Então é Natal
Ah, cidade do sol, tu não sabes o que fazes. Amo tua praia, teu sol, teu mar. Amo esse calor que dá orgulho quando dizem “sua cidade é linda”. Mas por que, Natal, por que tens que ser apenas a bela? Já ensinaram que beleza não põe mesa – o que em outras linhas significa que a beleza por si só é frágil, não segura um casamento, até a mais bela das belas é traída quando se resume a isso. Ah, Natal, tu não aprendes mesmo.
Escrevo-te, minha amada cidade, porque mais uma vez és vítima do teu próprio esplendor. Este mês, sem que percebas, perdes dois de teus encantos. Lá se vão de ti a Limbo Livros Selecionados e o Velvet Café & Música. Tu sentes estas perdas, noiva do sol? Este filho tão fiel crê que não.
A Limbo Livros Selecionados é ainda, mas por pouco tempo, uma pequena livraria na Afonso Penna. Pequena se medirmos a importância das coisas com trena. Porque o que torna esse fechamento uma mácula aos teus encantos, minha cidade, é que se trata de uma livraria sem livros de auto-ajuda, DVDs infantis, nem outros truques para pegar desprevenidos os que não são leitores – mas sim consumistas. Na Limbo tem, mas agora por muito pouco tempo, livros que não se encontram em nenhum lugar da cidade. Faz nem duas semanas, me deparei com “Contos Completos” de Virginia Woolf. Uma livraria que prima pela qualidade do seu estoque, que não está interessada apenas em vender, que é um reduto a quem passa longe da seção dos mais vendidos. Vai fechar.
Já o Velvet Café & Música se vai e deixa órfãos uns tantos amantes da boa música. Começou como uma loja de discos pequena, no centro da cidade, direcionada a quem não se deixava levar pelos sucessos da Estação Globo. Mudou-se para a Hermes da Fonseca, onde se podia encontrar coisas que dificilmente estariam nas Lojas Americanas. Lembro que foi lá que comprei meu primeiro CD de Fiona Apple. Recentemente, passou por uma reforma, virou um café, um ponto de encontro a quem estava tentando ir além das micaretas e dos terreiros da vila. Mas Natal, tu és um lugar-comum. E o que foge disso inevitavelmente encontra a inglória recompensa dos rebeldes. O Velvet também vai fechar .
Mulher vaidosa, envolta em estéticas, tão preocupada com a própria aparência, não percebes que sofres do oco dos fúteis. Não notas, capital espacial do Brasil, que não há como sobreviver apenas com os encantos de tuas filhas seminuas e dos teus imóveis a peso de euro? Natal, como eu te amo. E, no entanto, devolves meu amor assim. Dizendo-me claramente que não adianta fugir do que és: apenas e tão-somente uma cidade bonita.
O fim da Limbo Livros Selecionados e do Velvet Café & Música é mais um número para uma estatística tipicamente natalense. Quantos oásis teus filhos já viram nascer e morrer, Natal! Quantas tentativas de fazer de ti algo mais que um morro careca ladeado de enseadas, minha cidade, foram dar com o desinteresse de um povo que quer mais isso mesmo: uma província. Por maior que seja, uma província.
E quando digo isso, me abstraio do fato de ser freqüentador dos dois lugares - e até mesmo amigos dos donos da Limbo. Essas perdas representam um retrocesso a mais numa cidade com complexo de província. Em poucos anos, seremos uma metrópole. Mais de um milhão de habitantes, com um dos metros quadrados mais caros do país, destino turístico quase obrigatório para quem visita o Brasil. Mas nunca deixaremos de ser uma província. E não pela tranqüilidade das ruas, e não pela hospitalidade típica dos provincianos, e não pelo charme quase caipira que as cidadelas oferecem. Seremos sempre uma província porque tu, Natal, não consegues enxergar além de tuas próprias belezas. E todos nós, filhos teus, concordando ou não, estamos condenados a afundar nas lamas dos teus mangues. Ah, Natal, não sabes o que fazes.
