. .
Diginet
Tatiana Lima

Tatiana Lima - tatianalima@digizap.com.br

Cinema com Café

Tatiana Lima, 27 anos, é apaixonada por cinema...

Uma animação e o embate Denzel X Crowe

quinta-feira, 31/janeiro/2008

Cartaz de PersépolisHá exatamente um mês, na retrospectiva de 2007, falei de uma animação francesa baseada em quadrinhos que chegaria aqui no início deste ano: Persépolis. O filme está concorrendo ao Oscar de melhor longa de animação e já arrebatou o Prêmio do Júri em Cannes e do Público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, como melhor longa estrangeiro.

Mas o que essa animação tem de tão especial, que agrada a público e crítica? Persépolis é autobiográfico, baseado nos quadrinhos criados pela própria personagem principal, Marjane Satrapi. A história contada por Marji, além acompanhar seu crescimento e passagem para a vida adulta, retrata, por tabela, a história do Irã. Quando pequena, a história do país é contada didaticamente, pelos pais, tios e pela sua avó; depois, por ela mesma, e a partir daí passa a ser um retrato da condição do jovem e na mulher no Irã.

Mas não pense que o filme é tão-somente uma aula de história. A comédia é a marca da primeira parte, em que Marji fala de suas memórias infantis. O filme aí oscila entre as travessuras da menina e as noções de repressão que ela absorve por conta do regime do Xá. E nem por isso deixa de haver comédia – o passado é retratado como um daqueles livrinhos de criança com cenários em papelão que se sobrepõem. As negociações entre os ingleses e o Imperador iraniano ganham uma encenação de teatro de fantoches, como se tudo não passasse disso, na realidade.
Marji e as fanáticas
Como ela mesma diz, Marji é uma menina comum, que gosta de batatas fritas com ketchup e de Bruce Lee, mas que sonha em se tornar a última profetisa da galáxia. Mais na frente, quando Marji tem que se mudar para a Áustria por causa da Revolução, o filme ganha um contorno mais sério, pela temática, mas não menos atraente. A direção, da própria Marjane e de Vincent Paronnaud, foi fiel aos quadrinhos, com desenhos arredondados e sem aquele falso glamour do 3-D; a animação é muito agradável aos olhos. Mas o que mais chama a atenção nesse filme é o choque entre a religião e a vida mundana bem expresso na primeira sentença deste parágrafo.

Persépolis é competente em desmistificar a imagem do Irã como um país dominado por fanáticos religiosos e em mostrar, através do crescimento de Marji e das conversas com a avó e com a mãe, que suas experiências e ansiedades são comuns às de qualquer mulher do mundo. A avó é responsável pelas melhores falas do filme, especialmente porque é a personagem mais predisposta a quebrar tabus sociais.
Marji e a avó
Como atrativo, as vozes das atrizes Chiara Mastroianni e Catherine Deneuve (mãe e filha) como Marjane e sua mãe, no som da versão original da animação. Até a voz da avó de Marji é feita por Danielle Darrieux, que já foi mãe de Deneuve em uma película francesa. Mais uma contribuição para que Persépolis se tornasse um filme intimista e sensível, bem como Marjane imaginou sua história para os quadrinhos.

***

Denzel X CroweO que é um “filme de gângster”? Eu me peguei pensando nessa definição depois de assistir a O Gângster, em cartaz atualmente em Natal. Imediatamente me remeto aos filmes do tipo Os Bons Companheiros ou Cassino. Histórias de homens que arriscam tudo para ganhar muito dinheiro com atividades ilícitas, se reunindo em famílias mafiosas ou construindo por conta própria uma carreira no crime. O Gângster faz parte da segunda subespécie, dos homens que “se fazem”, de acordo com minha pseudodefinição.

A história é baseada em fatos reais e conta a história de Frank Lucas, que no início dos anos setenta conseguiu criar um eficiente esquema de transporte de heroína para os Estados Unidos, direto da Tailândia, em aviões militares.

