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Meire Gomes

Meire Gomes - saladamedica@gmail.com

Salada Médica

Médica e estudante de pós-graduação em Direito Previdenciário. Nas horas vagas escreve algumas notas sobre saúde, arte & abobrinhas no Blog Salada Médica. Contatos: Twitter - E mail.

Acerca da Fé – Uma peça em 12 atos

terça-feira, 24/fevereiro/2009

APRESENTAÇÃO

‘Acerca da Fé’  é um ensaio de 30 laudas que eu vinha incubando mentalmente há algum tempo e que acabou de  nascer. Por ser algo longo, pensei  numa divisão para postagens em dias distintos, no entanto acabei preferindo publicá-lo na íntegra para que vocês tenham liberdade de escolher o quanto querem ler, se não vale a pena continuar ou se querem lê-lo todo de uma vez.

Convido meu pequeno grupo de leitores a embarcar nessa viagem e espero que o meu objetivo – que nem de longe foi ferir a crença de um ou de outro – seja alcançado. Após as considerações finais onde tudo ficará bem mais claro, será elencada toda a Bibliografia que consultei.

SUMÁRIO

1 – O INSTINTO DE PRESERVAÇÃO DA VIDA

2 – A MORTE

3 – UMA TENTATIVA DE CONCEITUAR FÉ

4 – ENFRENTANDO A DÚVIDA

5 – DOS MITOS À ESCRITA – Uma pausa filosófica e histórica

6 – NOSSAS ORIGENS SOB A ÓTICA DA FÉ – Das tábuas de Argila às naves espaciais

7 – DO TAO AO CORÃO – Uma folheada em alguns Livros que norteiam a fé do homem contemporâneo

8 – DAS CRUZADAS À MALHAÇÃO DO JUDAS – Uma breve história do ódio religioso

9 – O PECADO E A MORAL DO HOMEM

10 – A CIÊNCIA COMO DIVISOR DE ÁGUAS

11 – EXERCITANDO A EMPATIA

O caminho da paz em meio à diversidade dos credos

Como entender um ateu? Perguntas e respostas

12 – CONSIDERAÇÕES FINAIS – Um apelo

Um abraço e boa leitura ;)

Meire Gomes

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ACERCA DA FÉ – Uma peça em 12 atos

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1 – O INSTINTO DE PRESERVAÇÃO DA VIDA

A busca pela preservação da própria vida está intimamente relacionada com um sentimento instintivo comum aos homens e aos outros animais: o medo. É possível que o fato da espécie humana ter um entendimento consciente da morte seja a diferença mais marcante em relação aos outros animais, pois para nós o medo da morte ocorre com penosa antecedência: ele nos acompanha desde a meninice e reaparece mesmo na ausência de perigos iminentes.

As crianças reconhecem rostos da família em tenra idade, assustam-se com barulhos e temem a escuridão. Nossos bebês agem como agiriam bebês pré-históricos quando costumam chorar durante a noite, exigindo com mais vigor a presença confortadora da família justamente no momento em que estariam mais susceptíveis à morte pelos predadores da savana africana.

Quando crescem, muitas enxergam monstros gerados por sombras na penumbra de seus quartos ou choram de medo diante da certeza absoluta da presença de coisas assustadoras embaixo de suas camas. Quem inventou os bichos malvados das canções de ninar não foram os cancioneiros populares, as crianças criaram antes para dar razões ao medo instintivo que sentem.

Esse pensamento ocorre de maneira similar em crianças de qualquer parte do globo de de qualquer cultura, e caracterizou a forma dos povos da antiguidade verem o mundo.

O sentimento que nos impulsiona a pensar sobre a brevidade da vida nos volta constantemente durante muitos momentos, como na perda de um parente ou amigo, quando somos surpreendidos por uma doença grave, quando nos encontramos em situação financeira precária e risco de fome ou até quando vemos alguma tragédia na TV. E se não nos questionarmos fortemente em outros momentos, o ápice do sofrimento virá ao envelhecermos, momento em que a foice da morte aproxima-se mais amolada.

Nossos ancestrais com medo foram previdentes e assim conseguiram sobreviver às difíceis e perigosas condições ambientais da vida primitiva. Chegaram assim à idade reprodutiva e aqui estamos nós, seus herdeiros do medo. O medo da morte, que ao mesmo tempo nos angustia e faz com que sejamos cautelosos, é o motor principal de uma das maiores dúvidas da humanidade:

  • O que ocorre após a morte ?!?

2 - A MORTE

Há duas formas básicas de pensar a morte: A primeira, é vislumbrar que o ser humano seria tão mortal quanto os outros animais, e uma vez morrendo, sua vida se extinguiria; e a segunda, é pensar que após a morte exista alguma forma de consciência ou vida eterna. Vamos entendê-las um pouco:

Se vislumbrar que o ser humano seria tão mortal quanto os outros animais não foi nada atraente nem acalentador - por exigir, além de muita coragem para aceitar uma morte eterna, a humilde constatação de que o homem teria o mesmo destino de baratas, camelos, esquilos, ratos e porcos -, a outra forma de lidar com a sombra da morte eterna prevaleceu no homem da antiguidade.

A primeira linha de raciocínio, hoje cada vez mais aceita, ou não foi considerada à época, ou foi rapidamente descartada em virtude de exigir um enfrentamento doloroso demais do que já é fonte de sofrimento.

Não!, ‘pensaram’ nossos ancestrais, Nós somos a supremacia da natureza, andamos sobre dois pés, e temos controle sobre as feras com nossa visão binocular, somos o caçador, não a caça !!! O mundo foi feito para nós, para que nós o dominemos! Por isso, nós somos especiais e dignos da vida eterna, sobreviveremos à morte!

Esse pensamento de supremacia do homem é totalmente compreensível porque foi entendido por observação; é recorrente em muitas religiões mesmo que de maneira não tão explícita, e rendeu hipóteses antropocêntricas como a de que a Terra seria o centro do Universo.

A primeira corrente entende a morte dentro da explicação natural e a segunda corrente rejeita a morte natural e defende alguma explicação sobrenatural para a imortalidade.

Algumas pessoas, no entanto, alternam-se entre as duas correntes e acham que pode haver alguma forma de vida após a morte, mas não defendem nenhuma doutrina em particular.

Quando os primeiros homens começaram a pensar que a imortalidade poderia ser um prêmio, uma concessão muito, muito especial, e constataram que nem o poder humano nem as forças da natureza seriam capazes de devolver-lhes a vida, o poder foi ‘repassado’ para o mundo sobrenatural.

Assim, panteões e panteões de deuses surgiram, com diversos nomes, em vários tempos e lugares. As diferentes religiões ensinam que um deus, vários deuses ou uma força superior do Universo conceda ou concedam tal privilégio em contrapartida ao cumprimento de preceitos diversos.

Assim, religiões ou doutrinas incluem em maior ou menor grau   rituais como conversão, sacrifícios de animais, oferendas/dízimos, ritos de passagem [como os Batismos, o Bar e o Bat Mitzvá], rituais de purificação, adoração, orações individuais ou coletivas, obras de caridade, experiências místicas e outros.

A vida eterna para algumas religiões pode vir também através do reconhecimento de um sacrifício pessoal em nome de Deus, como ocorre com os terroristas.

Outras religiões buscam induzir alucinações pois acreditam que assim os fiéis tenham um encontro místico ou com Deus, como por exemplo através de um jejum prolongado ou uso de drogas alucinógenas como o Santo Daime.

Os usuários de alucinógenos defendem que a droga é sagrada e abre as portas da mente para a experiência com o divino e o jejum, prática ainda comum, promove alterações cerebrais e pode fazer com que uma pessoa enfraquecida ouça vozes ou veja vultos.

Muitas religiões também adotaram rituais específicos para os funerais, como unção do corpo com óleo ou embalsamamento e outras desenvolveram a mumificação para preservação do corpo, como os Antigos Egípcios, os Incas e os Aborígenes do estreito de Torres, na Austrália.

Outras podem defender a menor manipulação possível no cadáver e sepultamento rápido, como no Judaísmo.

A antiga crença egípcia na utilidade do corpo após a morte persiste no imaginário coletivo de hoje de alguma forma, fazendo com que algumas pessoas se recusem a doar órgãos.

Além do conforto emocional no que se refere à ‘aniquilação’ da morte, que  é substituída por alguma modalidade de vida eterna, a religião pode trazer outras vantagens, como aceitação social e coesão de um grupo, além de servir como um apoio para a pessoa nos momentos difíceis da vida, acalentando suas angústias.