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Disse tudo Patrício, Natal é província sempre, de um povo que adere à modinha e só. É triste, muito triste…
agora, o título desse texo me remeteu à música chatíssima da Simone, vim ler desinteressadissima… e me surpreendi.
pode crer…so na limbo encontrei o diario da turma…a historia doi rock em brasilia…aexandre
Já perturbei muito Marcelo lá na Velvet depois da aula. É uma pena que está fechando.
Pois é meu caro Patrício,as luz que ilumina a beleza do Nata em Natal não consegue omitir as trevas gritantes de uma cidade provinciana pouco perocupada com sua cultura…
Esta coluna deve passar dos 100 comentários.
A verdade é que o povo de Natal não tem cultura.Só gosta de forró e som alto nas ruas.Não que eu tenha alguma coisa contra,mas ficar ouvindo uns Solteiros do forró,os mangas do ferro,forro num sei que…me perdoe.
Um belo forró,também faz parte da cultura,mas esse o povo já esuqeceu.Perguntei para uma amiga se ela sabia quem era luiz gonzaga.Ela não sabia cantar uma música dele.
Fizeram uma pesquisa em natal e a maioria dos natalenses nunca foram ao teatro.Nunca foram num sebo,casa da ribeira??? não sabem o que é isso.
Meu professor de administração disse: Natal vive de moda.
Preste atenção a quantidade de lojas que abrem e fecham nos shoping.
Gente!! tem lugar melhor que a cervejaria continental? e nunca dá certo nada lá.
Mas a rua so salsa esta cheio..Muita gente boa.Mas acreditem,a maioria ali não tem nem o dinheiro para pegar o Ônibus para casa.
Lamento por tudo isso que escreveu Patricio.
Bom mesmo é vc entrar no hiper e ve aquele monte de livros de auto ajuda.Vamos esquecer o clássico.
Me desculpem.mas o povo burro esse de Natal.
olha que eu faço parte também.
Sem ofender ninguem,apenas um desabafo a favor da cultuta
Povo de natal,
VENHAM ME VISITAR!!!
Patrício e leitores que expuseram sua opiniões e frustrações, sou obrigada a concordar. E pensar que houve um tempo em que eu não trocaria esta cidade por nenhuma outra… Nos anos 80 fui fazer mestrado em Fpolis. Estudei, fiz amizades. Mas sempre achei que Natal era a minha cidade natal. Voltei em 95, finalmente, depois de tantas vezes prometer a mim mesma que um dia voltaria. Não demorou muito para que eu descobrisse que havia cometido um engano. Natal me deu um pé no traseiro, enquanto que Floripa, para minha surpresa, sempre me deu de bandeja elementos para que eu fosse bem sucedida. 12 anos em Natal… Nada aconteceu que me fizesse mudar de idéia, infelizmente. Mas estou consertando o erro e voltando pro lugar de onde nunca deveria ter saído. Natal continua linda e pelo menos superficialmente iluminada. Mas não é minha cidade natal. Talvez nunca tenha sido.
Não adianta reclamar.
O trinomio álcool, pick-up e forró alto é inabalável e não vai ruir nunca! É um pilar forte, mantido por uma sólida base de imbecilidade.
Mas é uma forma de diversão legitima, mesmo que não tenha lógica ou essência alguma. E quem disse que pra se divertir precisa-se de livros da velvet ou livros da limbo - cheios de essencia e com pouco forró?
É bela essa enterna dialética Nerds x Galados. Bela e instigante - me faz estudar Marx.
O mais curioso é que so os Nerds se revoltam a ponto de publicar criticas em espaços publicos.
Quando a maioria Galada se pronunciar… vai ter Guerra. E os Nerds por serem minoria vao morrer.
Pessoal vamos parar de reclamar que o mundo vive de modismo. Modismo é nao aceitar nada (Ou será aceitar tudo?). Não queiram tirar a essencia humana de querer ser o melhor e ao mesmo tempo tão igual. Vamos aderir. A Limbo e a Velvet nao aderiram e cairam fora.
Vamos aderir ao modismo e virar Cool.
AMEI O ARTIGO PATRÍCIO, PARABÉNS… GENTE INTELIGENTE É COISA OUTRA! rsrsrsrs….
