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Patrício Júnior

Patrício Júnior - pittjr7@gmail.com

Crônico

Patrício Jr. nasceu em Natal em 1979. Escritor, jornalista e publicitário, publicou seu romance de estréia "Lítio" em 2005. Escreve também no PLOG.

Intrigas de Estado: jornalismo pra quê?

quarta-feira, 17/junho/2009

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De um lado, um jornalista experiente de um dos maiores jornais do mundo. Do outro, uma jovem blogueira responsável pelo braço on-line do jornal. No centro, um escândalo que envolve um promissor senador da república. Na tela, a crua diferença entre o jornalismo responsável e o jornalismo banal. Crua a ponto de você sentir saudades da época em que comentários eram cartas e audiência eram edições vendidas. Esse é um resumo de “Intrigas de Estado”, que coloca Russel Crowe, Ben Affleck, Helen Mirren e Rachel McAdams num longa que tem gostinho de Oscar. De melhor filme.

A trama de “Intrigas de Estado” começa com dois crimes aparentemente sem relação. De um lado da cidade, um sem-teto é assassinado entre latas de lixo. Do outro, a assessora de um senador morre no metrô. Aos poucos, a investigação da imprensa liga esses dois crimes e aponta para uma grande conspiração envolvendo senadores, empresas e o Departamento de Defesa. Uma verdadeira bola de neve que desaba completamente na mesa dos dois jornalistas em questão.

A grande trama do filme, porém, é outra. Esta, muito mais burilada. O filme trata do fim do grande jornalismo com a chegada da internet. E vemos, ao longo de muitas reviravoltas de tirar o fôlego, a luta do personagem de Russel Crowe em não sucumbir à notícia fácil dos blogs e apurar a verdade até o fim. Até chegar ao supra-sumo da verdade.

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Coincidência ou não, esta semana Gay Talese, grande nome do new journalism, deu uma entrevista à Veja em que fala um pouco sobre essa nova realidade da imprensa. Segundo ele, a internet tende a reduzir nossa visão de mundo ao responder diretamente nossas questões sem dar margem ao acaso. Não é um panorama a ser ignorado. E o filme trata dessa questão de uma forma muito inteligente: o que poderia ser apenas um crime sem importância, perdido entre as centenas de atualizações diárias de um portal jornalístico, acaba se revelando o furo jornalístico do ano. Tudo porque um profissional se empenha em fazer algo cada vez mais raro hoje em dia nas redações: apurar o fato.

O filme não puxa o lado pro jornalismo antigo, nem defende o jornalismo on-line. Apenas nos mostra uma realidade: na internet, não há grandes reportagens; ao passo que nos jornais impressos está cada vez mais difícil fazer esse tipo de trabalho. Uma fala da editora do jornal, interpretada grandiosamente por Helen Mirren, explica essa controvérsia: “Isso é uma notícia; o desmentido disso é outra notícia; a repercussão do desmentido é mais uma notícia; e tudo isso significa milhões de edições vendidas”. Ao contrário do que se possa imaginar, Helen Mirren não interpreta uma vilã. É apenas uma editora desesperada por manter um negócio que não se mostra mais lucrativo. Uma dura realidade global.

“Intrigas de Estado” é muito mais que um filme de suspense e ação. Mas se você quer apenas um filme de suspense e ação, ele cumpre perfeitamente o papel. Tem seqüências de tirar o fôlego, reviravoltas impressionantes e um roteiro muito bem amarrado. Se depois do filme você quiser pensar um pouquinho, vai perceber que a cena inicial casa perfeitamente com a cena final. E o filme poderia se resumir a estas duas cenas: não fosse um jornalista que resolveu cumprir seu dever de apurar a verdade.

8 comentários

  • Felipe : -

    Muito interessante esse filme!

    A internet é o monstro que atormenta alguns jornalistas. Ela dá margem ao diálogo. Um PERIGO!

  • Susy : -

    Viadagem e xixi sentado no vaso. Só dá isso aqui, amigos. Alguém tem dúvida disso? E ainda diz ter gente que se orgulha disso (deles), é o mesmo que dizer…Sou pobre, mas sou feliz. Como pode passar a noite com os filhos chorando sem ter o que comer e abrir a boca pra falar isso?

    Entenderam…Ô inteligentes de merda! Tô pagando 1 real no diploma de vcs KKKKKKKKKKKKK

  • X-Ray : -

    Diploma pra quê?

    Um jornalísta pode operar uma cabeça? Um AVC por ex?
    Um jornalísta pode postular em juízo?
    Um jornalísta pode fazer uma contabilidade?

    O Supremo Tribunal Federal disse que NÃO!

    Qualquer pessoa pode dar uma notícia, sim! E se essa notícia for ruim?…Ai é que dá mesmo!

    Só não gostei da comparação que os senhores Minístros fizeram entre jornalístas, costureiras e bordadeiras. Acho que costurar e bordar, coisas de mulheres e vivi, são difíceis de fazer e precisa sim, de formação, aprendizado.

    SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL QUEM DISSE, OK? Vão pegar com eles lá, certo? Estou apenas passando a informação de “qualidade”, ou vcs não entenderam o que eu disse aqui? kkkk

    Estão corretíssimos os Senhores Minístros!

  • Thereza Raquel : -

    em q locadora eu consigo esse filme?

  • Suzy : -

    Só retificando o que o jornalista Geider quis dizer ontem no jornal. E vez de “Superior Tribunal de Justiça” entenda-se “Supremo Tribunal Federal”.

    A informação foi dada sem qualidade, ok? Quando o apresentador entrevistava a Presidente do conselho de vcs. Por falar nisso…Vocês viram? Ela estava de chinelos. Aí não rola né baby? Como querIAM respeito?

    Estou habilitada! Sim! Para se cozinhar precisa-se de um curso,
    né?

    Agora POF Suzy! kkkkk Cai na real!

  • Eduardo : -

    A hora está chegando: um quinto poder (Executivo, Legislativo, Judiciário e um braço que as vezes excede: Ministério Público) que é a Imprensa. Viva a Imprensa. Ruim com ela, pior sem ela!

  • Eduardo : -

    Gostei da comparação de jornalistas, bordadeiras e costureiras, sobretudo essa do Gilmar Mendes: “Um excelente chef de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.

  • Intrigas de Estado: jornalismo pra quê? Por Patrício Junior « Em Tempo – Um periscópio de pontos de vistas : -

    [...] Fonte: http://colunas.digi.com.br/patricio/intrigas-de-estado-jornalismo-pra-que/. [...]

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