Para o homem que espera a morte como um evento natural e comum a todos os animais, não há muito o que acrescentar: ele encontra suas respostas na Biologia e não cria religiões para defendê-la.

  • Mas como pensa quem espera a vida eterna ?

3 – UMA TENTATIVA DE CONCEITUAR FÉ

Penso que ninguém seja capaz de definir o que é Fé sem correr o risco de ofender o conceito de Fé que cada um traz dentro em si e nutre com reverência.

Para mim, a Fé é um sentimento composto que resulta no mínimo da união de dois outros sentimentos subjetivos: o ‘sentir certeza’ através da ‘confiança’, que é aquela que não impõe a necessidade de uma prova como contrapartida.

A partir do momento que alguém procura uma prova para crer, já demonstra que não tem Fé no alvo da crença. E a partir do momento que permanece crendo, mesmo que existam evidências contrárias ao objeto, demonstra a força da sua Fé.

A pureza da Fé está, penso, naquele que aceita um preceito ou crença por sentir certeza e ter confiança na sua veracidade sem que prova nenhuma seja necessária para julgá-la.

Fé não é o mesmo que esperança, quem tem esperança, espera alguma coisa, não tem certeza. Espera. Aquele que tem Fé, tem certeza na verdade absoluta de sua crença, independente do que a contradiga durante sua jornada. Quem tem uma Fé sólida, não acha que é assim, tem certeza que é assim.

O homem que tem medo de perder a Fé ou quer que ela se fortaleça, é bastante competente em encontrar razões para fundamentá-la, por isso defende os pontos sobrenaturais da sua religião com o mesmo ardor que aponta como inválidos os pontos sobrenaturais da religião dos outros, mesmo que ambos sejam similares em sua essência.

A discussão sentimental travestida de racional acaba por gerar desentendimentos que se traduzem na sabedoria popular: Religião não se discute. 

E quando alguém que crê, discute com alguém que não crê, forma-se uma sequencia circular interminável de argumentos naturais e sobrenaturais e ambos chegam à fadiga, parando no mesmo ponto em que começaram.

A Fé de cada um é o fruto de sua experiência, suas sensações, seus anseios, sua estrutura de pensamento. É pessoal, é intransferível: nem pode ser retirada nem “ensinada” à força, tampouco no grito. Tê-la, nunca tê-la, modificá-la, perdê-la ou fortalecê-la faz parte das respostas que cada um encontra ao longo de sua vida.

É preciso saber conviver com fé ou sem fé, transformando o mundo em algo melhor para os outros e para nós, reconhecendo cada um seus limites com um pouco mais de empatia pelo coletivo. O homem não pode ser escravo dos seus sentimentos, deve perceber que cresceu e que tem um mundo vasto para cuidar.

4 – ENFRENTANDO A DÚVIDA

Muitos povos antigos criaram mitos na tentativa de explicar os diversos fenômenos naturais e  a origem do mundo, dos animais e do homem.  Boa parte das explicações trazem em maior ou menor grau soluções para a criação do mundo (de onde vim?), a origem do homem (quem eu sou?) e o seu destino após a morte (para onde vou?).

Na maior parte dos povos, os deuses tem sentimentos humanos, como raiva, impulsividade e arrependimento, porém com poderes sobrenaturais, muitos dos quais envoltos por mistérios.

Muitos deuses tem também formas humanas e criam o homem à sua imagem e semelhança, com materiais encontrados na natureza ou com partes de seu próprio corpo.

Para muitos povos, o seu deus está fisicamente em todas as partes, para outros, há uma morada específica – como o Olimpo, os Céus ou o Hades – e para outros, o deus está dividido dentro de cada um dos seres que criou.

Com relação ao poder, há religiões onde o poder é dividido com outros deuses, e religiões onde os adeptos podem recorrer a pessoas que já morreram, como no culto aos ancestrais, na veneração de imagens de homens e mulheres considerados santos ou na consulta a espíritos sábios; em outras, não existe um Deus pessoal ou ele em pouco interfere diretamente na vida das pessoas.

Para algumas  existe predestinação para um povo, com uma linha futura traçada através de algum tipo de aliança ou decisão prévia de Deus, e para outras, não há nenhum futuro particularmente destinado pois o futuro vai depender de suas próprias escolhas ou do seu livre-arbítrio.

Com relação à vida após a morte, para algumas religiões o espírito da pessoa permanece com consciência após a morte, até reencarnar tantas vezes quantas forem necessárias; para outras, ocorrerá uma ressurreição após um estado de dormência, e para outras, o espírito evoluído encaminha-se para a aniquilação e fusão com o universo.

O que de Antigo temos hoje é o que conseguiu sobreviver ao tempo e foi, dentre outras sortes, encontrado por arqueólogos e outros estudiosos, preservado pelos fiéis através de gerações, ou por meio dos diversos Livros Sagrados  que foram registrados e compilados após um longo período de Tradição Oral, anterior ao surgimento da Escrita.

Vamos nos focar mais na Eurásia, não só por ser a maior faixa de terra do mundo, como por ter sido a sede das primeiras civilizações e o berço de incontáveis religiões, muitas delas ainda presentes nos nossos dias.

Algumas notas históricas são necessárias, não para demonstrar contradições dos credos mas para nos situar no tempo e para o desfazimento de conceitos errôneos comuns.

Vamos começar pelo surgimento dos Mitos e da Escrita e de como ela se difundiu pelo mundo antigo e possibilitou a troca de informações entre os povos.

5 – DOS MITOS À ESCRITA – Uma pausa filosófica e histórica

Mas o que é um mito ? Para Jonh F. Priest, professor de Religião especializado em Literatura da Sabedoria, o mito é uma tentativa de integrar a realidade à experiência.

Para entendermos melhor o conceito de mito, vamos traduzir as suas quatro funções conforme lecionou um dos maiores estudiosos de Mitologia, o Professor Joseph Campbell [falecido em 1987]:

As mitologias tradicionais cumprem basicamente 4 funções, a mística, que visa reconciliar a nossa consciência com as condições da nossa existência; a cosmológica, que visa formular uma imagem diferenciada do Universo, supostamente vendo à frente da ciência da época; a sociológica, que visa validar e manter uma ordem social específica, endossando o código moral que julgar mais apropriado, e por fim, a psicológica, com a função de responder aos anseios e aflições do homem.

Os mitos podem durar centenas de anos, sucumbir em algum ponto de sua trajetória diante da ciência e da tecnologia ou persistir em virtude das lacunas ainda não explicadas pelo mundo natural .

A Escrita teve origem independente em alguns pontos do mundo antigo e depois foi se expandindo, com as devidas modificações de acordo com o dialeto das regiões em que penetrou.

Ela se difundiu justamente porque já havia – através de guerras, dominação, colonização e comércio – miscigenação cultural e troca de outros conhecimentos entre inúmeros povos, que influenciaram uns aos outros do desenvolvimento de técnicas agrícolas, à manipulação dos metais, confecção de armas e estruturação política. A origem da escrita tem um peso tão grande que marcou o fim da pré-história.

Segundo o pesquisador de Biologia Evolutiva e Biogeografia Jared Diamond, as duas invenções indiscutivelmente independentes da escrita foram a Escrita Cuneiforme dos Sumérios (Sul da Mesopotâmia, atual Iraque), pouco antes de 3000 anos antes da Era Cristã, e a dos Índios Mexicanos, 600 antes da Era Cristã.

Há indícios de que mais duas escritas possam ter surgido independentemente das outras: a Escrita Egípcia de 3000 a.E.C e a Chinesa, que apareceu por volta de 1.300 a.E.C.

Todos os outros povos usaram os códigos dessas quatro invenções como inspiração e adaptaram as demais escritas.

Os Sumérios usavam símbolos moldados na argila, mas com o avanço da tecnologia passaram a usar tábuas de argila arranhadas com instrumentos pontiagudos.

Há fortes evidências históricas de que relatos baseados em fatos ou lendas pré-históricas demoraram muito tempo na boca do povo e percorreram diversas regiões, até serem, enfim registradas.

A história mais antiga do mundo é um conto chamado Épico de Gilgamesh, escrito por volta de 2000 anos antes da Era Cristã. Ele apareceu na época suméria e conta a vida de Gilgamesh, um rei de Uruk, dois terços divino e um terço humano.

O Épico inclui uma grande inundação, uma espécie de dilúvio e dá pistas sobre a adoração de muitos deuses na região, surgidos por volta de 2250 a.E.C e organizados num panteão com uma trindade no topo (o Senhor do ar, um deus da sabedoria e um deus das águas doces).