PASSEI UM BOM TEMPO MORANDO EM NATAL, E TENHO ESSA CIDADE COMO UMA MÃE ADOTIVA. VIRA E MEXE VOU AI PASSAR FERIAS E CURTIR COM A FAMÍLIA ESSA CIDADE TÃO ACONCHEGANTE, MAS PESSOAL VAMOS DA UM TEMPINHO, AFINAL É NATAL ….
UM ESPECIAL NATAL PARA TODOS VCS. QUE AQUI PASSARAM.
SOFIA / RECIFE
Natal se alimenta de Luz.
Que cultura que nada.
Abre o porta mala,solta o som!!!
eu, e qualquer pessoa não-fútil dessa cidade, concorda com voce - em absolutamente tudo que disseste.
mas eu nau acredito que a limbo vai fechaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
será que não rola nem abaixo assinado?
Como? A Velvet vai fechar? E agora vou ficar sem as deliciosas barrinhas de damasco e os cookies de chocolate com amêndoas carameladas… isso sem falar na boa música!! O que fazer? Juntar-me ao grande público, me conformar e aderir? Alguns realmente se divertem com forró e álcool, mas por que outros acham que livros e boa música não são diversão? É uma questão de gosto, não? Pena que em Natal a diversidade esteja cada vez mais inexistente.
As deliciosas empadinhas de Bragança eu até posso encontrar em outros locais. Mas as barrinhas de chocolate, nozes e geléia de framboesa??!! Como vou viver sem elas? Buáááááááááá
Vamo simboooraaaaa… prum Baaar…. BEBER, CAIR E LEVANTAR
VAMOS ADERIR AO MOVIMENTO DO JUMBERTO! KKK
Concordo inteiramente com o texto. Penso exatamente da mesma maneira.
O que gostaria, do meu íntimo, que acontecesse, era que algo fosse feito. E desse acontecimento uma fagulha acendesse um incêndio que mudasse a cabeça dos habitantes dessa cidade. Há alguma maneira?
Educação! Mas pra isso é preciso haver vontade política….
..Natal como eu te amo…
Quem canta isso são os desempregados que só vivem na praia.Natal é pessimo para emprego,pessimo para cultura e Arte.
Como é que podem fechar uma coisa tão massa? e os donos? não falam nada?
Verdade, Legião. Difícil ganhar dinheiro. Gastar já é uma outra história!! Principalmente agora que o metro quadrado (ou será redondo?) está sendo vendido a preço de EOURO!!
Desempregada:
Natal esta sendo invadida pelos espanhois,só que ainda não vimos a cor do Euro,só os politicos que tem essa moeda no bolso.
Vou torcer para que vc arraje um emprego amiga.kkkkkk.
abraços.
Patricio,esqueci de dizer que essa é a parte do seu texto Mais bela:
Mulher vaidosa, envolta em estéticas, tão preocupada com a própria aparência, não percebes que sofres do oco dos fúteis. Não notas, capital espacial do Brasil, que não há como sobreviver apenas com os encantos de tuas filhas seminuas e dos teus imóveis a peso de euro? Natal, como eu te amo. E, no entanto, devolves meu amor assim. Dizendo-me claramente que não adianta fugir do que és: apenas e tão-somente uma cidade bonita.
A Velvet sempre foi na Hermes da Fonseca, desde que abriu.
Patrício, obrigado pela crônica! A Velvet continuará online, mas o espaço físico fechará dia 29.12.
Entre vários outros fatores, acredito que espaços como a Velvet e a Limbo não permaneçam por mais tempo devido a uma questão cultural dessa cidade. É realmente de se lamentar que espaços como esse e como a Limbo deixem de existir, pois para o tamanho da cidade, deveriam existir a Velvet e a concorrência da Velvet, a Limbo e a concorrência da Limbo. Mas nem a Velvet nem a Limbo vivem de prana, então é isso.
Eu quero que feche tudo!!! quero vender muito.
sou uma otima companhia para os besta.
Diga não aos clásicos!!!!
