiro mundo também significa urbanismo com respeito ao cidadão, valorizando seu tempo, então quantos anos devemos esperar para dar à grande Natal aquilo de que ela tanto necessita para melhorar o seu pesaroso tráfego? Na medicina, certos procedimentos não podem ser feito em urgência, pois há risco de falhas. Assim, também não podemos deixar para pensar em metrô apenas quando essa for uma solução de urgência. O metrô de superfície deve ser uma boa promessa de campanha, vamos ver quem vai ter a coragem de abordar esse assunto tão ousado e comprometedor.

Saneamento básico

Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura. Talvez por isso, porque se preconiza tanto a sua importância, esse é um tema que tem crescente apoio dos políticos. Saneamento básico previne problemas de saúde pública, além de ser uma exigência de base para qualquer área urbana. Uma área não é urbana se não tiver saneamento básico. Uma cidade sem saneamento básico é o mesmo que uma casa sem alicerce, quando chove o povo corre perigo. Por isso, políticos que levam em conta o saneamento valem-se disso para pintarem uma imagem de homens inteligentes, que se preocupam com algo que fica tão escondido. Realmente, investir em saneamento é uma atitude inteligente. Mas, que não fique só nisso. Vale salientar acerca da extrema suscetibilidade de Natal em épocas de chuvas, provocando enchentes terríveis que geram doenças. O que os nossos candidatos têm a dizer também sobre isso? Eles precisam dizer alguma coisa.

Ambiente

Em Natal, um dos grandes desafios ambientais está em preservar o manguezal e evitar as poluições no rio Potengi e nas praias, além de criar um projeto de conscientização para manter a cidade limpa. Se uma cidade se propõe a ser limpa, é claro que em todos os pontos dela deverão existir lixeiras. Isso é o que não acontece em Natal. O cidadão que quer jogar fora uma embalagem de plástico ou papel nem sempre encontra uma lixeira para evitar jogar na rua. Vale lembrar que as políticas devem encontrar todos os confins da cidade e não somente locais freqüentados por turistas. Deve haver uma solução para que o mangue não seja devastado e a sua beleza tirada. Não há problema em construir empreendimentos próximos ao mangue, mas daí à devastação, invadindo a área, é um grande salto. É preciso que a exploração do mangue pare por aí. Também é preciso dar um basta na poluição do rio Potengi, o qual está bem abaixo do nosso nariz. Não queremos que o “Rio” que dá nome ao Estado do “Rio Grande do Norte” seja um rio poluído. Então, deve surgir a solução para essa causa. Ademais, temos as praias que precisam de medidas açodadas para não cair na onda da poluição. Será que os políticos vão abordar essas questões? Se farão alguma coisa no futuro não sabemos, o que sabemos é que pouco fizeram no passado.

Educação

É comum ouvirmos de propostas vagas e evasivas para a educação, coisas genéricas demais para traduzirem algo concreto. Na verdade, para melhorar a educação é preciso um movimento muito forte em favor de uma transformação radical da água para o vinho. Segurar essa bandeira é comprometedor, e muitos candidatos vão preferir ficar nas propostas genéricas, abrangentes demais, pouco traduzíveis em prática. O eleitor deverá observar se o candidato passa firmeza na proposta e conhecimento de causa. Senão, trata-se apenas de mais um discurso demagogo para emocionar, não carregando nenhuma projeção realmente prática. Parece-nos que as prefeituras controlam melhor suas escolas que o Estado, mas mesmo assim precisamos mudar muito. O grande problema é que o investimento mesmo por parte da prefeitura é grande, pois imagine quantas escolas existem em Natal. Aí está o desafio, pois se faz necessário administrar um serviço para uma grande demanda. Caso a administração municipal seja frouxa, fraca, indefinida e insegura, teremos escolas de cultura fraca com alunos que não zelam pela imagem da instituição em que estudam. Quando entramos em uma instituição nos deparamos com a cultura que ela nos impõe e logo nos adaptamos a ela. A instituição faz todo um envolvimento que direciona o aluno para essa cultura intelectual. Mas, caso a prefeitura não entenda essa importância, a cultura vai variar de escola para escola, e o que é pior, ditada pelos alunos, e não promovida pela escola que é quem tem o papel de educar. Então, qual a identidade da escola pública municipal de Natal? O aluno tem prazer de mostrar que estuda em uma escola municipal, mesmo diante de alunos de escolas federais e particulares? Enquanto isso não acontecer, há uma falha muito grave porque o poder municipal não está conseguindo oferecer um serviço que melhore a auto-estima dos seus alunos.