Nos primórdios da religião, os sumérios ofereciam sacrifícios e procissões para garantir a colheita, pois as forças da natureza eram vistas como deuses. Só mais tarde, surgiu a crença na vida após a morte, e a crença no Sheol, uma espécie de inferno. Eles eram considerados os sábios do Oriente.

Embora não existam evidências de uma inundação cataclísmica que tenha acometido o mundo todo, há muitas evidências arqueológicas que sugerem inundações recorrentes na Baixa Mesopotâmia, e é possível que os desastres tenham sobrevivido na memória do povo sumério até o registro ocorrer.

A história da Arca que Gilgamesh construiu para salvar uma família privilegiada não aparece nas versões mais antigas do conto, e pode, conforme o historiador J.M. Roberts, ter sido incorporada ao Épico após contato dos sumérios com a tradição dos hebreus, um povo de raízes antigas, inicialmente politeísta e que mais tarde passou a adorar um único Deus.

Os Hebreus são os ancestrais dos Judeus. Eles  adotaram e adaptaram a escrita dos Cananeus  e são os autores do que hoje o mundo cristão conhece como Antigo Testamento.

Não vamos confundir, portanto, a origem de uma língua ou de um povo com a origem de sua escrita. As línguas precederam a escrita em milênios.

Basicamente só alguns  Judeus ortodoxos, os cristãos fundamentalistas e talvez alguns muçulmanos defendam que o Pentateuco (Torah para os judeus e os 5 primeiros livros da Bíblia Sagrada para os cristãos) tenha sido escrito antes do advento da escrita.


6 - NOSSAS ORIGENS SOB A ÓTICA DA FÉ – Das tábuas de Argila às naves espaciais

Segundo a narrativa de Sumérios em sete tábuas de argila, antes da criação do mundo só existiam a água doce, a água salgada e os deuses, que nasceram após a união das partes macho e fêmea da deusa-mãe criadora.

Após uma batalha entre os deuses, Marduk obtem o reinado, corta o corpo de Tiamat em duas metades que dão origem o mundo, e do sangue de Kingu, faz os homens e os destina a servir aos deuses.

Mitos hindus primitivos e os narrados nos Veda, descrevem a criação do mundo por uma deusa que surgiu das águas sentada numa flor de lótus, ladeada por elefantes que com suas trombas carregam enormes cântaros de onde jorram a água.

Conforme o Brihadaranyaka Upanishad, a criação do homem começou com um Eu que não apreciou estar só. Com o desejo forte de companhia do Eu, eis que Ela surgiu de uma metade do seu corpo. Ela então transformou-se numa vaca e Ele em um touro. Depois desta união, Ela transformou-se numa égua e ele num cavalo, e assim sucessivamente se fez, até surgirem as formigas. Após toda a criação, Ele disse: ‘Eu sou a criação, Eu jorrei isso para fora: isto sou Eu’.

Os indianos modernos e aqueles que seguem seus ensinamentos, crêem que uma parte do deus criador está em sua essência, por eles serem uma parte do próprio criador. Dai provavelmente deriva a saudação indiana Namastê, que quando usada para saudar outra pessoa, significa ‘O Deus que há em mim, saúda o Deus que há em ti’.

Na Grécia Antiga, em um dos mitos os primeiros homens descenderam do Sol, as mulheres da terra, e os hermafroditas, da Lua. Zeus não gostou do comportamento dos homens, julgando-os como arrogantes, e resolveu partir as pessoas ao meio. No entanto, ao ouvir os lamentos, Zeus se arrependeu e convocou Apolo, para ajudá-lo a consertar o que Ele havia feito.

Apolo então fez um remendo, e com o arremate do último ponto formou o nosso umbigo. No entanto, as metades originais ficaram separadas, e é por isso que homens e mulheres buscam as suas metades, por quem, quando encontradas, se apaixonam.

A Religião dos Iorubás é a que tem maior número de adeptos entre as religiões da África, continente de onde sairam os primeiros ancestrais do homem. Eles creem num panteão de cerca de 600 orixás, cada um com funções específicas. Os criadores são Obatalá, o deus que forma o embrião no ventre humano, e Olodumare, que é aquele que lhes sopra o espírito.

Para os Iorubás, quando o homem morre, e demonstrando traços em comuns com as religiões da Índia, uma parte de espírito volta para os orixás, quando então são distribuídos e reencarnam nos recém-nascidos e outra parte pode ser temporariamente incorporada em outra pessoa, que passa uma mensagem dos mortos para os vivos.

Os adeptos do candomblé já foram muito perseguidos e até hoje sofrem preconceitos diversos, pois sua crença é confundida com Macumba ou com cultos aos demônios.

Em virtude do sincretismo religioso, o mito da criação Iorubá no Brasil conta que Oxalá criou o homem a pedido de Olodumare, com a ajuda de Nanã, que sugeriu que ele usasse o barro. O Candomblé conta com adeptos dos EUA ao Brasil, e sofreu diversas modificações devido às perseguições que seus adeptos sofrem e hoje é dividido em 3 vertentes.

Atualmente, Olodumare é o único Deus, e os orixás tem um papel semelhante aos santos da igreja católica, ou seja, um dia foram seres humanos.

Para o Zoroastrismo, religião nascida na Pérsia (atual Irã) por volta de 1000 anos antes da Era Cristã e que surgiu como reformadora do politeísmo vigente, o sacrifício de animais no templo é condenável e só há um deus, o poderoso Ahura Mazdã, criador do bem e do mal.

O Zoroastrismo chegou a ser a religião oficial da Pérsia durante o domínio dos Sassânidas, 200 anos antes da Era Cristã.

Segundo Marcus Bach, o Avesta (registrado pelos Persas em pele de bezerro, em período posterior à morte de Zoroastro) relata que o mundo foi criado em 6 dias e o primeiro homem e a primeira mulher, Mashya e Mashoy, foram colocados num jardim chamado Paraíso, mas foram expulsos por terem desobecido Ahura Mazda.

Segundo a tradição Zoroastro nasceu de uma virgem,  foi dotado de profunda sabedoria desde a infância e seus adeptos aguardam sua volta ao mundo para a ressurreição dos mortos após o juízo final. Conforme dados da Adherents.com, a religião conta com 2,6 milhões de adeptos no mundo.

Segundo a tradição judaico-cristã registrada no capítulo primeiro do livro Bereshit (ou Gênesis), no princípio Deus criou os céus a terra e tudo que nela há em seis dias, quando decidiu então fazer o Homem à sua imagem e semelhança. Deus determinou que ‘tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja sobre a terra.’ No Capítulo 2, versículo 5, o livro revela: Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente’.

Em seguida, Deus plantou um jardim no Éden (‘da banda do oriente’) onde ‘fez brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento’ e pôs nele o Homem que havia formado. Para criar a primeira mulher, está escrito que Deus usou uma das costelas do homem depois de tê-lo feito cair em ‘sono pesado’.

Os índios Guaranis também teriam explicado a criação do mundo e dos homens, porém eu não consegui conferir essa fonte. O Deus supremo é Tupã, que desceu até a terra e sobre um monte e ordenou a criação de tudo o que há na terra e no céu.

Conforme a tradição, o homem e a mulher Guarani foram os primeiros homens de todos os povos e surgiram da argila misturada a outros materiais para a confecção de estátuas por Tupã, a seguir sopradas por ele para que tivessem vida.

Um dos filhos do primeiro homem foi o grande profeta do povo Guarani, no entanto, o seu irmão era muito mal e cometeu suicídio, ressuscitando como um caranguejo. É justamente por esse motivo que os caranguejos estão eternamente condenados a andar para trás. Eu acho a explicação Guarani muito bonitinha.

Para a Igreja da Cientologia, religião criada por L Ron Hubbard, antes da origem dos seres humanos e houve uma reunião interplanetária, sob a batuta de Xenu.

Como Xenu julgou que havia um inchaço populacional planetário, ele mandou bilhões de pessoas extraterrestres para o Planeta Terra e os assassinou usando Bombas de Hidrogênio e seus espíritos deram origem à espécie humana. Eles creem que após a morte, nosso espírito passa a procurar um novo corpo a fim de retornar à Terra.

NOTA:

Quando uma religião nova aparece, as pessoas a princípio resistem e ela pode desaparecer ou se espalhar lentamente. Muitas religiões sofreram e sofrem perseguição por séculos, como sofreram os cristãos nos primeiros anos de sua história, os iorubás no Brasil Colônia, os Judeus ao longo de toda sua história e os da Fé Baha’i, no Irã.