EU SOU D+
Gabriel, você tem razão. A Velvet sempre foi na Hermes. Eu confundi a loja com outra que também já fechou: Solaris Discos. Obrigado pela correção. E a todos, valeu pelos comentários e desculpem o deslize.
Valeu, Legião!! Obrigada pela força. Concordo de novo com você. Quanto aos estrangeiros que vem pra cá, tenho a impressão de que dinheiro eles têm, mas educação falta e muita!! Estou pensando num trabalho original e aí não serei mais desempregada: lambedora de selo de passaporte!!
Concordo, Marcelo. Deveria haver não só a Velvet e a Limbo, mas também suas concorrentes. Não dá pra entender como uma cidade com quase um milhão de habitantes continua nessa pasmaceira. Será que aqui a palavra “crescimento” só tem a ver com números? E não é somente no que se refere às duas lojas. O vestibular, por exemplo, até o ano passado só tinha duas opções de língua: inglês e francês!!! O curso de Letras nem ao menos tem especialização em Língua Inglesa, enquanto que a Universidade Federal da Paraíba já existe Mestrado em inglês há anos. Sinceramente não acredito que isso vá mudar!
Parabéns! seu texto é excelente! realmente a qualidade na leitura em Natal não anda bem, o povo não tem tempo para ler, vivem alienados diante da TV. Nao sabem o que perdem deixando de lado um livro com uma boa história, onde voce viaja sem sair do lugar. Um abraço.
Quase empregada:
kkkkk,Gostei desse seu novo trabalho.Infelizmente com a cultura que natal tem,esse vai ser o destino do povo.
Vou juntar dinheiro e colocar um sebo bem legal!!!!
Dai tu vai trabalhar lá.e nos vamos armar um plano para dominar Natal e acabar com os estrangeiros e com todos que querem fechar os lugares legais da nossa cidade.Vamos dominar o mundo!!!
Feliz Natal pessoal
Beleza Patrício, era só pra dar a retificada, hehe. Depois de ler o teu texto eu escrevi um outro comentário aqui, mas ficou tão grande que achei esse tema da Velvet merecia mais teclas e escrevi um outro artigo, já que também fiquei triste com o fechamento da Velvet mas discordo um pouco do teu ponto de vista. Tá postado lá nos Disruptores, abs.
Legião, eu ía assinar “empregada”, mas poderia soar preconceituoso. Você deve ter visto a confusão que rolou quando alguém mencionou “lista negra” dia desses, num comentário ao Carlos Fialho, e foi acusado de racista preconceituoso.
Já me considero empregada, então. Vamos abrir um sebo e dar uma sopa de sebo (o gorduroso!!) para os estrangeiros mal educados e metidos. Os outros podem ficar por aqui.
Com emprego.
Lembro da confusão da coluna do fialho sim. Alias adoro quando tem essas confusão.O negócio esta de bem,vamos botar nosso sebo e só entra pessoas inteligentes.Quero ve se burro entra e se vou ser preconceituoso por isso.
” viva os inteligentes”
Feliz natal Com emprego,ou não.
Abraços e fui!!! xau Natal
Não me surpreende o fechamento das duas lojas. Trabalho remando contra a maré por aqui há várias anos (uns 10). Aprendi algumas coisas nesse tempo:
1) Cultura é base. Ninguém convence um cara de 20 anos que livro é bom e que rock tambémpode ser bacana (sem desmerecer os outros ritmos). Enquanto não trabalharmos pesado em formar platéia culturalmente relevante vai continuar tudo como está: ruim.
2) Este não é problema de Natal. Em qualquer cidade com o mesmo número de habitantes a realidade é a mesma principalmente no Norte-Nordeste.
3) É no período de uma mega crise que se forma as ações consistentes e preocupadas com o futuro. Marcelo ainda fica no mercado on line e ao povo da Limbo sugiro que continuem militando pela literatura de outra forma. Sem vocês a coisa fica mais complicada.
é isso
foca
centro cultural dosolrockbar (que quase fechou em 2007)
Olha, eu não li a metade dos comentários mas acho que se a metade das pessoas que reclamaram da futilidade de natal comprassem na Velvet e na Limbo ambas não iam precisar fechar.
