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Patrício Júnior

Patrício Júnior - pittjr7@gmail.com

Crônico

Patrício Jr. nasceu em Natal em 1979. Escritor, jornalista e publicitário, publicou seu romance de estréia "Lítio" em 2005. Escreve também no PLOG.

A lei antifumo, por um fumante

sexta-feira, 14/agosto/2009

Eu concordo com a lei antifumo. Ipsis litteris. Acho, inclusive, que deveria se estender a todo o país. Com benefícios coletivos inumeráveis. Por exemplo, os não-fumantes não vão se incomodar com a fumaça, os fumantes vão se envenenar menos e todo mundo vai sair ganhando nessa história. Ponto.

Dito isso, passemos ao que realmente importa.

Esta manhã, fiz a seguinte postagem no Twitter: “Quando me dizem ‘eu odeio fumantes’ sinto vontade de responder ‘eu odeio gordos’”. Obviamente, não odeio gordos. Mas a frase, por sua concisão e contundência, dá margem a diversas interpretações. Principalmente as erradas. Por isso, me dou ao direito de estender o tópico.

Não gosto de ouvir “odeio fumantes” porque sou fumante. Me incomoda saber que todos são colocados no mesmo bolo e tratados como mal educados que saem baforando suas fumaças independente de quem está respirando ao seu lado. Eu tomo cuidados. Para não incomodar os outros, para não ficar fedendo, para não deixar que o fato de ser fumante seja a principal característica da minha personalidade. Já imaginou? “Fulano? Ah, é inteligente, fumante, engraçado”. Não, não gosto de generalizações. E sou fumante mas sou limpinho.

Essa sentença, dita com tanto orgulho por alguns não-fumantes, é hipócrita. “Odeio os fumantes porque eles fedem”. Bom, eu não fedo, apesar da lógica dizer que eu deveria feder. Veja bem: gordos suam mais e, portanto, têm maior probabilidade de exalar maus odores. Seria justo dizer “odeio gordos porque eles fedem”? Não, meus amigos, seria cruel. E desnecessário. “Odeio fumantes porque eles me incomodam”. Apesar de sentir vontade de dizer “os incomodados que se retiram”, não serei infantil a tal ponto. Direi apenas que pedintes nas ruas me incomodam. E não os odeio. E até mais: direi que você, leitor, provavelmente faz algo que me incomoda profundamente. E não te odeio.

Depois vem toda a desinformação característica de quem quer ser o dono da verdade. O cigarro é um problema de saúde pública. Por mais que, teoricamente, a venda de cigarros cubra os gastos públicos com tratamentos de câncer e outras mazelas, se houvesse menos problemas de saúde decorrentes do tabagismo o imposto gerado pela venda de cigarros poderia ser empregado para salvar a vida de pessoas que não estão se autoinfligindo doenças. Como a realidade não é essa, o Governo intervém. Não porque quer garantir o direito de você, não-fumante, sair da balada com o cabelo cheiroso. Nem muito menos porque quer perseguir os que gostam de acender seus caretas. O Governo intervém porque precisa equilibrar as contas. Tudo se resume a dinheiro.

A obesidade também é um problema de saúde pública. Milhões são gastos no SUS com malefícios que advêm desse péssimo hábito (doenças cardíacas, cânceres, hipertensão, etc). Houvesse menos obesos mórbidos ou sedentários, sobraria mais dinheiro para tratar pessoas que não estão ficando doentes porque querem. Simples assim.

Não estou defendendo a restrição dos direitos dos gordinhos. Nada disso. Entendo perfeitamente que no aspecto da saúde pública a obesidade e o tabagismo guardam diferenças gigantescas (a principal delas, a meu ver, é que quando somos pequenos nossas mais não ficam o tempo todo repetindo “fume esse cigarrinho todinho senão fica sem sobremesa”). Mas no aspecto social, podemos sim comparar as duas facções. Fumantes e gordos estão unidos.

Gente mal educada tem de todo tipo. Fumante, não-fumante, gordo, anoréxico. Mas, por mais desagradável que seja ter que compartilhar espaços com pessoas de diferentes características, o caminho do ódio só leva a uma coisa: recíproca (essa você já sabia, tenho certeza, falei só por falar mesmo). Posso listar inúmeras razões para odiar não-fumantes. Mas eu gosto deles. Afinal, se todo mundo fumasse, ninguém tentaria me livrar desse hábito terrível que assumo sem nenhum prazer.

Só estou pedindo respeito. Só isso.

23 comentários

  • A Pedra : -

    Concordo,també, fumo e não fedo. agora se fumar derby, se fud…!!!!