Precisamos deixar clara a necessidade de investimentos em infra-estrutura e cidadania. Prédios com instalações precárias, sujas e mal conservadas são inaceitáveis, mas também instalações modestas demais, sem condicionamento para projetores multimídia, televisão, dvd, computadores, ar condicionado, entre outros, indicam infra-estrutura de baixo nível. Já o famigerado giz deve ser aposentado, uma vez que provoca problemas de saúde tanto para professores como alunos. É necessária a modernização das escolas, junto com uma educação para que os alunos não venham a denegri-la. Pela qualidade dos banheiros é possível conhecer se em tal escola existe ou não um padrão considerável de cidadania e administração. Banheiros sujos, mal cheirosos, quebrados, riscados e denegridos são indicativos de que a instituição falha em outras áreas e seus alunos e funcionários não estão fazendo um serviço digno por ali. É preciso perguntar: qual o nosso padrão de qualidade? E através da resposta recriar a escola, remodelá-la com qualidade e dignidade para todos. Observe que criar o padrão é um desafio, mas mantê-lo é outro maior ainda, portanto é preciso criar um padrão de qualidade, investir pesado nesse padrão e controlá-lo trabalhando o comportamento cidadão, conforme um padrão de cidadania que faça parte da cultura da escola. Vale lembra também da importância da inspeção, que atua observando os erros e corrigindo-os instantaneamente. Dispensar um instrumento de controle tão importante é uma atitude que ignora tudo o que a humanidade aprendeu sobre melhoria através de inspeção e controle de qualidade.

Saúde

Cabe aos municípios a gestão do SUS. O problema é que a saúde não recai só nas costas dos municípios, mas também do Estado e União. Cabe à prefeitura não aceitar a condição de baixa qualidade existente na saúde. Enquanto os políticos estiverem recorrendo a planos privados de saúde é sinal que há muito o quê melhorar no SUS, o qual não satisfaz nem aos seus gestores. Se as prefeituras são limitadas, elas devem, com os vereadores, no mínimo, exigir da União um sistema de saúde de qualidade, apresentando suas contribuições ideológicas. Isso porque, como o SUS sofre um problema sistêmico, a sua melhoria não depende apenas das prefeituras. Isso não significa, porém, que seja impossível termos uma administração municipal melhor. Se prefeitos e vereadores forem inteligentes e tiverem visão poderão fazer uma verdadeira revolução na saúde. Talvez se eles dependessem do SUS, e não de planos privados, isso se refletiria nas suas propostas, essa luta seria mais forte e teríamos conquistas substanciais para toda a sociedade. Quase todos têm condição de pagar um plano de saúde, pois há para todos os gostos e bolsos, mas se já pagamos isso nos impostos, por que gastar duas vezes? Cabe ao governo fazer o que tentou com o movimento da reforma sanitária, termo inspirado na reforma italiana. A Itália hoje tem uma estrutura na área de saúde pública que é considerada melhor que a dos hospitais privados do Brasil. Se os políticos levantarem essa bandeira e abraçarem a proposta de saúde de qualidade para todos, eles terão quatro anos e poderão mudar muita coisa, e pra melhor!

Além de incluir a saúde na grade curricular das escolas, seria interessante promover a saúde sistematicamente nos bairros, através de palestras periódicas e agendadas. Criar uma escola itinerante da saúde que acontecesse de tempos em tempos nos finais de semana, nas escolas municipais, isso seria uma ótima idéia. Idéias semelhantes a essas devem surgir para fins de promoção da prevenção da saúde. Prevenir é melhor que remediar, e os cofres públicos agradeceriam mais tarde com menos pacientes doentes para serem atendidos. Ademais, povo saudável é povo feliz.

Em geral, a luta na saúde deve ser no sentido de elevar o padrão, atender a demanda e promover a prevenção. Para elevar o padrão é preciso investir pesado nos estabelecimentos de saúde, dando a hospitais e demais setores de saúde o refino que costumamos ver em um shopping center, pois se existe um lugar que deve ser extremamente limpo, higienizado, organizado, ventilado, esse lugar é um hospital. Elevando o padrão, teremos um espaço mais digno para os cidadãos, minimizando a tensão de estar em um lugar tão sensível do ponto de vista da vida. Por outro lado, é preciso calcular ao certo a demanda de pessoas para poder aumentar a quantidade de hospitais, profissionais e postos de atendimento. Ora, se há muitas pessoas para poucos hospitais, isso quer dizer que mais hospitais são necessários até que um trabalho de prevenção diminua essa demanda no longo prazo.

