Geração Florida
Olá, meu nome é Richard
Dá-me um só segundo
Deixa eu te mostrar meu mundo
Abaixo a aristocracia
Que há de errado na apostasia?
E o raiar da liberdade se via
Em jovens tão sorridentes
Imbuídos de aguardentes
Uma revolução acontecia
Finalmente se vê a aurora
O pior na noite ficou
A juventude de outrora
Com seus vãs preceitos passou
Acorda que o dia está claro como a vodka
Levanta-te e acalma a ressaca com água de côco
Ou vai dormir mais um pouco
Não tens prejuízo nenhum
Cirrose só dá nos fracos
No trânsito és exímio piloto
És forte que nem um touro
A gente junta teus cacos
Tua saúde é um tesouro
Vem e vê esta primavera
Cheio de flores o campo te espera
Tudo o que queres tens
Chega aí a casa é sua
Aquela com AIDS é tua
Mas basta usar preservativo
Queres mais incentivo?
Curte, bebe, cai, mas vê se não morre
Mas, se és covarde, então corre
Foi o mundo que a janela te abriu
E a liberdade chegou e te sorriu
Olha que lindos são os jovens
De ressaca felizes
Ainda inconscientes
Sem temer o inconseqüente
Estou satisfeito, dizem
Cambaleando se movem
Aquele grupo é de recém-formados médicos
Injustamente acusados de serem antiéticos
Oh, que geração feliz!
Na terra ou no mar
O lema é amar
Fazer loucuras no cruzeiro
Tudo o que compra o dinheiro
Se um dia uma vida se perdeu
Foi fatídico o que aconteceu
Mas cruzeiro universitário é tudo de bom
Etc, Bebida, dança, e muito som
Dizem obrigado papai
Que lhes ensinou o caminho da liberdade
Não os encheram de moralismo
Nem de sermões do cristianismo
O que importa é fazer o que quiser
Se alguém do grupo se opuser
Que vá fazer obra de caridade
O que vale é viver intensamente
Fazer o que o coração consente
Esta é a geração florida
Neta do movimento paz e amor
Sensualismo, cigarro e bebida
Ela é capaz de ir seja onde for
São futuros profissionais competentes
Mas não procure os serviços em dia de ressaca
Cuidado com a segunda-feira
Mas essa é uma geração maneira
Linda, descolada e inteligente
A emancipação moral chegou de repente
E sem temer o inconsequente
Bom é viver uma vida louca
E cheia de carnavais
Finalmente, já não somos os mesmos
E não vivemos
Como os nossos pais
Comente!
Veja mais artigos de Win Rodrigues
- Ensaio sobre administração pública e privada no Brasil - 6 de novembro de 2007
- Lidando com clientes difíceis - 5 de março de 2008
- O Sol e o vento - 13 de maio de 2009
- Na lanterninha da educação - 24 de setembro de 2007
- Grafites e diamantes; diamantes e zircônias - 3 de novembro de 2006