Mas se algumas pessoas são convertidas e passam a doutrina adiante, ela tende a crescer e começa o mesmo ciclo de pai para filho, crescendo mais ainda. Tomando como exemplo a Cientologia, cerca de 500.000 pessoas já adotaram a Fé, entre eles atores e atrizes famosos.

7 – DO TAO AO CORÃO – Uma folheada em alguns  Livros que norteiam a fé do homem contemporâneo

O Tao Te Ching foi concebido por volta de 600 anos antes de Cristo, é um livro sagrado que revela Deus e teria sido escrito por Lao Tsé, um ser imortal conforme a Tradição Chinesa.

Na tradução que chegou às minhas mãos, o Tao não tem os seus poemas divididos em versículos como o Bhagavad Gita, a Bíblia ou o Alcorão, são capítulos bem mais curtos.

O livro não traz o conceito de deus criador nem o conceito do deus pessoa e sim o conceito do deus que não tem forma ou sentimentos humanos, é inominável e não tem um lugar específico de moradia: eles são monistas cósmicos. O Tao afirma que todos os visíveis nascem do invisível e prega o caráter insondável da Divindade.

O Tao ensina que devemos viver numa vida sem violência, no entanto dá conselhos como se pode enfraquecer uma pessoa e dominá-la através de pressão psicológica, no poema número 36, o ‘Dominar sem violência’, destinado aos Chefes de Estado.

No poema 67 ele critica o homem que luta pelos seus direitos: ‘Não tem mais suficiência, só reclama seus direitos; ninguém sabe ser modesto, mas só pensa em sucesso. Isso conduz à ruína’; e no poema 79, mais claramente, reza: ‘Cumpre o teu dever e esquece teus direitos. Quem se guia pela voz da consciência / Só atende à voz do dever /E não insiste em seus direitos’ e finaliza afirmando que o poder eterno favorece os bons.

O Tao Te Ching tornou-se o Livro de cabeceira de muitos líderes religiosos e políticos.

O Budismo nasceu por volta de 528 anos antes de Cristo, quando Siddharta Gautama, um príncipe ou aristocrata indiano (não há consenso à respeito) atingiu um estado de Iluminação.

Consta na biografia  do Buda que ele havia deixado para trás a família, o luxo e riqueza com os quais vivia aos 29 anos de idade, a fim meditar e jejuar na Floresta. Só quando atingiu o ápice da experiência religiosa, aos 35 anos, passou a atender pelo nome de Buda e viveu até os 80 anos transmitindo seus ensinamentos aos seus discípulos. Ele pregava através de parábolas.

Buda criou uma Doutrina onde não existe um deus e exorta as pessoas para o caminho da bondade, explicando que o mal que o homem faz, recai sobre ele mesmo e que a remissão do mal é feita através de reencarnações. Na sucessão de vidas a pessoa tem a possibilidade de corrigir os erros de vidas passadas.

Conforme a Doutrina, após atingir o Nirvana mal é aniquilado e o ciclo de reencarnações termina.  O Budismo conta com cerca de 376 milhões de adeptos.

O Bhagavad Gita foi escrito 400 anos antes de Cristo, e é um dos textos mais respeitados pelos Indianos. Contem a filosofia de Brahma nas palavras de Krishna, tem um linguajar poético e é rico em parábolas. É um livro bem bonito.

No capítulo 2, Krishna revela a vida eterna através da reencarnação e orienta que o homem se desapegue e permaneça sereno em meio ao sofrimento.

No capítulo 4, versículo 11, Krishna ensina como encontrar a salvação da alma: ‘Quem me adora é elevado a mim; andará nos meus caminhos, e eu satisfarei todos os seus desejos’ e no versículo 24 ele fala sobre o caráter de Deus: ‘Deus é o amor, Deus é o Holocausto, Deus é o Fogo, Deus é o sacrificante; de maneira que quem age com as consciência em Deus, realiza deus em si, o Eu supremo.’

No capítulo 14, Krishna reza: ‘Pois, toda vez que nasce um ser, seja em que forma for, sou Eu, o espírito do Pai, que lhe dou vida, deitando as sementes das quais as formas nascem.’

Conforme a sabedoria hindu, Krishna foi atingido por uma flecha. Ele perdoou o caçador, e após suas últimas palavras ‘nada tema’, morreu, ascendeu aos céus cercado de luz e encontra-se acolhido pelos deuses. No momento em que Krisha subiu aos céus, as trevas invadiram a terra.

Conforme a Torá/Torah, através do patriarca Abraão, D’us fez uma aliança com o povo Hebreu, dando-lhe por herança a Terra Prometida e prometendo-lhe geração tão numerosa quanto os grãos de areia do mundo.

A Aliança foi fechada com a instituição da circuncisão de todo homem de sua geração no oitavo dia de vida, incluindo tanto o escravo nascido em casa como o escravo comprado de qualquer nação estrangeira.

Para a tradição judaica, D’us esteve ao lado do povo eleito durante o cativo egípcio, e após os hebreus sofrerem um longo processo de servidão a um Faraó (Ramsés II ?), são conduzidos ao Deserto por Moisés e após peregrinação de 40 anos, chegam ao seu destino.

Moisés, entretanto, teria morrido antes de entrar na Terra Prometida. Segundo os Judeus, as orientações de D’us sobre a não adoração de imagens, as medidas higieno-dietéticas, as leis sobre adultério, roubo e homicídio que contabilizam ao todo 613 mitzvot, foram registradas por Moisés durante o período. Muitas das práticas do Judaísmo remontam ao êxodo do Egito.

Um episódio muito importante da Torah para a fundamentação do Islamismo é pormenorizadamente relatado no primeiro livro. O patriarca Abrão/Abraão, casado com sua irmã Sarai/Sara (‘a filha de meu pai, mas não a filha de minha mãe; e veio a ser minha mulher’) que se encontrava em idade avançada e assim não poderia lhe daria descendência, tomou para si – a pedido de Sara -, a serva egípcia Agar, com quem teve um filho chamado Ismael.

Agar vendo-se gestante, dezprezou Sara como sua senhora. Sara, após queixa formal feita a Abraão, recebe carta branca para agir da maneira que julgasse correta.

Após ser humilhada, a gestante Agar foge para o deserto, onde sozinha, dá a luz a Ismael. Quando Sara contava com a idade de 90 anos, D’us a abençoou e ela deu à luz a Isaac/Isaque.

Ismael foi abençoado por D’us, porém sua aliança foi estabelecida com Isaac.

A descendência de Ismael corresponde ao povo muçulmano, e a descendência de Isaac, ao povo Judeu. Judeus e muçulmanos são, conforme a tradição, irmãos por parte de pai e herdeiros da mesma herança.

A crença no D’us da Torá partiu-se em momentos históricos distintos, fundamentando além do Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

Em cada uma dessas grandes religiões existem entendimentos bastante diversos sobre o mesmo Deus, ancorados em três pessoas nas quais cada fé se revela: Moshe (Moisés), Muhammad (Maomé) e Jesus Cristo, respectivamente, e três Livros Sagrados diferentes.

A Igreja Católica declarou como canônica uma tradução grega dos livros judaicos, que inclui material não canônico para o Judaísmo e que teria sido escrito originalmente em grego 400 anos depois da morte de Cristo Cristo.

Alguns outros livros foram reunidos até a Bíblia chegar à formatação de livros que conhecemos hoje. Os cristãos denominam os livros que antecedem o nascimento de Jesus Cristo como Velho ou Antigo Testamento e os livros mais recentes, são conhecidos como Novo Testamento.

No século XVI, a Igreja Católica através do Concílio de Trento, optou por manter a maioria do material copiado do Grego, por isso o Antigo Testamento usado pelos católicos tem diferenças do adotado pelos protestantes – que optaram por excluir alguns livros e excertos.

Conforme os Judeus, ambas as Bíblias apresentam diferenças significativas quando comparadas ao material hebraico original que em ponto algum diz que o messias nasceria de uma virgem, mas de uma mulher jovem.

Há muitas controvérsias sobre quando cada livro do Novo Testamento foi escrito, mas se estima que o livro mais antigo – Marcos – tenha sido escrito por volta de 60 anos depois de Cristo.

Um dos evangelhos excluídos durante a seleção dos livros que fariam parte do Novo Testamento é o Evangelho de Tomé, que conforme os demais evangelhos, foi um apóstolo que conviveu com Jesus.