Outro ponto interessante, e grande desafio, é o combate à dengue. Os nossos candidatos terão pela frente o desafio de apresentar soluções para a famigerada dengue que assola a cidade. O que fazer? Como acabar de vez com o mosquito? Com a palavra os candidatos à prefeitura e à câmara de Natal.

Que os nossos candidatos estejam à vontade para descascar esse grande abacaxi que é a saúde pública. E que não venham com meros bordões evasivos que não passam de promessas vagas e sem sentido.

Segurança pública

Na segurança pública algo que está fazendo o maior sucesso, e com razão, é o sistema de vigilância por câmeras. É interessante, pois usa a tecnologia a favor da segurança pública. Se o custo/ benefício vale à pena? É preciso ponderar, mas dificilmente algo que está dando certo em outras cidades não possa ajudar por aqui. Se essa é a tendência, por que esperar? Imaginemos que essa é uma grande contribuição para a vigilância constante e abrangente da cidade. No mínimo, é possível começar timidamente, observando os resultados, calculando os custos e adquirindo know-how. Depois, será possível levar a idéia para outros pontos da cidade.

Habitação

Urbanizar favelas é interessante, mas nem sempre é possível, principalmente quando se trata de uma área delicada, como nos morros e outros locais de difícil urbanização. Portanto, uma alternativa radical pode funcionar se o serviço for feito de forma inteligente e estratégica. Trata-se de trocar uma favela por um bairro. A prefeitura, através de parcerias, constrói casas em determinada área, se possível, próxima à antiga favela, e através de incentivos atrai empresas para atuar naquele lugar e empregar a mão de obra ociosa e já treinada por ongs especiais. Resultado: a transferência de uma favela altamente degradada e nociva para um bairro novo, construído especialmente para atender a uma demanda carente de habitação. No final, a antiga área da favela será inutilizada e vigiada para que não haja construção em locais impróprios para a condição humana e que colocam as vidas das pessoas em risco. Não devemos subestimar as favelas. Nenhuma cidade deve fazer vistas grossas às favelas, pois elas podem gerar desconforto social, pois são áreas carentes que precisam de ajuda. Se os políticos de hoje tiverem soluções reais para essas áreas tão necessitadas, então estaremos entrando em novos tempos de cidadania para todos, literalmente.

Esporte

Por incrível que pareça, as escolas públicas municipais de Natal não têm uma infra-estrutura ideal para esporte, haja vista a inexistência de várias modalidades esportivas para os alunos. São poucas opções de esporte, o que leva os alunos à ociosidade, além de perder uma oportunidade de passar a idéia de disciplina e superação, tão importante para sua formação enquanto cidadão. Para resolver esse problema, a prefeitura poderia fazer complexos esportivos para suas escolas. É possível existir um complexo esportivo para cada uma das quatro zonas da cidade. Ou seja, cada zona (norte, sul, leste e oeste) contaria com um complexo esportivo para atender às escolas daquela área. Assim, a educação física seria feita nesses centros esportivos, concentração que favoreceria a integração e o tão difícil controle na gestão pública da educação. Seria uma espécie de clube escolar, controlado pelo departamento de educação física. É uma opção interessante, pois existe a necessidade das escolas de dar aos alunos uma infra-estrutura para educação física, e essa opção seria a melhor relação custo/ benefício. A sociedade como um todo poderia beneficiar-se dos horários destinados exclusivamente para a demanda externa. Além dessa idéia, está de pé também a proposta de uma vila olímpica. Vale salientar que essas propostas não seriam excludentes. O esporte gera ocupação e disciplina nos jovens. Trata-se de um pára-raio para que os jovens e adolescentes descarreguem suas energias as quais não serão utilizadas de forma onerosa para a sociedade.

Lazer

No lazer, a idéia deve ser a de dar continuidade a trabalhos feitos no intuito de revitalizar áreas mortas, perdidas e refúgio de assaltantes. Há praça que mais parece um deserto de tão desolada. A prefeitura deve investir nessas áreas mortas, revitalizando-as e dando um outro aspecto ao ambiente, com iluminação e opção de lazer. Para obter sucesso nessa empreitada, assim como em qualquer outra do governo, será preciso controle através de rígida manutenção, evitando a deterioração comum a tantas praças abandonadas na cidade. Também deveria haver a descentralização do teatro, que se concentra no TAM. Cada região da cidade merece ter um teatro, aproximando a cultura do povo. Não basta esperar, é preciso ir até o povo, como os políticos vão, em épocas de campanha.