    Mas tento parar,se vamos morrer de qualquer jeito,não precisamos acelerar o processo. e isso de dizer: ahh fulano nunca fumou,e morreu de cancer.. Teve sorte ele,pois sabemos que fumar causa um monte de doenças.
    Estou tentando parar.Não pelas autoridades,nem por causa daquelas figuras das carteiras de cigarro.
    Quero ter uma vida melhor.
    Mas não critico quem fuma.
    e os gordos fedem mesmo!!!

  • fernando : -

    Meu prezado desconhecido,boa tarde!

    Olha só! Sou gordo e fumante.Não me incomodo com rótulos nem caras feias de pessoas que morrem de inveja de mim.Elas vão morrer que nem eu,pior,poís jamais vão sentir o prazer que é acender um bom cigarro após uma bela refeição e soltar boas baforadas ao vento ou nem ligar se alguém ao seu lado acendeu um cigarro. Minha opinião sobr a lei? Ótima, poís só assim não terei que me preocupar com os chatos dos não fumantes falando bobagens ao meu lado. E como você, eu não fedo nem ocupo espaços de ninguém.Só deixe-me fumar e fazer o que quero sem preconceito ou falta de respeito. A vida já é muito bolada para nos preocupar-mos com vícios do próximo. Com estilo e parcimônia tudo é belo

  • Eduardo : -

    Se gordo ou mendigo fosse tóxico o seu texto ia ter algo a ver.

    Quem fuma tira o direito dos outros de manter o pulmão saudável.

    Maldita hora que recebi este link.

  • Fabio Pachelli Pacheco : -

    Não conheço nenhum fumante que perceba que fede. Sempre falam de “macetes” para não ficar fedendo mas nunca vi um deles funcionar. Moro com 4 fumantes e a primeira coisa que me perguntam qaundo eu saio de casa ou quando recebo visitas é “você fuma?” pois eu, minha casa, meu carro e minhas coisas fedem pois minha familia fuma. E todos garantem que não fedem.

    Como dizem: “Quem tá coberto de bost@ não sente cheiro de pum”

  • LoL : -

    Concordo com Eduardo e Fábio. Trabalho com 2 fumantes e eles juram que não fedem, mas fedem sim =]

  • amauri : -

    “Quem tá coberto de bost@ não sente cheiro de pum” kkkkkkkkkkkkkkkkkkk….muito boa a citação!! Já namorei uma fumante e de fato eles fedem sim e incomodam pra caramba com sua fumaça irritante e insuportável!!O problema no Brasil é que qualquer lei que tente controlar os excessos de quem quer que seja SEMPRE esbarra na teimosia e “selvageria” daqueles que se sentem feridos no seus direitos, que quase sempre atrapalham a vida da maioria!!¬¬

  • Carlos Fialho : -

    Bons argumentos, texto equilibrado, comentários impagáveis.

  • Clodoaldo Damasceno : -

    Meu amigo Patrício,
    Acredito mais na lei da responsabilidade individual, onde cada um faz o que quer, desde que em conformidade com o respeito às outras pessoas.
    É verdade que talvez não estejamos vivendo num nível de amadurecimento social capaz de sustentar essa responsabilização individual, mas é pouco provável que consigamos chegar até ela por via da proibição.
    Eu que acredito que cigarro é como café – só presta feito na hora -, conheço o gosto da proibição que, por si,parece inútil no desenvolvimento de quaisquer tipos de conscientização humana.

  • Gabriel Galvão : -

    A lei não é para conscientizar ninguém. A lei vem para proteger os fumantes passivos (fazer não o serem mais). Não entendi qual é a dificuldade em ver isso.

  • Lua : -

    Fumar é vício e não fraqueza de caráter. Fumar perto de quem não o quer fazer é falta de educação. Incomoda. Incomoda e muito. Não sou fumante, mas vivi com meu pai fumando até meus 25 anos. Tive duas bronquites e ele continuava fumando na minha cara. É um ato egoísta.
    Obesidade também não é fraqueza de caráter. Inclusive o comer compulsivamente guarda semelhanças com o fumar. O trecho em que vc fala “Houvesse menos obesos mórbidos ou sedentários, sobraria mais dinheiro para tratar pessoas que não estão ficando doentes porque querem. Simples assim.” mostra que você não muito conhecimento sobre obesidade. O obeso incomoda. Incomoda e muito. Mas não intoxica pulmão de niguém. Não, não sou obesa.
    Respeite, noção do espaço pessoal, educação e a consciência de que o mundo não gira ao redor do nosso umbigo. Muitos problemas poderiam ser evitados, com esses 4 ingredientes. Simples assim.

    Ei, mas, Patrício, tu não és gordinho? Como pôde fazer um texto comparando fumantes e obesos, de maneira tão simplória?

