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Rilder Medeiros

Rilder Medeiros - rilder@oficinadanoticia.com.br

Rilder Medeiros

Jornalista, palestrante e consultor em comunicação e marketing.

Uma paixão e uma profissão

terça-feira, 17/janeiro/2006

Fui abordado hoje por uma adolescente que acabara de passar no vestibular para jornalismo. Exultando de alegria pela difícil conquista, ela me perguntou o que eu achava da profissão. Minha resposta foi rápida e boba. Se você pensa em um dia ficar rica, desista – foi o que respondi. Mas como tenho a mania da reflexão, as palavras que saíram da minha boca ficaram ecoando por horas em meu juízo.

O pequeno diálogo com aquela moça, insegura sobre seu futuro profissional, fez-me pensar sobre as razões das minhas próprias escolhas. E cheguei a pelo menos uma conclusão: não foi pra ficar rico que escolhi o jornalismo.

Hoje, anos depois da opção profissional que fiz, e já um pouco distante dela, consigo enxergar com muita clareza que a minha escolha foi movida por algo tão magnífico quanto a própria vida. Escolhi o jornalismo porque tinha paixão.

No segundo ano na universidade, entrevistado para um jornal do Campus, disse que queria mudar o mundo, quando o repórter perguntou-me sobre meu sonho. Era esse o meu sonho e eu acreditava que poderia torná-lo realidade através do jornalismo, travando batalhas diárias contra tudo que considerava errado e usando como armas minha caneta e um bloco de papel.

É curioso como a gente quase nunca pensa sobre as reais razões que nos motivam a tomar certas decisões na vida. Apaixonado e jornalista romântico, usei muito mais que canetas e papéis na tentativa de tornar sonhos em realidade. Usei a voz. Usei meu corpo. Usei meu tesão. Usei minha alma.

Da passagem pelo jornalismo, carrego comigo excelentes histórias - de personagens fantásticos. De tudo que fiz, o que mais me deixou apaixonado foi o jornalismo comunitário. Com simples reportagens, conseguíamos, surpreendentemente, transformar a vida de pessoas. Desse jornalismo, coleciono lembranças inesquecíveis.

Mas depois de passar quinze anos trabalhando em diversas funções e em diferentes redações, foi que pude enxergar de forma muito límpida que a paixão de querer transformar as coisas pra melhor continuava viva e não precisava ficar restrita à prática do jornalismo - mesmo o comunitário.
Num daqueles dias, quando as barreiras nos parecem intransponíveis e quando a frustração quer vencer as expectativas, tive a felicidade de encontrar alguém que me falou algo extremamente marcante: se queres mudar o mundo, comece mudando você, sua casa, mudando sua rua, seu bairro, sua cidade.

Embora tenha metas e sonhos definidos, tento viver hoje um dia de cada vez. Tento tirar de cada segundo o que de melhor ele pode nos oferecer, o que nem sempre significa alegria e paz. No dia em que não tiver um motivo apaixonante pra levantar da cama, quero continuar dormindo.

E sobre minha relação com o jornalismo, da próxima vez que me perguntarem sobre a profissão, tentarei responder com outra pergunta: qual a sua paixão e qual o seu sonho? Talvez isso seja mais importante!

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