Transparência

Além de transparência nos gastos públicos, o que é um imperativo, deve haver também maior acessibilidade aos atos de prefeito e vereadores. Acessando o site da Câmara de Natal, em dias diferentes, percebi como é difícil ter acesso a tudo o que os vereadores fizeram em sua gestão. Resultado: não consegui as informações desejadas após sucessivas tentativas em dias alternados. Um serviço que se propõe a mostrar o trabalho da Câmara não pode ser do tipo que apresente dificuldades para acesso da população, muito pelo contrário, quanto mais próximo da população estiverem as informações sobre o trabalho dos vereadores, melhor. Os esforços devem ser no sentido de que a transparência realmente exista, e não só isso, mas também que as propostas dos candidatos sejam registradas e fiquem lado a lado com o resultado de seus atos quando houver uma pesquisa, não como um limitador para aquilo que o candidato possa fazer, mas como um referencial mínimo para sua missão. Prometer, cumprir, mostrar, essas três palavrinhas valem ouro na política, muito mais que meros jingles melodiosos.

Geração de emprego

O que o os candidatos podem prometer em relação a emprego? Eles podem prometer esforço e empenho para viabilizar oportunidades iguais para todos, de todas as regiões da cidade, desde os bairros mais carentes até os mais sofisticados. Geralmente, as prefeituras conseguem trazer grandes empresas, oferecendo incentivos fiscais. Disso muito depende a estratégia para geração de emprego. Certamente, esse é um ponto com soluções que vão desde criar cursos profissionalizantes gratuitos, com posterior encaminhamento para entrevistas em empresas, até viabilizar estratégias que incentivem a instalação de novas empresas na cidade.

Integração com a região metropolitana

Não adianta uma boa cidade se os vizinhos não acompanharem o ritmo de desenvolvimento social. É preciso haver integração positiva entre as cidades da grande Natal, pois de nada adianta Natal ser uma boa cidade se os vizinhos estão sofrendo com a falta de preparo para o mercado de trabalho, desemprego e outros problemas, engrossando o caldo da violência na grande Natal. Deve haver uma preocupação com o desenvolvimento sustentável e integrado da grande Natal, propiciando um crescimento equilibrado, evitando os problemas decorrentes do desenvolvimento urbano sem planejamento e justiça social, como é o caso da violência. A violência não surge por acaso, mas é fruto, dentre outros motivos, da ausência de políticas públicas justas e equânimes que atendam a todos, sem discriminações.

Pelo visto os nossos candidatos devem estar percebendo que os tempos mudaram e que, para se eleger, eles terão que tirar leite de pedra, ser autêntico e mostrar que realmente estão dispostos a lutar por um desenvolvimento integral, e não somente em determinados aspectos isolados. O candidato mais completo, que tiver uma visão mais abrangente, que mostrar maior domínio do assunto, e segurança de alguém que não fala da boca pra fora realmente será um forte candidato para merecer o suado voto popular. Os tempos mudaram, e não é uma conversa mole ou um jingle bacana que vai conquistar o voto do povo. Que venham as propostas! E com muita convicção!

PS: Esses são apenas alguns dos assuntos mais lembrados que servem de plataforma para propostas centrais de campanha, não representando, pois, a totalidade das necessidades de uma cidade como Natal.

5 comentários

  • Cilzete : -

    Muito boa essa matéria , fez com que eu tivesse muito cuidado ao escolher meu futuro prefeito

  • Carolina Amaral : -

    Wintemberg Rodrigues, achei muito boa a matéria e espero que alguns leitores e eleitores leiam e reflitam sobre a importância da escolha que fazermos - haja visto que quando votamos não estamos fazendo uma escolha individual, estamos fazendo uma escolha que vai interferir na vida do coletivo. Precisamos realmente conhecer, estudar e analisar os candidatos /seu passado, sua trajetória política - podemos até errar, mas erraremos menos ou melhor , erraremos tentando acertar. Carolina

  • Win Rodrigues : -

    Realmente é preciso ter cuidado na escolha, pois embora não exista o candidato perfeito, mas existem os melhores, e as vezes as pessoas não sabem avaliar de forma significativa quem merece o cargo.