Tomé não cita que Jesus teria nascido de uma jovem virgem, e não cita que Jesus ressuscitou. Os discípulos perguntam quando o repouso para os mortos ocorrerá e virá o mundo novo, e Ele responde:’O que vocês esperam já veio, mas vocês não o conhecem’. É um evangelho pequeno e de leitura suave, a minha versão é bilíngüe.

Da mesma forma que seus antecessores Lao-Tse e Buda, Jesus Cristo pregava em forma de parábolas, e segundo os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, foi seguido por discípulos, curava pessoas ‘endemoninhadas’ e realizava outros milagres.

O Apocalipse – transcrição do grego ‘Revelação’ – é o último livro da Bíblia Cristã e contem uma linguagem literária profética comum a vários outros apocalipses que surgiram no primeiro e segundo séculos depois de Cristo.

Segundo a tradição cristã, ele foi escrito pelo apóstolo João, no período em que ele se encontrava exilado na Ilha de Patmos, na Grécia (os cristãos sofreram perseguição inicial pelo Império Romano; o Cristianismo só foi reconhecido como religião em 313 dC, pelo Imperador Constantino).

O Apocalipse atribuído ao apóstolo João foi o único escolhido pela Igreja Católica para compor a Bíblia.

O livro narra de maneira literal para alguns e alegórica para outros, a vitória de Cristo sobre Satanás, que antes de ser derrotado ficará preso/amarrado por 1000 anos.

O Satanás será então lançado para o lago de fogo e enxofre, onde já estava a Besta e o Falso Profeta, acompanhados dos infiéis e todo aquele que ‘fizer qualquer acréscimo’ ou ‘tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia’.

Na composição da narrativa, o poeta ou profeta fez uso de seres presentes na Mitologia Grega e outros elementos culturais da época, como os Dragões.

Conforme os cristãos católicos e protestantes, os infiéis são os que, independente de suas boas ações no mundo e apesar de crerem em Deus, como os Judeus e os muçulmanos, não se converteram a Jesus, e todos os outros de outras religiões ou sem religiões que tiveram acesso aos Evangelho e não se converteram, como os ateus, agnósticos, budistas.

Para os outros Cristianismos, como os Mórmons, os Testemunhas de Jeová e os Espíritas Kardecistas, o entendimento é diferente.

O Dogma de Maria como Mãe de Deus foi decidido no ano 431 durante o Concílio de Éfeso, e a veneração de imagens foi acolhida no Segundo Concílio de Nicéia em 787. Para os católicos, os Papas agem sob inspiração do Espírito Santo e são infalíveis. Os protestantes rejeitam essas revelações e para os espíritas estas questões não são relevantes.

O Espiritismo é uma doutrina criada pelo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) em meados do século XIX.

Com o seu ‘Evangelho Segundo o Espiritismo’, Alan Kardec argumenta a favor da reencarnação para evolução do nosso espírito através das mensagens de Jesus Cristo e tem adeptos principalmente no Brasil.

Muitos evangélicos brasileiros julgam a Doutrina Espírita como uma revelação do demônio, mas muitos católicos são simpatizantes e consideram a possibilidade de existir Reencarnação.

Uma pesquisa realizada pela Vox Populi e divulgada pela Revista Veja em sua edição de 27/07/2008 revelou que 59% dos brasileiros crêem em espíritos, no entanto, só 3% dos entrevistados declarou-se ser espírita.

Considerando todas as divisões e subdivisões do Catolicismo, Protestantismo, outros Cristianismos ou católicos não praticantes,  cerca de 33% das pessoas se declara cristã, ou seja, quase 70% da população mundial segue outros credos ou não tem credos.

O Cristianismo sofre um declínio em alguns países Europeus, como a Inglaterra, França e Alemanha, mas permanece prevalente em países pobres da África, na Ásia e na America Latina, onde há expansão das igrejas evangélicas.

O Alcorão, Livro Sagrados dos muçulmanos, contem a palavra de Alah – o misericordioso. Foi compilado no ano 632 depois da Era Cristã, após a morte do Profeta Muhammad [Maomé].

Como os cristãos em relação à conversão a Jesus Cristo, os muçulmanos também crêem na vida após a morte e garantem o martírio eterno no fogo como o destino para os que não se convertem. Para os cristãos, os muçulmanos passarão a vida eterna entre choro e ranger de dentes, e para os muçulmanos, isto ocorrerá com os cristãos.

O Alcorão exorta os Cristãos à conversão ao Islamismo na Sura 4, em seu versículo 171, onde afirma que Alah não poderia ter um filho. Na Sura da Vaca, a mais longa do Alcorão, está claramente expresso nos versículos 6 e 7 a condenação dos outros: ‘(…) Allah selou-lhes os corações e o ouvido; e, sobre suas vistas, há névoa. E terão formidável castigo.’

Sobre o fim de todas as coisas, Mohammad relevela no versículo 15 da 3ª Sura que ‘(…) Para os piedosos, haverá, junto ao Senhor, Jardins, abaixo dos quais correm os rios; nesses, serão eternos e terão mulheres puras e agrado de Allah ‘. A 56ª Sura reza como será o Julgamento, e sugiro a leitura dos versículos 4 a 26, 35 a 44 e 77 a 80.

Da mesma forma que ocorre com os Judeus, a violência que caracteriza as facções extremistas não se estende ao povo muçulmano de maneira geral, e eles não merecem ser tratados como terroristas.

Como vimos, as diferenças entre as 3 grandes religiões não ocorrem apenas entre elas.

Cada uma delas, sobretudo o Cristianismo, tem correntes tão diferentes ao ponto de se produzirem inúmeras subfragmentações dentro de cada denominação. Cada um segue conforme o que aprendeu na infância, suas escolhas futuras e conforme sua fé.

8 – DAS CRUZADAS À MALHAÇÃO DO JUDAS – Uma breve história do ódio religioso

Em 1096 deu-se inicio a uma série de Cruzadas quando uma multidão de cristãos partiu Europa adentro massacrando comunidades judaicas e outros ‘hereges’.

Ao chegarem à Turquia, foram praticamente dizimados, no entanto alguns sobreviventes chegaram a participar da Cruzada dos Nobres, idealizada pelo Papa Urbano II e iniciada no mesmo ano. Essa bárbarie que só teve fim no ano de 1272, foi apoiada pelos diversos Papas que dividiram o poder da Igreja no período e resultaram na morte de muitos muçulmanos, judeus e cristãos europeus.

Em meio às Cruzadas, após o Concílio de Verona (1184) surgiu a Santa Inquisição, que teve como finalidade julgar as pessoas acusadas de heresia.

Durante os anos seguintes, pessoas foram acusadas de possessão demoníaca, cultos pagãos e bruxaria, sendo ou absolvidas ou julgadas e condenadas para que o Estado aplicasse a pena capital.

Na época da Peste Negr, muitos judeus e outras pessoas acusadas de bruxaria foram assassinados sob a alegação de terem causado a doença.

A pedido dos Reis Fernando e Isabel foi instituído o Tribunal do Santo Ofício e a criação da Inquisição Espanhola, dando-se formalmente o início a uma das páginas mais cruéis da História da Humanidade em virtude das ações do Frade Dominicano Tomás de Torquemada e seus apoiadores.

A Inquisição, além de aumentar o poder e a riqueza dos membros da Igreja Católica, também serviu para reprimir o avanço dos protestantes sobretudo em Portugal, na Itália e na Espanha.

Há algumas páginas católicas que tentam minimizar as ações do Santo Ofício demonstrando as mortes de católicos que ocorreram durante conflitos com protestantes, no entanto, o mal de uma não diminui o mal da outra, tampouco o justifica.

O que está sob nossa avaliação não é uma religião A ou B, mas o quanto uma crença pode ser usada pelo poder para justificar exploração dos fiéis e gerar mortes.

Dois casos particularmente horrendos dos tantos que envolveram adolescentes, são relatados pelo premiado jornalista James A Haught, no livro Holy Horros (Perseguições Religiosas, na tradução para o Português). Em 1583 uma garota vienense apresentou fortes dores de estômago e foi diagnosticada como possuída pelo demônio por uma equipe de Jesuítas, e foi exorcizada durante 8 semanas.

Os padres acusaram a avó da menina de Bruxaria e de ter mantido relações sexuais com o Satanás. Ela foi condenada após tortura e queimada viva.

Na França, em 1766 um garoto foi acusado de zombar da Virgem Maria e foi condenado a ter a língua cortada, a mão decepada, e a ser queimado na fogueira.

