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Paiva Netto

Paiva Netto - paivanetto@lbv.org.br

José de Paiva Netto é escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro da Associação Brasileira de Imprensa Internacional, da Federação Nacional dos Jornalistas, da International Federation of Journalists, da Academia de Letras do Brasil Central e da União Brasileira de Compositores.

Razão, Aristóteles e sentimento

terça-feira, 9/fevereiro/2010

Um dia desses, repassava páginas do meu livro “As Profecias sem Mistério”, 1998. Achei oportuno trazer-lhes um trecho extraído do capítulo “Apocalipse: Razão e Coração”. Espero que o apreciem.
Certa vez, à mesa, enquanto realizávamos a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar, um jovem presente, àquela altura com 17 anos, concluiu com sagácia: “Realmente, o Ser Humano, não obstante o extraordinário avanço tecnológico, não está evoluindo como deveria. Na verdade, só está andando mais depressa, sem saber com certeza, até agora, para onde vai. Por esse motivo, o mundo continua sendo um imenso quebra-cabeça”.

INTELIGÊNCIA DO CÉREBRO E DO CORAÇÃO
O jornalista Alziro Zarur (1914-1979) ensinava, nas suas prédicas populares, evangélicas e apocalípticas, que a saída para qualquer problema, por pior que seja, é “ligar a tomada no Gerador que é Cristo Jesus”, o que pode soar absurdo a homens e mulheres excessivamente racionais.
Não sou contra a Razão, como não me oponho ao sentimento. “In medio virtus”, preconizava Aristóteles (384-322 a.C.), em “Ética a Nicômaco”, seu filho. Eis por que venho asseverando que precisamos unir à inteligência do cérebro a do coração. Costumo valer-me deste exemplo: quando em boa hora surgiu o Iluminismo, depois da Idade Média, já na Era Moderna, muitas pessoas viram no racionalismo a chave efetiva, enquanto acusavam as religiões pela aflição permanente das criaturas. É óbvio que a Razão realiza importantíssimo trabalho pelo crescimento dos povos, mas não bastou para emancipá-los de seus tormentos. Trouxe incontáveis inovações. Contudo, somou-se àquilo que os iluministas qualificaram de erros religiosos uma carrada de novos enganos. Adicionaram-se aos anteriores os deslizes advindos do uso desmedido do racional.
Novamente, o Ser Humano colocou-se na busca do equilíbrio, um caminho para a solução de suas angústias.
É quando, radioso, emerge, liberto da obscuridade e do estigma do medo, o Apocalipse do Divino Chefe: uma carta de amigo que apenas deseja o bem do destinatário, escrita com providencial antecedência aos conflitos que a Humanidade teria de enfrentar, pelos milênios, em virtude da desarmonia, criada por si mesma, para com as leis universais, eternas. Jesus é suprema expressão de Fraternidade. Não transfiramos a Ele os equívocos praticados em Seu nome. E é por esse prisma que o texto profético deve ser analisado, até mesmo pelos ateus. (…)

A HUMANIDADE ACIMA DE TUDO
Há respeitáveis pensadores que fazem muita questão de ser racionais (Bem que um pouco de ceticismo seja saudável à inteligência). Por isso, talvez demorem a entender a programação divina para o progresso das gentes, porquanto, para compreensão dela, é imprescindível devidamente observar a lei do Amor, que ilumina a solidariedade social, que, na trágica situação do Haiti, tem demonstrado ser a trajetória a seguir, com o envolvimento humano conjunto das nações, e seu grande poder estrutural e econômico, daqui para a frente, sem arrefecer jamais. O beneficiado por tudo isso, apesar da ganância ainda existente, será o mundo globalizado.

COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO
Na quinta-feira, 28/1, foi celebrado, pela primeira vez, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data foi escolhida em homenagem aos Auditores Fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas em Unaí/MG. No portal do Ministério do Emprego e Trabalho (www.mte.gov.br) tomamos conhecimento de que “desde 2003, o MTE libertou de condição análoga à de escravo mais de 30 mil trabalhadores em todo o país”.
De acordo com a matéria, “em 2009, o Rio de Janeiro foi o Estado em que a auditoria trabalhista resgatou o maior número de trabalhadores em condição análoga à de escravo. Do total de 3.419 resgatados no ano, 521 trabalhadores foram resgatados em estabelecimentos fluminenses, 15% do total. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 369 trabalhadores resgatados (11%), seguido de Minas Gerais, com 364 trabalhadores resgatados (10,6%). Os Estados de Rondônia e Acre não tiveram nenhum registro de trabalhadores resgatados”.
É de se louvar o esforço de governo e sociedade civil na luta por virar uma página triste de nossa história. Mas toda a atenção é pouca, aconselha bem antigo ditado.

SAÚDE
Após discursar, na última terça-feira, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre/RS, cumprindo intensa agenda de viagens, no dia seguinte, já em Recife/PE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma crise hipertensiva, resultante de estresse, quando deixava a capital pernambucana em direção a Davos, na Suíça. Lá, participaria do Fórum Econômico Mundial, onde foi homenageado com o prêmio Estadista Global – o primeiro dessa categoria, motivo de orgulho para o Brasil. 
Ficamos na torcida para o pronto restabelecimento do presidente.

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