Caçadores de concursos
Este artigo vai em homenagem aos meus amigos caçadores de concursos. Um deles foi aprovado em primeiro lugar para dois cargos diferentes (médio e superior) de uma mesma instituição numa mesma edição de concurso, contudo, continua a sua saga em busca de novas aprovações. Outro, já bem estabilizado num emprego público, continua sua busca de aprovação em um concurso agora para nível superior. Ainda outro continua colecionando concursos, já estando em sua segunda empresa pública para qual passou através de concurso. Os caçadores de concursos não dão trégüa. É isso aí!
Um “novo” hobby é cada vez mais praticado pelos jovens do Brasil, principalmente pelos universitários e recém-formados que saem da Universidade em busca do trinômio: bom salário, segurança e estabilidade.
Ser executivo de uma multinacional? Acredite, nem todo mundo quer (quer tenham ou não capacidade). Há quem queira sossego e estabilidade. Nada a ver com gráficos complexos e relatórios de vendas anuais de sucursais espalhadas pelo mundo, embora para alguns nada mais tranquilizador que gráficos e relatórios complexos que tragam boas notícias para a empresa. É uma calmante natural.
Mas, venhamos e convenhamos… embora as empresas públicas tenham seus limites em termos de salários, os benefícios em termo de segurança e estabilidade são bem em conta. Nas melhores empresas privadas do mundo pode-se pagar até 1 milhão de Reais por mês a um funcionário (e até mais que isso), o que seria eticamente inviável numa empresa pública, com cargos com tetos pré-estabelecidos. Não se passa daquele valor que a ministra e os ex-ministros do STF conhecem muito bem. Mas, contudo, todavia, entretanto, como dinheiro não é tudo e ambição demais é fogo no qual muitos se queimam, muitos preferem aquela estabilidade, ao invés da correria e incerteza do mercado de capitais. O cargo público é mais tolerante, passivo e paternalista. Como não é bom para o país que o número de desempregados cresça, há uma política de manter os empregados nos órgãos públicos, com índice de rotatividade muito baixo. Assim, fica como um dos grandes desafios para o governo desenvolver o potencial humano de forma que o paternalismo não mime os funcionários públicos, como acontece com alguns que não justificam seus salários. Para uma empresa, do ponto de vista administrativo, ter índice de rotatividade elevado não é bom. Sendo assim, esse diferencial presente nos órgãos públicos chama a atenção de muita gente que quer navegar na estabilidade da administração pública. Entram em ação os caçadores de concursos.
Juíz federal, promotor, analista legislativo, médico, etc… o governo absorve uma grande mão de obra. E jovens interessados por vagas nessas empresas estão mergulhando nos concursos públicos de forma surpreendente! São os caçadores de concurso público. Estão sempre atualizados acerca do próximo concurso. Muitos cruzam outros Estados só para realizarem uma prova e dizem frases de efeito do tipo “Natal, aí vou eu…”, “Fortaleza, me aguarde…”, “Brasília, estou chegando..”… é uma diversão.. um hobby.. um mandamento para muitos que buscam estabilidade e identificam-se com as empresas governamentais.
Nesse novo hobby também existe networking. As pessoas estão cada vez mais procurando se informar com outras pessoas acerca do próximo concurso, além do mais elas passam informações umas para as outras acerca de detalhes de determinado concurso. Qual é o próximo? São CDFs que não param quietos. Querem sempre apostar em novos concursos. Mas, os concursos públicos não atraem apenas os viciados em estudar. Muitos começam a apegar-se aos estudos e tomam gosto pela coisa, às vezes motivados por altos salários. Outros apenas fecham os olhos e depois vão ver no que deu. Ah, mas quando tem prova discursiva complica. Ou é ou não é. É por isso que tem gente que não gosta quando tem uma redação, outros já gostam, pois é uma forma de afunilar a área, às vezes lotada de gente tentando a sorte.
Pesquisas já mostram que apenas 10% dos caçadores de concursos realmente estudam. Os outros 90%? Não sei, devem estar numa praia agora, ou numa rede de balanço tirando uma soneca.
