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Win Rodrigues

Win Rodrigues - wintemberg@digi.com.br

Comentário Empreendedor

Win Rodrigues, 30, é administrador pela UFRN e escritor, autor do livro (teatro) Dr. Gänsehaut. Escreve, normalmente às quartas-feiras, sobre assuntos diversos sob a ótica do empreendedorismo. Twitter.

A teoria na prática

quarta-feira, 10/março/2010

A teoria é um lance muito bonito, cheio de lacinhos coloridos e tudo o mais que o romantismo pode oferecer. E quanto teóricos somos! Afinal, somos primeiramente teóricos, aprendemos o que fazer e como fazer. Então surge a situação e, cadê? Poxa, o que foi isso? Era pra fazer algo? Ficamos feito Pelé dando a bandeirada em Interlagos, quando olhou o primeiro lugar já estava longe. A verdade é que teoria não garante prática e quero dizer com isso que a teorizar é muito bonito, mas depois devemos arregaçar as mangas e suar a camisa, mas é fácil preferir o ar condicionado da teoria ao sol causticante da prática. Não raras vezes o que é esquecido é que entre a teoria e a prática há uma ponte chamada: atitude.

Teorizar faz parte da vida do ser humano. Todo mundo sabe o que deve ser feito e como deve ser feito, mas na hora de fazer, nada! Somos teóricos demais, porque ser teórico é suave, é algo que até pode ser feito de cabeça, como somar dois números de uma casa decimal. Podemos teorizar tudo e fazer tudo ao contrário. Alguém pode saber exatamente o certo, e fazer exatamente o oposto. Isso porque a idéia que está no intelecto deve se repetir no coração, mas quando fica somente no intelecto, na imaginação, na fria e gélida imaginação, então não passamos da mera teoria. Aprendemos o que fazer e como fazer. Mas é preciso muito mais que teoria para conseguirmos realizar.

A teoria não garante a prática. Isso mesmo, esse plano que você fez, essa idéia rabiscada no papel, essas promessas no início do ano, nada está garantido só porque você sabe exatamente o que fazer. E por quê? Pelas mesmas razões porque alguém pode saber como saltar de um pára-quedas a milhares de metros de altura, mas não ter condição emocional para isso. Isso mesmo, a teoria precisa de emoção para se transformar em prática. É preciso mais que saber e querer fazer. É preciso mais que lenhas secas para criar o fogo. É preciso o calor, é preciso o próprio fogo. Teoria é a lenha seca; prática é o fogo.

O que muitos de nós esquecemos é que há um hiato entre teoria e prática. Sim, um vazio a ser preenchido, uma folha em branco a ser escrita. Mas esse espaço em branco é lamentavelmente esquecido, como se não existisse. Então, fazemos nossos planos e imaginamos que isso basta. Então, traçamos nossas idéias e pensamos: é só isso. Não. Você traçou a idéia, mas a idéia está inativa. Ative-a. “E como?”, pergunta a leitora curiosa. Não se preocupem, revelar-vos-ei, mas não sem antes fazer uma peculiar analogia. Imaginem que existem vulcões no mundo. Alguns em atividade e outros extintos. Um vulcão extinto seria símbolo de uma pessoa apenas teórica. Um vulcão em atividade seria símbolo de uma pessoa que tem a teoria e a prática. Estamos falando de saber o que fazer, como fazer e sentir uma forte emoção para agir agora em prol do que precisa ser feito. O vulcão frio, extinto e esquecido é agora apenas um monte. Mas o vulcão ativo está vivo e tem atividades dentro de si; é a própria ciência em ação. Ele lança suas lavas e fertiliza o seu entorno, dá vida aos solos das fazendas. Que deixemos de lado a frieza do vulcão extinto e usemos as quentes lavas do vulcão em erupção para construir uma vida ativa onde estivermos, sendo práticos em fazer o bem. Assim, sendo pessoas não somente teóricas, mas também práticas, poderemos contribuir para resultados reais em nossa vida pessoal, no trabalho, na família, na sociedade ou onde quer que estejamos. Porque uma atitude vale mais que mil palavras.

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