O problema de Natal - se existe um - é achar que a culpa é de alguma consciência coletiva invisível e intangível. “Eles” são incultos, “o povo” é fútil.
Eu vou com Foca, acho que essas coisas não acontecem do dia pra noite, as pessoas tem de se acostumar, criar um costume, fomentar um mercado. Uma pena que isso tenha acontecido com a Velvet, mas quem sabe não dá pra voltar um dia, em cooperação com outras pessoas que também estão dispostas a fazer cultura.
abs,
W.A.
são duas perdas tão grandes.
a Limbo á como a extenção da nossa casa, tinha ate um murinho la fora p fumar esses caretas e tomar uns cafezim.
sentirei saudades sinceras
dou os parabéns p os meninos, la sempre foi um pico ducaralho, com a enrgia maravilhosa.
Perfeito!

Enquanto o povo da cidade continuar se preocupando mais com a aparência do que com o conteúdo, lugares como esses dois continuarão fechando as portas.
INfelizmente.
não sei se um abaixo assinado adiantaria, o interessante, seria se fossemos la gastar nosso dinheiro, todo mundo acha livro caro, mas sai de noite e deixa 20, 30, 40, 50, 100 reais num bar, isso numa única farra, micareta nem se fala, ai o pobre do livro é que é caro. tsc tsc tsc
Caro Patrício,
É realmente uma pena saber que essas lojas fecharão as portas. Por outro lado, não podemos esquecer de um detalhe: a internet está aqui para nos salvar da mediocridade cultural. Não consegue encontrar um livro/CD/DVD menos, digamos, comercial em alguma loja física? Saque seu cartão de crédito, acesse um site seguro e em poucos dias você terá em mãos o melhor que o seu dinheiro (e nível cultural) pode comprar.
Sou do tempo que para se comprar um livro “difícil” ou assistir a uma estréia cinematográfica, a única solução era arrumar as malas e viajar para uma grande cidade. Recife, por exemplo. Hoje, graças à internet, o acesso a bens culturais é muito mais fácil, rápido e prático. Claro que comprar livros, saboreando um café e conversando com amigos numa lojinha charmosa é uma experiência singular. Mas na ausência dela, levanto as mãos para o céu e agradeço a possibilidade de fazer (quase) tudo isso em casa, em frente ao computador.
Para os donos das finadas lojas, aqui vai uma historinha que pode servir de consolo. Estava na Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega, em Recife, e encontrei um amigo de Natal. Comentei que a loja é um verdadeiro paraíso e tal e caí na besteira de fazer um comentário do tipo: “Já pensou se abrissem uma loja dessas em Natal?”. Meu amigo olhou pra mim e em tom sarcástico respondeu: “Ela fecharia em poucas semanas”. Claro, concordei na hora.
Nossa cidade continua linda, sim. Mais burra e menos divertida? Talvez. Quem sabe ela não envelheça, crie vergonha na cara e se torne uma mulher madura e mais interessante? Bom, só o tempo dirá. Abraços!
Bob, sua opinião é realmente interessante, mas existem coisas que a Limbo e a Velvet oferecem que vão além da frieza de uma compra online (onde se tem acesso a tudo). São lugares os pessoas se encontram, trocam idéias, fazem amizades, e tem a oportunidade de encontrar de repente aquele cd, ou aquele livro que nunca mais iriam achar. Infelizmente em Natal não existe um público forte, que costuma consumir cultura pop. Aqui, esse tipo de cultura está mais na aparência, no visual, mas conteúdo? ZERO. Muitas vezes o que vejo nessa cidadei, é uma vontade mais de destruir, do que de construir - não digo isso nem em relação ao caso dos dois - mas vejam Anderson Foca, na batalha há anos, agitando e tudo mais, e sempre tem pessoas para criticá-lo, como se fosse um pecado ser bem sucedido.