A verdade é que a arte de fazer concursos vai aos pouco sendo dominada por alguns. Existem até livros com dicas sobre o assunto. Já escreveram “A arte da guerra para concursos”? Não. Não sei como, pois cada vez mais novos militantes estão a postos ao combate!
Finalmente, fazer concurso também é uma atitude empreendedora, pois esse hobby exige tempo de estudos, horas de reflexão, muitos exercícios e boas estratégias. Portanto, se você está de olho em algum concurso, faça o orçamento do quanto você vai gastar em força de vontade, dedicação, tempo e dinheiro e trace as melhores estratégias. Pode ser que mais cedo ou mais tarde seu hobby se torne coisa séria! Aí é só alegria!
Então, todos a postos e boa caçada!
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Curitiba, aí vou eu…
kkkkkk
Contradições de nosso Brasil. Ao mesmo tempo que querem acabar com a farra no serviço público, cada vez mais aumenta o número de pessoas que desejam entrar nele.Ta certo que é um emprego seguro, mas, nao venham me dizer que os milhares de concurseiros nao sonham verdadeiramente em “assegurar” uma mamatazinha.
Parabéns ao amigo Wintemberg pelo excelente artigo! Sempre soubemos da sua grande desenvoltura e talento.
Um forte abraço.
Boa caçada, Sxistus! Não esqueça de levar casaco.
Luiz Fernando, você ressaltou o lado negativo de algumas empresas públicas, que existe, de fato. Muitas empresas públicas carecem de preparo e boa administração. Há pontos positivos e negativos a serem considerados, há empresas como Sebrae e Petrobrás que tem um Know-How de alto nível e funcionários bem treinados. Claro que mesmo essas empresas não são perfeitas, mas já fazem mais que muitas outras. São modelo de gestão, diga-se de passagem. Isso considerando o aspecto técnico. Não posso falar como é a gestão nos bastidores, pois também é preciso a preparação ética. Mas, ao menos podemos ver claramente que apresentam uma postura moderna de administração. Infelizmente, em outras empresas públicas há muitos problemas pela falta de treinamento do pessoal. Escolas e hospitais sofrem muito porque nem o governo faz realmente a parceria público privada para melhorar, nem privatiza subsidiando o atendimento para o cidadão e pagando à empresa o serviço prestado, nem melhora nada. Então, de fato, há aproveitadores, há falta de ética, há descaso da parte do governo, etc.. mas, também existem aquelas instituições que são modelo de gestão e nada melhor que um bom profissional para entrar com “sangue-novo” para melhorar os pontos negativos. Realmente, muitos sonham com uma segurança a mais, porque as empresas privadas já estão lotadas, com suas filosofias de just-in-time aplicada ao RH para desonerar o caixa. Os jovens, inconformados com a administração dura e desumana de muitas empresas (que podem admitir hoje e demitir amanhã com mais facilidade) buscam refúgio em concursos públicos. É preciso, sim, que o governo considere o preparo de seu pessoal em todas as instituições públicas, pague bem a todos, invista muito dinheiro para que todos os serviços públicos sejam de alta qualidade, colocando no patrimônio das empresas produtos novos e deixando os que tem 100 anos para irem à leilão, se for o caso. Resumindo, há como melhorar… é preciso os políticos que nós escolhemos terem um mínimo de inteligência e ousadia para gastarem por um padrão de primeiro mundo. Enquanto os políticos pensarem num padrão de terceiro mundo e o povo assinar em baixo, excerto em raras excessões, o país continuará com falhas típicas de terceiro mundo, ou seja, erros já superados há muito tempo pelos países desenvolvidos por serem considerados grosseiros. Aqui eles são normais. Vamos ver se futuramente isso melhora.
Ilueny, obrigado pela felicitação! Bons ventos para seus empreendimentos ali na UFRN!
Esse é o futuro do Brasil: 50% do povo dependendo do Estado através do Bolsa-Família e a outra metade através de empregos públicos.
Não há esperança para um país que adota tal concepção!
Lamentável!
João Saldanha, na verdade não é bem assim, claro. Mas, já que falou-se em números, então vamos para os números do Dieese, considerando apenas empresas públicas e privadas, em estimativa em mil pessoas, no mês de junho de 2007.