    Um ponto importante que ficou claro é que essa idéia de candidato para defender apenas esporte, apenas educação, apenas um bairro, apenas uma profissão, isso está ultrapassado. Precisamos mesmo de candidatos que defendam as necessidades gerais da cidade. Porque suponha que temos 100 candidatos, desses 100 imagine que teremos 40% defendendo o esporte, 30% defendendo a educação, 20% defendendo a saúde, 10% defendendo cultura e lazer, pronto. E as demais áreas? Quem vai garantir que serão consideradas por essas candidatos exclusivistas e tendenciosos? A verdade é que não deve existir candidato de nicho político, mas sim candidatos preparados para lutar por todas as necessidades da cidade, ou seja, candidatos polivalentes que vêem a cidade como um todo e não apenas uma meia dúzia de projetos para uma meia dúzia de causas.

    Os candidatos dão pistas através das quais podemos avaliar se eles realmente têm compromisso com uma gestão coerente para a melhoria da cidade ou se querem apenas um emprego com alto salário para manter um padrão de vida e desfrutar do poder. Cabe ao cidadão começar a gostar do horário eleitoral e ser mais esperto que os espertos que querem ganhar seu voto sem firmar um compromisso realmente convincente.

  • Arthur Ribeiro : -

    Ótima matéria.
    Sugiro alguns pontos em especial que devemos cobrar dos candidatos:
    - Aumentar o tempo que as crianças ficam na escola, não apenas em aulas do ensino formal, mas em atividades culturais, ensino técnico, esportes. Isso é urgente.
    - Em recente matéria na revista Veja, mostrou-se que os professores tem uma freqüência de faltas muito grande na rede pública. Esse ponto tem que ser combatido com mais rigor administrativo.
    - Os postos de saúde não funcionam a contento, e essa é a causa da superlotação dos hospitais públicos. É necessário que haja pronto-atendimento de casos de baixa complexidade nos postos. Se não 24h, pelo menos na plenitude do horário comercial.

  • Win Rodrigues : -

    Dr. Ribeiro,

    Ótimas observações. Como deixei bem claro, abordei apenas alguns dos pontos principais. É claro que um projeto realmente interessante vai contemplar tudo nos mínimos detalhes. A questão é que precisamos de um prefeito de visão, que não olhe demais para um assunto, mas que saiba contemplar todas as necessidades da cidade e ter pulso para fazer acontecer.

    A idéia de maior envolvimento dos alunos é interessante, pois tornando-os mais ocupados em coisas produtivas teremos alunos mais responsáveis, exercitando continuamente a disciplina. Por isso a idéia de investirmos em esporte, o que praticamente não existe nas escolas públicas. Além disso, claro que cursos de música, com a criação de orquestras da escola pública, incentivando os alunos ao contato com a música clássica. As vezes, não falta boa vontade, falta mesmo é visão, e pela falta de visão muitos políticos ficam com a imagem prejudicada, pois pensavam que fizeram muito quando fizeram muito pouco porque subestimaram a necessidade da cidade e não se espelharam em projetos existentes em nações desenvolvidas.

    A questão da freqüência dos professores está associada à situação da escola pública. O setor de RH cuida do equilíbrio dos funcionários, incentivando-os, treinando-os. A luta por melhores salários deve continuar. O professor deve ganhar bem para poder trabalhar bem. É toda uma atmosfera que está em questão. Melhorando a educação, tudo isso deve ser considerado. Isso não é apenas uma luta pela educação, mas uma luta para que o Brasil cresça e seja uma nação desenvolvida, enquanto subestimarmos a educação, estamos aceitando o subdesenvolvimento.

    Esse aspecto dos postos de saúde deve ser levado em conta, já que o Sr. é médico e está falando algo como profissional que vive o outro lado do caos na saúde, o lado do ponto de vista dos profissionais. Aliás, apenas um detalhe, mas que faz diferença no conjunto da obra. O pronto atendimento para casos de baixa complexidade deve existir, de fato. É uma idéia que vem ganhando força. Já existe candidato observando essa questão. Vamos ver se alguém vai ouvir os profissionais e sistematizar o atendimento na saúde, mas de forma inteligente que acabe com a superlotação.

    Nesse caso, é mais que possível atendimento 24h também para casos de baixa complexidade no mínimo em cada uma das quatro regiões de Natal.

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