Modrack, abaixo-assinados não pagam contas.
e natal tem dessas coisas vou sentir muita falta da velvet e da limbo,ontem fui ao cinema ver planeta terror tinha 15 pessoas na sala de exibiçao,isso e natal….tinhamos dois cinemas no natal shopping que fecharam,natal as vezes me pareçe um buraco negro entorpecida ,drogada ,prostituida,politicamente corrupta,um mundo artificial onde sempre teremos um comercial do governo com pessoas rindo e felizes exaltando os encantos da sereia natal que afoga a todos nos,,,cidade vazia ,fast food fudida essa e natal sol negro ,cancer de pele…..odeio natal ,amo natal….how how how
Patrício, o Marcelo acabou de me passar o link da sua coluna e venho parabenizá-lo pelo belo, embora triste, texto. Eu, como você e muitos aqui, estamos indignados com o fechamento da Limbo e da Velvet. É uma realidade cruel a que vive quem curte algo mais cabeça, em Natal. Eu sinto isso na pele, com a Garagem Hermética Quadrinhos (GHQ); pra mim ainda é pior devido ao preconceito de que HQ é uma mídia voltada tão somente para o público infantil. Tudo gira em torno de educação; e, infelizmente, a nossa está bem aquém do esperado.
[ ]s,
Milena
Cara,não adianta culpar a cidade e as pessoas pelo ‘insucesso’ de alguns empreendimentos,concordo que são produtos de qualidade mesmo que nunca tenha comprado discos na velvet…pq faço o download de tudo…e nunca fui a limbo,infelizmente perdi a chance,porém se trata de mercado. E parece que não há espaço para certos segmentos por aqui, a demanda é pequena e não traz retorno a quem se aventura,vale lembrar que Já é dificil pra qualquer micro-empresa. Se as pessoas lêem pouco,não é somente culpa desses individuos,mas é um problema nacional.
Acho que estamos fora dos padrões para esse tipo de consumo,e não cabe a mim julgar se é de alto nivel ou medio…
Amigo
Massa o texto, tenho que citar Pablo Capistrano mais uma vez quando disse que algumas cidades se expandem, outras encolhem. Porém, não posso deixar de discordar de um ponto do seu texto, esse papo de que Natal é linda, calma, Natal é linda por si só, ao natural, do jeito que veio ao mundo, nada do que se constrói aqui tem um pingo de charme ou beleza, até João Pessoa consegue ter prédios mais charmosos. Ninguém planta árvores, quem achar que estou errado leia o trabalho do Prof. Eugenio Medeiros sobre o aumento da temperatura e das ocorrencias de catarata e cancer de pele devido ao aumento aa exposição dos raio ultra violeta. As pessoas jogam lixo no chão sem a menor cerimônia, cortam árvores centenárias só pra poder mostrar o logotipo brega de alguma pronta entrega, não meu caro, essa Natal de linda não tem nada. É rasteirinha culturalmente, se vc pegar um caderno de cultura de algum jornal só vai ter coluna social de gente com a vida mais desinteressante do mundo mostrando para os rivais que está de cima. Não sou um disiludido, morei 4 anos numa cidade linda e cheia de charme, apesar do clima horrível e sonhava em poder voltar o quanto antes, voltei mas já cheguei a conclusao que meu caso de amor com Natal é tamanho que já estou amando até os seus defeitos, o que não quer dizer que os aceite ou que não os perceba mais. De linda, Natal só tem o que Deus lhe deu.
P.S. E quanto ao Velvet e o Limbro, acho uma tristeza, mas graças ao bom deus há uma facção que resiste a imbecilização galopante.
desiludido, a gente se emploga aas vezes
Caro Patrício: colo aqui o que comentei lá no site Disruptores - acho que o seu texto e o de Gabriel se complementam… são complemetidos e comprometidos com o bem geral da muitas vezes tão metida nação poptiguar também tantas vezes sem noção poptiguar… Bem, acabei também escrevendo um texto sobre, tá lo site/blog dOs Poetas Elétricos. Abraços!
Max, excelente o seu texto. Sou obrigada a concordar. Também voltei pra Natal com mil planos, depois de 11 anos morando em outra cidade. Mas enchi e estou arrumando as malas para muito em breve. Natal só nas férias. Aliás, quando voltar, fico pelo caminho mesmo, na minha amada Lagoa do Bom Fim. É de lá pro aeroporto!