Os protestos da sociedade contra a pena foram inúteis. Após tortura e execução, seu corpo foi queimado no dia primeiro de julho junto com um exemplar do Dicionário Filosófico, de Voltaire, uma das pessoas que tentou evitar o martírio do garoto.

A Inquisição teve altos e baixos e se estendeu até cerca de 1821.

É preciso que esclareçamos que ‘A caça às bruxas’ foi um fenômeno não restrito à Inquisição, e levou à morte de 50.000 a 100.000 pessoas (não de milhões de pessoas como algumas páginas na internet alegam).

A história da caça demonstra que muitos tribunais católicos eram muito mais ‘benevolentes’ no julgamento do que os tribunais protestantes e do Estado.

A insaninade coletiva iniciou-se a partir de uma obra de dois padres dominicanos que se popularizou mais rápido do que a Igreja conseguiu conter.

A última mulher torturada até que declarasse ser uma bruxa, foi a empregada doméstica de um protestante que alegou que ela havia enfeitiçado o leite das filhas, o que levou as meninas a cuspirem agulhas.

A comoventes história acabou virando um filme. Aventa-se a hipótese de que a moça havia na verdade sido estuprada pelo patrão, que usou desse artifício para livrar-se dela e não se prejudicar perante a sociedade.

Como se não bastasse, a partir do século XVIII surgiu uma outra fase de Jihads (a Guerra muçulmana contra ‘os sem fé’ que se iniciou desde os primórdios do Islã), que resultou na morte de 10.000 egípcios em 1880.

Milhões (sim, milhões) de pessoas, entre Judeus, pessoas com deficiência mental, ciganos, Testemunhas de Jeová, idosos e prisioneiros poloneses e soviéticos, foram mortos pelos Nazistas durante a II Guerra Mundial, sob a batuta de Hitler.

Dos ‘escolhidos’, os Judeus foram considerados o alvo principal da chamada ‘Solução Final’, que visava alcançar a supremacia da ‘raça’ ariana em detrimento das ‘raças inferiores’, realizando assim ‘a obra de Deus’.

A convicção ideológica de Hitler, segundo ele mesmo relata em Mein Kampft, ocorreu entre 1908 e 1913, quando vivia em Viena. Hitler finaliza o capítulo II de Mein Kampft, assim: Por isso, acredito agora que ajo de acordo com as prescrições do Criador Onipotente. Lutando contra o Judaísmo, estou realizando a obra de Deus’.

Uma forte influência intelectual que Hitler recebeu foi o livro ‘Die Theozoologie’, de um estudioso católico chamado Jörg Georg Lanz von Liebenfels que defendeu a esterelização das ‘raças inferiores e a supremacia da ‘raça’ ariana.

Liebenfels valida sua teoria afirmando que as ‘raças inferiores’ são bestas de pele escura nascidas da união entre Eva e o Demônio.

NOTA:

No final da guerra, dois terços da comunidade Judaica Européia havia desaparecido, o equivalente a um terço de toda população judaica do mundo.

Na Irlanda do Norte, durante as três décadas de guerra civil entre a maioria protestante e a minoria católica, milhares de vidas foram ceifadas em virtude dos diversos atentados que ocorriam compulsivamente e a despeito das tentativas de paz. A guerra entre os fiéis terminou como um passe de mágica quando as elites cristãs dividiram o poder no final do mandato de Tony Blair, em 2007.

Em 1980, um conflito entre muçulmanos e hindus provocado por um porco [considerado animal imundo] que pisou em solo sagrado muçulmano resultou na morte de cerca de 200 pessoas.

Entre 1978 e 1998, cerca de 200 adeptos da Fé Baha’i foram mortos sumariamente pelos Xiitas do Irã. Apesar dos esforços da ONU, até hoje eles tem suas casas saqueadas, são perseguidos em faculdades e no trabalho, detidos sem justa causa ou desaparecem sem deixar vestígios.

Os conflitos que de alguma forma envolvem muçulmanos, judeus e/ou poderio econômico americano  horrorizaram mais uma vez o mundo já estupefacto com as hordas de ataques terroristas quando o bombardeio à faixa de Gaza em 27 de dezembro de 2008 foi noticiado.

Da sequencia de ataques até o cessar fogo em 19 de janeiro de 2009, ocorreram mais de 1.300 mortes.

A negociação da trégua não está sendo exatamente o que o mundo espera , e acaba sobrando pros países  que tentam ajudar no acordo. Não importa quem começou, nem o quanto se alternam no sistema de vitimização e culpa, alguém quem que parar com essa estupidez.

Poderíamos continuar citando inúmeros fatos concretos igualmente ou mais tenebrosos do que os já elencados, poderíamos voltar ao tempo e lembrar do martírio dos primeiros cristãos, das mortes de Sócrates e de Giordano Bruno, mas isso é desnecessário.

Melhor paramos para pensar também nas pequenas violências perpetradas em nome da religião presentes nos dias de hoje, muitas das quais sobrevivem sob a égide da Justiça, da tradição ou em nome da liberdade religiosa.

Os livre pensadores prostam-se, perplexos, diante das transgressões que continuam sendo toleradas pela sociedade, desde a aparente inofensiva cobrança de pagamento aos fiéis que de fato em muito ultrapassam os custos para manutenção de Igrejas e templos, até promessas de cura que desviam os fiéis de tratamentos reconhecidamente eficazes a aconselhamento para que seus fiéis evitem deliberadamente profilaxia contra doenças sexualmente transmissíveis ou que deixem crianças morrerem quando ainda não tem idade para escolherem se preferem morrer a receber uma hemotransfusão.

E a malhação do Judas?

O costume da Malhação do Judas, que consiste no ‘martírio’ de um boneco de tamanho humano é uma festa.

A homenagem mórbida à Inquisição com o culto à violência ocorrida no passado acontece durante os Sábados de Aleluia, em várias partes do Brasil.

Na cidade de Itu, em São Paulo, a versão do ‘herege’ Judas é um homem em tamanho bem maior do que o visto nas outras cidades, que é queimado após ser detonado com dinamite durante os festejos que ocorrem em frente a uma Igreja em meio a um batuque carnavalesco com tempero africano.

É, na minha opinião, uma apologia bizarra à violência que deveria ser realizada longe da presença de crianças, que merecem ser estimuladas a aprender a não-violência, e não a condenar e aplicar uma pena para um ‘infiel’ nos moldes da Inquisição!

As alcunhas destinadas aos Judeus como ‘adversários de Deus’, ‘víboras’, ‘blasfemadores’ , ‘povo degradado e pérfido’, ‘matadores de Jesus’ ou acusações de que Judeus sacrificam crianças e de que as Sinagogas são Templos do Demônio foram proferidas por São Gregório, São Bernardo de Clairvaux e São João Crisóstomo e povoam a mente de muitos cristãos.

9 - O PECADO E A MORAL DO HOMEM

As religiões, de uma maneira geral, tem um código de leis ou um código moral a ser seguido para combater o pecado, como por exemplo a proibição de usar preservativos para o Catolicismo ou a condenação do sexo anal pelos evangélicos.

Tal código atende às necessidades da sociedade em uma época, mas tende a ser modificado com a evolução social: a sociedade pede, a lei muda.

O apedrejamento de mulheres ainda se encontra no código moral do Islã, mas o mundo não aceita mais. O que é imoral para uma religião pode não ser imoral para outra, e o que é moral para uma religião pode ser totalmente inaceitável para a sociedade, bem como o que é imoral para uma religião, como alimenta-se de algo específico, pode ser plenamente compatível com a moralidade da sociedade em geral.

Para os católicos, a adoração de imagens é moral, para os evangélicos é um pecado mortal. Para a sociedade não religiosa, adorar ou não adorar imagens não gera nenhum tipo de imoralidade.

Abuso infantil, poligamia e escravidão são condenações legais que ocorreram por pressão da sociedade, e a despeito de ocorrerem há milhares de anos não estão previstas em códigos morais de boa parte das religiões.

Alguns religiosos costumam afirmar que sem religião ou sem crer em um ou mais deuses, as pessoas são destituídas de moral ou são seres sem consciência. Essa afirmação em si, já é imoral. Além disso, sugere que seus fiéis só não são viram assassinos porque acreditam que isso é pecado, ou não são estupradores porque isso pode levá-los ao inferno.