  • Lua : -

    Ah, e outra coisa- Ninguém, ninguém mesmo, pode dizer: Ah, mas já experimentei cigarro, maconha, bebida e não me viciei” e achar que isso é mérito pessoal. Só se sabe se seu organismo tem tendência a se viciar depois que se provou a substância. Não quer correr o risco? Nem experimente. Isso sim é mérito pessoal- o não experimentar. Agora, se gabar que conseguiu não se viciar é pura sorte!
    Força de vontade para deixar de fumar e comer corretamente é indispensável, mas não o ÚNICO caminho. Pessoal, por favor, vamos parar de minimizar os problemas dos outros.
    RESPEITO- dispensaria a lei….

  • Sheyla Azevedo : -

    Concordo demais com a Lua em vários pontos e não pude deixar de comentar. Acho essa lei inconstitucional no aspecto do direito do básico do sujeito ser aceito como é. Preconceito não é só racial. Preconceito contra fumantes, obesos, gays, dondocas, vagabundos, alcoólicos, etc, também não é uma coisa bacana. Desconheço fumantes que se vangloriam de serem fumantes. Eles podem até assumir um prazer imensurável – algo assim que quem nunca fumou jamais seria capaz de entender – mas fumar num mundo cheio de preconceito e agora restritivo não é nada fácil. Bom, quando a Lua fala em não ser uma questão de proibição e sim de respeito, eu concordo com ela em todas as letras. Conheço os prazeres do fumo e seus dissabores também. E, por isso, acho que os não fuma têm o total direito de não serem fumantes passivos e de não correrem riscos de morte por doenças causadas pelo fumo. Se fumar é uma escolha então os fumantes têm de assumir os riscos. Texto irreverente, Patrício, e legal porque acendeu (ops) nas pessoas um desejo de falar sobre o tema, sinal de que o cigarro está mesmo inserido no nosso cotidiano, queiramos ou não.

  • amauri : -

    Só para lembrar a todos aqui: Na Inglaterra o fumo é PROIBIDO em locais públicos, porém lá a população já está habituada e conciente do seu dever ao ponto que não há fiscais em pubs, restaurantes e outros locais. O problema no Brasil é que as pessoas são muito mal educadas e quando surge um lei rigorosa para tentar promover a convivência mais “saudável” entre todos aí entra em cena aquele ridículo argumento que é inconstitucional porque fere o direito do indivíduo!!BALELA; o seu direito de ferrar com seu pulmão acaba no momento em que seu “cigarrinho de me….” prejudica as demais pessoas,nós, os fumantes passivos!!

  • amauri : -

    Se nos chamados “países de 1º mundo” houve a necessidade de leis severas restringindo certos abusos por parte da população(como multas pesadas por sujar a via pública, por exemplo..)porque no Brasil teria de ser diferente?? Fumantes: não adianta choramingar!! RESPEITEM o direito de TODOS e assim conviveremos de forma mais saudável. PARABÉNS a NÓS pela lei!! \m/

  • Diego : -

    Amauri, nao é bem assim nao, eu moro na Alemanha e vou a Inglaterra a trabalho frequentemente, lá como aqui na Alemanha, o fumo é proibido sim em lugares publicos ou fechados. Mas há lugares que sao pra fumantes, por exemplo, Pubs que colocam na porta: “Esse é um ambiente de fumantes, entrando aqui voce entende e aceita a situacao de conviver com o cigarro”. daí só entra quem quer.

    Para mim deveria ser assim no brasil, o lugar que quer permitir fumantes, permite e avisa na porta, quem quiser entrar entra, quem nao quiser procura um lugar saudavel para ir.

    Todo mundo se respeitando, agora vir com agressoes do tipo, cigarrinho de merda, na adianta mto né?

    Abraco

  • Sheyla Azevedo : -

    Palmas para o bom senso do Diego. Amauri, meu filho, tá nervosinho é? Fuma um cigarrinho que relaxa.

  • X-RAY : -

    Excelente e corajoso, Patrício. Mas adianto que vai perder fãs da linha “Esporte é saúde e rede globo é televisão”. Caso de alguns companheiros acima. Para começar sem arrodeios…A FUMAÇA É MINHA CACHAÇA! (ass. X-RAY).

    Com certeza fere o direito do indivíduo. Que conversa de vida saudável é essa? Muita infantilidade argumentar isso. Não existe estilo de vida saudável. Todos os dias nos destruimos um pouco, seja bebendo leite (veneno total), seja com alcool, com fumo ou comendo qualquer alimento. Concordo que deve haver o respeito individual e o bom senso, não só em relação ao fumo, mas em todos aspectos relacionados a convivencia hubana na terra.