Mas o que vale a menção, além do bom roteiro, é a ótima direção de arte – os carros, prédios e roupas dos anos setenta perfeitamente caracterizados - e, pasmem, a atuação de Russel Crowe. Nunca imaginei que fosse recomendar um filme pela atuação de Crowe em detrimento da de Denzel, mas foi assim que me senti ao terminar de ver a película. Um é o contraponto do outro, bandido e polícia, mas desta vez a polícia está melhor na fita.

5 comentários

  • Rodrigo Levino : -

    isso pq voce nao viu crown em os indomaveis…

  • Michelle : -

    Ainda nao assisti Persépolis mas é impressionante como um filme que se passa no Irã pode ter cenas de comédia… mas isso é uma amostra de como os jornais nos influenciam, pois só chega aos nosso olhos a impressão de repressao e violencia iranianas, principalmente contra as mulheres… é bom existir filmes como esse que retratem que as pessoas, de modo geral, seja o lugar do mundo em que vivem, tem os mesmos medos e anseios… mas ainda to esperando seu comentario sobre A Desconhecida e Ps. eu te amo… sera que não merecem a sua crítica? um xero e parabéns pela coluna!

  • José : -

    Cara Michele, será que não é o filme que foi “montado” para desmistificar a crueldade dos terroristas e a falta de humanidade de alguns cidaddãos que seguem o Islã. Com certeza, a maioria deles deve ser gente comum, que somente quer o bem de seu povo, mas os ensinamentos e doutrinas desde a infância facilitam a construção de pessoas que acreditam na violência como solução, principalmente contra os inocentes, contra o povo dos países inimigos, e não contra os maus empresários e maus políticos dos paises que estão “sugando” o planeta terra e “matando” milhões de inocentes de fome e violência, principalmente na África. Sinceramente não vejo distinção, entre quem destroi as torres gêmeas e quem mata de fome ou guerras provocadas (Para ganhar mais dinheiro) as nossas almas gêmeas dos irmãos africanos, das crianças de rua, dos velhinhos aposentados desse país e tantos outros que sofrem tanto, e sua única esperança está em DEUS.

    Parabens pela coluna Tatiana e obrigado pelas dicas.

  • Michelle : -

    Prezado José, qdo falei “é impressionante como um filme que se passa no Irã pode ter cenas de comédia… mas isso é uma amostra de como os jornais nos influenciam, pois só chega aos nosso olhos a impressão de repressao e violencia iranianas (….)” quis apenas destacar que NEM TODOS os iranianos são terroristas e cruéis, assim como nem todos os americanos são liberais e valentes, nem todas as brasileiras tem um bundao e sambam bem etc… que estereotipamos as pessoas sem antes realmente conhece-las e isso nada mais é que uma forma de preconceito… que filmes que abordam os medos e desejos humanos sao validos para mostrar que no fundo todos temem e querem as mesmas coisas….enfim, que o mundo esta repleto de pessoas boas e ruins, por todos os lugares… somente isso.

    ps.: obrigada pelo comentario de ps Tati:) e nao achei Persepolis nem Desejo e Reparaçao na locadora… onde vc alugou?

  • Michelle : -

    Tati, quando li seu comentario sobre Persepolis ainda nao havia assistido a pelicula, entao tive a falsa impressao ou interpretaçao de que filme iria desmistificar um pouco a repressao e violencia vivida no Irã…tao mostrada e ressaltada pela mídia… Apesar do formato em desenho, o filme contem cenas de tristeza e revolta contra a violencia, repressao e perdas sofridas por Marji… ao meu ver, muito impactantes para uma criança… Sem duvida, Marji sofreu muito, assim como outros personagens que viveram no Irã, mormente durante a Revoluçao Islamica, mas acho que isso nao justifica determinados comportamentos dela…entao nao seria uma boa influencia para as crianças:P Porem, traz grandes liçoes nas falas da avó de Marji, uma personagem admirável por sua sabedoria e franqueza… So para finalizar, o filme nao minimizou a imagem que tenho do Irã, ao contrario, so enfatizou o horror que seus habitantes viveram, mas o nosso país tbm teve suas epocas de ditadura ne? xero Mi

Comente!

Veja mais artigos de Tatiana Lima