As pessoas em geral não são assassinas, estupradoras ou ladras porque existe no homem, independente da religião que ele tenha ou não tenha, uma coisa chamada consciência, outra chamada culpa, outra chamada remorso e outra chamada medo das consequencias; além disso, existe a consciência social do nossos direitos e deveres como cidadãos.

O Código de Hamurabi, talvez a mais antiga codificação de leis, já previa penas rígidas para assassinato e roubo. Em todos os países a Lei ‘dos homens’ tende a punir com mais severidade o que a maioria dos homens já rejeita ou que teme para si.

Não prejudicar os outros é uma forma indireta de poder exigir que você também não seja prejudicado, por isto este é um comportamento vigente na maior parte das pessoas. Foi com esse comportamento que os nossos ancestrais se adaptaram uns aos outros.

Da mesma forma que o medo da morte, esses sentimentos morais são universais e de raízes primitivas e ocorrem em pessoas de todo o mundo independente de suas origens, religiões, do seu sexo, orientação sexual, da cor da sua pele ou de sua condição social e não foram necessariamente ensinados por nenhuma doutrina específica: nenhuma doutrina, em momento algum da História da Humanidade, norteou o mundo inteiro e nenhuma pessoa está autorizada a arrogar para os objetos de sua Fé, a origem dos sentimentos morais do homem.

Os sentimentos humanos, tanto os considerando ‘bons’ quanto ‘maus’, antecedem e sobrevivem às religiões e desenvolveram-se ao longo dos milênios de nossa existência. O homem, como afirma Robert Wright, é um animal moral.

Uma religião só consegue se manter atual quando acompanha o homem moral, que olha sempre além dela e a modifica. E por esse motivo em parte, as religiões mudam tanto ao longo dos anos e se subdividem tanto.

Demonstra tanta ignorância aquele que afirma que uma pessoa que não crê em seu deus ou deuses é destituída de moral (‘um pecador’) quanto um ateu que afirma que aquele que crê em um ou mais deuses é destituído de inteligência – são duas generalizações comuns e igualmente ridículas.

Quantidade de inteligência e crença não se excluem, tampouco são diretamente proporcionais, da mesma forma que não crer nem é inversamente proporcional à moralidade, nem a exclue.

O homem não é uma moeda de duas faces, tem um cérebro avantajado e complexo que segue inúmeras trincheiras. Julgar o homem por um rótulo, isso sim, é sinal de pouca inteligência.

10 – A CIÊNCIA COMO DIVISOR DE ÁGUAS

Após os estudos de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei e passadas as ameaças de condenação à prisão por heresia, as pessoas aceitam sem conflitos que a Terra não é plana e nem de perto é centro do universo.

E hoje, passados pouco mais de 400 anos, muitas outras descobertas científicas tem feito crenças se perderem ou se diluirem com o tempo e já dividem muitas convicções religiosas em grandes blocos.

Como veremos, e boa parte dos religiosos já admite, as Escrituras Sagradas não são livros de ciência.

.:. As Doenças e as Deficiências como manifestação do Satanás

A Epilepsia e a Hanseníase (‘lepra’) foram por muito tempo consideradas manifestações do Demônio.

Com o avanço da ciência, descobriu-se que a Epilepsia é uma doença neurológica tratável na maioria dos casos, e os exorcismos de Epilépticos feitos por líderes cristãos são raros.

Já sabemos que a Hanseníase é de fato uma doença infecto-contagiosa, igualmente tratável e que não existem demônios dentro dessas pessoas.

A princípio a constatação de que as doenças não são causadas por entidades do mal pode ter dividido os cristãos, mas é pouco provável que muita gente além de fiéis envolvidos por pastores de algumas denominações evangélicas acredite nestas afirmações bíblicas.

No entanto, até hoje muitas pessoas demonstram medo de pessoas com Epilepsia e de pessoas com Hanseníase, mesmo que elas estejam em tratamento.

As pessoas com deficiência também eram proibidas de entrar nos Templos por serem consideradas impuros, e até hoje sofrem enorme preconceito e precisam de Leis para protegê-las dos conceitos que vieram lá da Antiguidade.

No capítulo 12 do Livro de Mateus (no Novo Testamento, Bíblia Cristã), o versículo 22 afirma que a deficiência sensorial é coisa do demônio. ‘Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e ver.’

Já sabemos que a cegueira e a surdo-mudez tem muitas causas, como infecções congênitas, causas genéticas, intoxicações e doenças crônico-degenerativas, portanto essa crença também já caiu por terra em resposta ao conhecimento científico.

A Bíblia afirma que Jesus teria feito exorcismos, o que pode estar estimulando as pessoas de algumas denominações cristãs a manterem a crença anterior, a despeito das descobertas da Medicina.

Como a Epilepsia não pode mais ser considerada obra do demônio, hoje vemos pessoas com crises conversivas  dentro de Igrejas cristãs sendo consideradas como possuídas pelo demônio.

É uma situação muito triste, pois essas pessoas deveriam ser tratadas e não sofrerem mais ainda com o seu problema achando que foram escolhidas pelo satanás.

Fora isso, há as pessoas com transtorno de personalidade e com transtorno no controle de impulsos, que fingem situações diversas para chamar a atenção para si, ou apenas os alguém que queira pregar uma peça nos líderes religiosos, ajudando a confirmar a crença.

As imagens de exorcismos nos cultos cristãos são sempre similares, após o discurso inflamado e hipnotizante do Pastor, uma ou mais pessoas entram em transe histérico ou tem um episódio dissociativo ou simplesmente finge.

Após a ordem do pastor o ‘demônio’ pode conversar no microfone em português, dançar funk, jogar uma granada imaginária no público, imitar um revólver, e quando o Pastor clama pelo nome de Jesus ou assopra ou bate palmas, o demônio ‘liberta’ a pessoa. Os exorcismos sempre funcionam e terminam com a conversão da pessoa e o aplauso emocionado de todos.

O que alguns Pastores estão utilizando agora como sinais de possessão demoníaca, já que as doenças infecciosas e outras já não convencem, são as doenças psiquiátricas, como depressão, a insônia, a irritabilidade. E as pessoas, infelizmente, acreditam.

A alienação mental é citada no Livro de Marcos, capítulo 5, descrita como ‘andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e entre os montes, ferindo-se com pedras’ e ‘nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-los’.

Isso constitui um quadro comum de surto psicótico e de esquizofrenia. Muitas pessoas com Esquizofrenia, transtorno de personalidade e outros distúrbios psiquiátricos provocam ferimentos em si mesmas (automutilação), e muitos deles comportam-se como os andarilhos que vemos sujos andando a esmo pela cidade.

.:. Mau-olhado

Como a crença em horóscopos que remonta aos adivinhos da Babilônia, a crença na existência do ‘mau-olhado’ ainda é popular no Brasil, e não só entre as pessoas de baixa escolaridade.

Como boa parte das doenças infantis melhora com ou sem tratamento, as benzedeiras permanecem levando o crédito pela melhora natural das viroses e de outros desconfortos infantis, mantendo a crença em algumas regiões do Brasil.

A partir de 1970, quando se começou a levantar os dados históricos sobre a Bruxaria e os feitiços, descobriu-se que muitos fatos atribuídos ao mal consistiam nas superstições de que as doenças infecto-contagiosas e outras poderiam ser causadas por ‘mau-olhado’ (feitiço) , bem como das manifestações de alteração de comportamento que mulheres e homens acusados tinham em virtude de condições diversas, como intoxicação alimentar.

Muitas parteiras foram mortas sob acusação de Bruxaria, porque a mortalidade infantil ainda era muito alta naquela época e elas eram acusadas de lançar o seu mau olhado contra os nenês.

A mente humana é muito competente para criar crenças, porque ela seleciona os supostos fatores que confirmam uma alegação e estende isso para a maioria dos casos.

Por isso as pessoas continuam crendo em leitura das mãos e em videntes de uma maneira geral, e caem tão automaticamente nas conversas dos vendedores de cura fácil: o cérebro humano é predisposto a crer.

No geral as pessoas são tem o hábito de submeter uma informação a um escrutínio, esquecem que as pessoas mentem por motivos diversos, e usam depoimentos dos outros para validar algo que deveriam confirmar por si mesmas. Não é a toa que mensagens falsas ganham popularidade tão rápido na internet.

.:. Teoria da Evolução

Abandono tudo o que em meu livro diz respeito à formação da Terra e tudo que possa ser contrário à narração de Moisés’ – Declaração do naturalista francês Buffon, em 1749, quando foi obrigado pelo Comitê de Teologia da Universidade de Paris a negar a descoberta de que várias espécies animais já estavam extintas.