DF
Empresas privadas: 754 (81%)
Público: 170,8 (19%)
Total: 924,8 (100%)
SP
Privado: 4.983 (87%)
Público: 709 (13%)
TOTAL: 5.367 (100%)
PE
Privado: 594 (77,4%)
Público: 173 (22,6%)
TOTAL: 767 (100%)
Daí infere-se que no nordeste, onde não existem tantas empresas como São Paulo, a procura por concurso público é maior (22% em Pernambuco). No Distrito Federal ela também é muito relevante (19%). Mas, em São Paulo ela tem um nível bem menor, apenas 13%. Por que será? É óbvio que porque as ofertas de trabalho em São Paulo são elevadíssimas em comparação com o nordeste. Mas, O Distrito Federal se destaca em concurso público tanto quanto Pernambuco, porque é tradição em brasília, uma cidade tipicamente política voltada para administração pública, com muitas ofertas de concurso.
Então, podemos inferir que para que diminua-se a procura por concursos públicos deve haver maior oferta de trabalho por parte das empresas privadas. Mesmo assim, a administração pública precisa de mão de obra qualificada: administradores, médicos, engenheiros, etc.. Optar por fazer um concurso público não é, nem de longe, comparável a bolsa família. É a necessidade do Estado. Senão, o país estaria pior estagnado e inoperante, pois grande parte dos clientes do setor privado é oriunda de pessoas que trabalham no setor público. É a movimentação da economia.
Para que haja uma procura menor por emprego público é preciso uma oferta maior no setor privado. Mas, como o setor privado no nordeste não é tão grande em número como em São Paulo, o concurso público é muito valorizado por aqui. Porque o setor privado não absorve toda a mão de obra. Claro que há outras razões como estabilidade, etc. Mas, muitas empresas privadas oferecem excelentes condições de desenvolvimento profissional. Acontece que elas nem sempre precisam contratar. A administração pública brasileira sempre está precisando contratar por diversas razões: tamanho (o Brasil é muito grande, consequentemente as necessidades de mão de obra na administração pública), rotatividade (pessoas que deixam o emprego por outro) e aposentadoria.
Então, a administração pública não é tão empregadora assim como se pensa, pois nem mesmo em Pernambuco ou Distrito Federal observamos sequer 25% de cargos ocupados no setor público comparativamente às empresas privadas.
A questão é que bolsa família é uma coisa e concurso público é outra completamente diferente. O governo precisa de mão de obra. Se as pessoas optam por trabalhar no governo, ótimo. É um caminho. Mas, está muito longe de 50% do Brasil seguir esse caminho. Nem todos são caçadores de concurso público. Trata-se apenas de uma parcela da sociedade. É um contrato ganha-ganha, profissional. Sobre depender.. até o empresário depende de seus clientes. A dependência é uma marca registrada de qualquer sociedade. Isso também está fora de cogitação.
Então, há esperança sim para o Brasil, com o governo e as empresas privadas contratando, todos dependentes um do outro. O que gera problema não é o emprego, mas sim o desemprego. E o governo contratando beneficia as próprias empresas privadas e por tabela faz a economia funcionar. É claro que não contratando mais do que necessita o que seria contraproducente, mas como o Estado é grande, as contratações também são grandes em número, o que leva muita gente a acreditar que existe contratação excessiva.
Em tempos de acesso democrático aos empregos e cargos públicos, nosso Congresso Nacional em conduta absolutamente mesquinha, busca efetivar nos empregos públicos mais de 300.000 empregados que ingressaram no serviço público brasileiro pós Constituição de 1988. Trata-se de um absurdo e de um menoscabo ao povo brasileiro. Precisa de um basta este TREM DA ALEGRIA.
Concordo com o que voce falou sobre o emprego público,Wintemberg.Na teoria é pra ser assim,mas,na prática sabemos que não é! e foi exatamente aí a minha crítica,tanto para o governo que pensa em acabar com as “mordomias” do serviço público,quanto a população em geral que, ao adentrar em um emprego público mantém a máxima de lentidão,burocracia e descaso em geral.Por isso, é difícil acreditar no desenvolvimento do país.