    Adorei o texto.

  • X-RAY : -

    Não lembro onde vi isso, mas dizia que em uma grande escolha, decisão, deve-se levar em conta os anseios da menoria, ou seja, a maioria não pode simplesmente atropelar o ponto de vista da menoria, caso aconteca isso, a decisão não terá a efetividade desejada. Claro que isso se trata de uma teoria, uma linda e intercambiada teoria infantil. Na prática, na prática…Vai pra frente da maioria pra tu ver!

    X-RAY, baforando na Digi!

    Abraço, Patrício.

  • Em defesa das generalizações « Ápyus : -

    [...] da generalização que os atingiu. Patrício já havia feito isto também quando recentemente criticou as generalizações que fazem acerca dos fumantes quando debatemos a lei anti fumo [...]

  • Tia jaque. : -

    Acho que deveriam fazer, também, uma lei pra retirar os carros de circulação. Isso polui e mata, também. Não acham???

    Tia Jaque. A gata!

  • rej's : -

    Tia Jaque vc falou pouco mas falou bonito!
    Essa lei é boa eu concordo, só nao aceito esses nao fumantes de merd@ achar que sao melhores do que a gente por nao fumar, pq cada um querendo ou não participa de alguma forma pra deixar esse nosso mundo menos saudavel, é o preço que pagamos pelo progresso de ter algumas facilidades.
    Infelizmente nos fumantes somos os judeus da atualidade, tdo mundo tem repulsa de ficar perto da gente. Só ta faltando o governo arrumar uma ilha e colocar todos os fumantes la isolados do mundo como faziam com os leprosos… (Se bem que nao seria uma má ideia! Mas sentiria saudade da minha mae entao melhor nao…)
    Se o objetivo é ter vida saudavel vamos entao proibir o consumo de alimentos industrializados, trangenicos, vamos diminuir o consumo de carne, churrasquinho no fds nem pensar!!! vamos comprar apenas produtos ecologicamente corretos, existem cerca de 500 produtos com a marca Greenpeace, vamos proibir os veiculos motorizados… e vamos tbm usar o msm argumentos dos nao fumantes: ” eu nao tenho carro entao nao sou obrigada a inalar o monoxido de carbono, hidrocarbonetos, dioxidos de notrogenio, e metais altamente toxico que o veiculos de vcs emitem!!!” Lembrando que tudo isso que o veiculo de vcs soltam por ai nao só prejudica a minha saude com a do meio ambiente tbm… è nao fumantes vamos todos entao colaborar com a preservação do meio ambiente e da saude publica? amanha tdos nos vamos trabalhar a pé o que acha? Ahh estamos ferindo um direito seu de utilizar um bem adquirido com seu proprio $$ (ou nao)? Ahhh Serio??? Mas é pela saude publica!!! isso nao comove vcs??? Andar é saudavel e nao polui…

  • Antenor : -

    Sou fumante e DISCORDO da lei Ipsis Litteris, acho uma enorme hipocrisia que fomenta a intolerância e que não ajuda em nada quem quer deixar o vício, quando muito atrapalha um pouco, porém, proibir sempre foi mais fácil do que concientizar.
    Já havia antes da lei uma conciencia por parte das pessoas que deveriam parar de fumar, agora com a lei os colocando como marginais essa conciencia fica mais nebulosa, provavelmente haverá até mais fumantes.
    Mas isso é oque menos importa aos anti-tabagistas, o importante é eles não sentirem o cheiro do cigarro.
    Vamos varer a sujeira para debaixo do tapete e finjir que esta não mais existe, somos bons nisto.
    Se um dia inventarem uma lei contra gordos, (e não duvidem que pode acontecer) eu como magro que sou, tambem vou remar contra a mare e ser CONTRA esta lei Ipis Litteris.

  • Sunshine : -

    Rej’s, adorei fortemente seu texto!
    Todos nós cooperados de alguma forma pra estragar o ambiente e também a nossa saúde, seja com o cigarro ou com a carne ou com o carro.

    Sou fumante, sei dos malefícios e sei dos benefícios! (Quem disser que não há benefícios, não sabe do que está falando..)

    De fato, a lei só serviu para marginalizar os fumantes. Agora, ao invés de fumar dentro do pub, fazemos nossa rodinha do lado de fora e voltamos com nosso cheirinho distinto para dentro do local, deixando o nariz de quem estiver por perto bem contente!

    Adoro também quem dá aquela tosse forçada quando passa por mim quando estou fumando. Evito fumar perto das outras pessoas. Já não posso fumar em locais fechados e quando fumo em locais aberto e longe de todos, sempre tem um infeliz pra forçar a barra!

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