Pessoal,
Li todos os comentários e sinto muito pelo fechamento das duas lojas. Mas, só conheço a Velvet. É um lugar bem bacana. Então eu lamento muito, mas não me acho no direito de falar isso e aquilo outro das pessoas da cidade, como se eu estivesse acima delas, quando eu nunca nem tinha ouvido falar da Limbo. Seria hipócrita da minha parte, não?
Como estimular a cultura nos quatro cantos da cidade se não há divulgação? A Velvet, por exemplo, eu conheci através do meu marido, que frequenta o lugar há muito tempo. Desculpem-se se há divulgação e eu é que nunca vi…Mas divulgação de show dos Porcarias do Forró é só o que eu vejo, para onde quer que eu vire o ollhar….
Bem, fica a pergunta: quem de vocês foi nesses dois estabelecimentos nos ultimos meses?
Quem faz uma cidade é o povo; e o povo somos eu e você. E o que estamos fazendo??? Chamamos nossos amigos para ir lá? Levamos os visitantes lá?
Não quero também fazer parte de um grupo de pessoas que moram em Natal e se acham New Yorkers, quando na verdade, no caminho entre o pensar e o fazer, armam uma redinha na varanda e ficam calculando em quanto tempo tem que sair de casa para poder não ficar muito tempo na fila de espera de bares novos.
Sim, Patrício, parabéns por FAZER alguma coisa e Foca, parabéns pela persistência!
Abraços a todos! Se não for irônico demais, feliz Natal.
Patrício, pessoa que quero bem e admiro
Belo texto!!! Concordo milimetricamente com cada palavra. Por coincidência, nessa semana estava passando na frente da Limbo e me lembrei da “Loja da Esquina”, que pertencia a Meg Ryan naquele filme “Mensagem pra você”. A Limbo Livros Selecionados tem a mesma singeleza e charme, pena também ser engolida pelas concorrentes franquias de megastores. Nada contra se ter um grande número de livrarias na cidade, mas as iniciativas locais deveriam receber incentivos do governo, pelo menos um alívio na carga tributária que é tão alta. Do jeito que está, um pequeno empresário dificilmente sobrevive por mais de um ano nessa cidade.
Entretanto, o que se esperar de uma cidade que não respeita nem o patrimônio histórico?
Beijão, Feliz Natal e um ano novo de grandes realizações.
Concordo com Suelaine: sem divulgação fica difícil.
Ouvir falar na Limbo pela primeira vez no Lado [R] (um zine, que apesar da distribuição grátis poucos têm acesso), e só fui saber que a Velvet existia (e já ia fechar) quando fui na Limbo.
A Limbo fica (ainda) na Afonso Pena, 666, perto do PAPI / Instituto de Radiologia. E a Velvet, onde fica?
A Velvet fica na Av. Hermes da Fonseca, no mesmo lado da AABB, só que um pouco antes, no sentido BR-Centro. Fica entre uma clínica e uma loja de móveis, se não me engano.
É de entristecer, o fechamento da Velvet e da Limbo.
Comprei algumas vezes em ambas as lojas, mas, de fato, é muito pouco eu e você comprarmos lá. Não podemos nos esquecer que estamos falando de comércio e que não dá pra viver sem lucro só pra “incentivo” da bagagem cultural do natalense.
Muito legal, o texto!
S.O.S. NATAL
a tal noiva ‘cadáver’ do sol agoniza. Cabe a nós trazê-la para o mundo dos ‘vivos’!!
ótimo debate, valeu Patrício…
feliz Natal (!?!) pra todos.
yuno
Natal é futil, quase uma patricinha!
E o mais louco, é que, quem frequenta lugares como a Limbo, a Velvet são tidos como arrogantes … falo isso pq já ouvi cada coisa!
Absurdo!
Rio Grande do Norte, Rio Grande sem sorte.
És bela, também és mazela
és útil, és fútil
és linda, és “BARRA”
és natural, és shopping
és provinciana, ÉS PROVINCIANA
Mas como não amá-la?
Neguinho, “pode crer”
Escreves bem brother
Um texto verdadeiro e lindo
Um verdadeiro filho da terra
Ès belo