Dois fatores importantes a serem mencionados são:
1- Nosso sistema educacional que inibe a criatividade
2- Taxa tributária exorbitante e de pouco retorno social.
A consequência do primeiro fator é a inibição de nossa capacacidade de empreender. Não que exista um sistema educacional perfeito, mas o modo como somos educados impõe uma cultura de não arriscar, de seguir um trilha pronta e segura, algo que para um empreendedor deve ser controlado e até eliminado. Empreender, como muitas coisas na vida, envolvem riscos. Mas para grandes conquistas, grandes riscos não é mesmo?
O segundo fator é um dos maiores gargalos de nossa economia: para criar e manter uma empresa paga-se muito caro, ao governo. Não é nada fácil dar um bom salário a um empregado, quando se pagam impostos sobre impostos. Detalhe, as empresas não veêm nenhum retorno disso, principalmente as pequenas e médias. Logo, evita-se contratar pessoas legalmente, e inibi-se a elevação salarial.
Não seria mais proveitoso impulsionar a economia com uma reforma tributária decente, que estimulam-se contratações no setor privado, e melhorias salariais?
De uma forma ou de outra, o governo necessita de mão-de-obra qualificada e bem remunerada pra desempenhar suas funções administrativas. Claro que existem muitos funcionários que desempenham suas funções abaixo das expectativas. Principalmente os estatutários. Mas existem diversos órgãos exemplos de ótimos funcionários (principalmente as empresas públicas que contratam sob normas da CLT) como a Petrobrás, por exemplo.
Sena, acerca do trem da alegria é um desrespeito pessoas entrarem efetivamente no quadro de funcionários de uma empresa pública sem concurso público, hoje, depois da Constituição de 88. No caso em questão, segundo informa a folha de são paulo, trata-se de funcionários que entraram entre 83 e 88, ou seja, antes da Constituição que obrigou o concurso público. Como o governo vai consertar isso? Fere o princípio da isonomia? O povo brasileiro não quer. O governo federal é contra. O presidente da câmara acha quase impossível aprovar.. e agora? É muito provável que esses funcionários não vão ser efetivados. Mas, alguma solução tem que ter. Que seja a melhor possível.
Pois é, Fernando, esse é o lado negativo das empresas públicas. Há organizações com excelência empresarial como a Petrobrás, mas, há outras com descaso empresarial, como hospitais e escolas. O que fazer? O governo deve procurar soluções pra isso. Por isso muitas empresas foram privatizadas. O Brasil não tem cultura de privatizar, pois o povo não gosta, mas as privatizações ajudaram na concorrência na indústria da telecomunicação. Há órgãos estratégicos que não devem ser privatizados, há outros que poderiam ser. Mas, se o governo não vai privatizar, então faça um negócio de qualidade. Não é o que a população está vendo. Há muitas coisas erradas e até aqui não se investiu o que o povo merece. Queremos serviço público de qualidade. E o governo poderia fazer um benchmarking da Petrobrás para os demais órgãos públicos, com excelência de gestão e muita exigência. Realmente, é preciso uma solução para essa parte doente das empresas públicas. E que seja já!
Martins, o sistema educacional brasileiro não educa os alunos para o alto padrão nem proporcionam aos alunos esse alto padrão. O governo historicamente parece ter pena de investir em educação de qualidade. Se ele fizer nas escolas estaduais e municipais o que faz nas federais, estará ótimo! Então, o governo fededal deve impor para os governo estaduais e municipais um padrão de excelência em estrutura e ensino para as escolas. Deve começar a tirar dinheiro do mensalão para repassar para a educação. Se tiveram coragem para roubar, muito melhor, e ético, é ter coragem para investirem em educação de qualidade. Não adianta o governo federal dizer: ah isso é coisa do governo estadual. Nada disso.. isso é coisa de todos. Vocês todos representam o Brasil, trabalhem unidos e em sintonia e harmonia pelo Brasil.
Acerca dos impostos, já existe o supersimples que, na teoria, alivia muito a dor do empresário.. mas entrou em vigor agora.. vamos ver no que vai dar e o que poderá ser melhorado. Por isso há complicações ainda. Vamos esperar e ver se dá pra melhorar isso.