Até mais ou menos 1830 o homem acreditava que todos os animais conhecidos seriam idênticos ao que são hoje desde a sua origem porque era essa a explicação dada pelo senso comum e por todas as religiões até então.

Não se sabia que as espécies animais se diferenciavam em regiões distintas, nem que muitos animais foram extintos ao longo dos milênios, tampouco se sabia que o nosso planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos e não apenas cerca de 6000 anos como um padre na Idade Média calculou.

O sueco Carl Lineu pode ter sido o primeiro naturalista a observar que os animais mudavam com o tempo, tanto que alterou as edições posteriores de seu livro lançado em 1735  na parte em que afirmava que todas as espécie animais já haviam sido criadas e que eram imutáveis.

Mas as descobertas que corroboram as observações iniciais não pararam mais e continuam surgindo até hoje.

O avô de Charles Darwin, o Dr. Erasmus Darwin, observou que as espécie se adaptavam de alguma forma ao meio ambiente, mas desconhecia como isso acontecia.

Charles Darwin , aquele que matou a charada, formou-se em teologia em 1831, mas antes de abraçar a vida religiosa resolveu realizar um antigo sonho: fazer uma excursão naturalista.

E após a recomendação de um dos seus professores, embarcou em um navio de pesquisas Britânicas, o Beagle, como naturalista oficial. Ele então pode constatar e reunir uma série de provas que demonstram que existem diferenças dentro da mesma espécie animal de acordo com o espaço geográfico e pressões ambientais em que de desenvolveram e espécies animais específicas de uma região que não existiram primariamente em outras.

E a Teoria da Evolução também já divide os religiosos naqueles que ainda crêem que o mundo foi feito como trouxe a tradição registrada na Bíblia e naqueles que compreenderam que a Evolução das Espécies é um fato, e que os hominídeos, as grandes feras como mamutes e dinossauros realmente existiram.

Muitos religiosos com acesso ao conhecimento científico já não rejeitam a Teoria da Evolução, pois não vêem incompatibilidade com sua crença em Deus.

.:. O século XX foi marcado por um avanço tecnológico estupendo: descobrimos que nosso sistema solar está na periferia da via láctea e se move em relação ao seu centro em alta velocidade.

O astrônomo Hubble, corroborado e complementado em 1927 por outros astrofísicos, como Lemaître, descobriu que todo o universo está em expansão, mas que cada galáxia encontra-se ligada ao seu aglomerado pela gravidade, por isso não se expande.

Isso significa dizer que duas galáxias de um mesmo aglomerado tenderão a colidir ou se fundir enquanto galaxias de aglomerados diferentes afastam-se, expandindo assim o Universo.

Então se a expansão verificada hoje for medida ao contrário, podemos encontrar o ponto de onde todas as galáxias partiram. E esse cálculo foi feito, estimando-se que o tempo zero do Universo aconteceu ha 15 bilhões de anos, quando nada existia além de um superátomo sujeito à própria ação gravitacional, submetido portanto a compressão e aquecimento contínuos.

Quando o superátomo chegou no máximo calor com o mínimo volume, explodiu.

A teoria foi reestudada e complementada pelo russo George Gamow e publicada em 1948, quando postulou que os elementos químicos se formaram dos núcleos atômicos construídos pelas sucessivas capturas de neutrons. Ele reuniu as descobertas anteriores e cunhou o termo Big-Bang.

E a partir dai há evidências confiáveis de que o Big-Bang é a melhor explicação para a origem do Universo, e se não existe ainda uma explicação para tudo, há quem espere a ciência e há quem preencha as lacunas com alguma doutrina religiosa.

Em 1979, Steven Weinberg recebeu o prêmio Nobel de Física em virtude dos estudos que publicou em seu livro chamado ‘The first three minutes’ (Os primeiros três minutos).

Para saber como as fusões de matéria criaram as estrelas e os planetas, sugiro para leigos o livro: ‘As Sete Maiores Descobertas Científicas da História’, de David Eliot Brody e Arnold R Brody.

Como a ciência não pára e se autocorrige o tempo inteiro e o Big Bang tem só 51 aninhos, muitas questões ainda não respondidas tenderão a surgir com o tempo.

O Criacionismo, vertente seguida por alguns cristãos e que rejeita as explicações naturais, não entrou em um consenso porque suas evidências são baseadas na fé de quem as defende.

Alguns defendem que o universo, a terra e os homens foram criados em 6 dias, outros acham que não são 6 dias e sim 6 eras e que a linguagem bíblica é figurada.

Da mesma forma que ocorre com a Teoria da Evolução, muitas pessoas não acham que considerar a validade do Big Bang seja incompatível com sua crença em Deus.

.:. O preconceito ‘racial’ e de orientação sexual

Os primeiros religiosos que desembarcaram no Brasil foram oito padres franciscanos de Portugal, juntando-se depois a eles os carmelitas, beneditinos e jesuítas.

O papel mais relevante como evangelizadores coube aos jesuítas, já os beneditinos tinham uma função mais contemplativa e pertenciam a uma congregação rica, com muitos imóveis e fazendas sustentadas por escravos.

Depois das tentativas frustradas de escravizar os índios e enquanto os mesmos eram dizimados por exploradores conforme a colonização do país avançava, o comércio de africanos tornou-se bastante lucrativo.

Conforme os navios negreiros chegavam ao Brasil, os negros tinham sua fé religiosa descaracterizada e eram evangelizados em massa, sem que ninguém argumentasse  efetivamente contra sua escravidão, porque os interesses econômicos da coroa até então prevaleciam.

Os afrodescendentes permaneceram em regime de trabalhos forçados e açoites por longo período até que movimentos abolicionistas que incluiam religiosos, literatos, políticos e pessoas do povo conseguiram dar os primeiros passos com a extinção do tráfico de Negros em 1850.

Depois de muita luta intelectual, só em 13 de maio de 1888 foi promulgada a Abolição da Escravatura.

Sites evangélicos alegam que os católicos consideravam os negros seres sem alma ou amaldiçoados, porém não encontrei evidências documentais de que isso tenha sido alegação oficial à época e agradeço alguma fonte isenta, se houver. Não podemos afirmar o peso oficial da religião católica no entendimento de ‘raça inferior’ de alguns de seus religiosos, como concluiu o autor de Thezoologie quando afirmou que a pele escura veio da união de Eva com Satanás.

Os afrodescendentes estão pagando até hoje as marcas sofridas no período da escravidão. Hoje sabemos que não existem raças na espécie humana, e sim etnias diferentes formadas durante o processo evolutivo de nossa espécie conforme o ambiente em que os nossos ancestrais se adaptaram.

O DNA de um afrodescendente é tão parecido com o DNA de um alemão quanto é parecido com o DNA de um japonês ou de um aborígene australiano. Inclusive uma pessoa japonesa pode ter o DNA mais parecido com uma pessoa caucasiana do que dois japoneses podem ter o DNA parecido entre si.

Isso significa dizer que não existem diferenças significativas entre os homens ao ponto de classificá-los em raças. Quando você encontrar alguém falando de raça na espécie humana, corrija.

Os neonazistas insuflados pela crença de Hitler que permanecem alegando a superioridade da etnia branca ainda estão presos aos mitos de 500 anos atrás.

A crença da homossexualidade como abominação tem raízes bíblicas e infelizmente ainda é frequente que seja considerada como uma doença, mesmo que a Medicina já não a trate assim há muito tempo.

É frequente que pessoas homossexuais não suportem a pressão da sociedade e tenham transtornos emocionais e baixa autoestima. O preconceito contra os homossexuais ainda é fortemente arraigado no Brasil e justificado sobretudo por alguns evangélicos,  através passagens bíblicas onde o homossexual seria condenado por Deus.

Falando em preconceito … O preconceito contra os ateus e agnósticos é um fenômeno emergente, porque muitos deles temiam represálias e só agora estão começando a ‘sair do armário’.

Conforme o Adherents.com, 16% das pessoas refere ser sem religião e estima-se que metade desses sejam ateus ou agnósticos. Como há mitos em torno dos judeus, dos negros, dos homossexuais e de tantas outras minoriais, com os ateus e agnósticos não seria diferente.

Não há nenhum momento na história em que as minorias estejam conseguindo ganhar tanto respeito, e atribuimos isso ao maior acesso das pessoas em geral ao conhecimento e à diversidade.

Considerando os ateus como as mais recentes vítimas do preconceito religioso e pouco foi falado deles até o momento, terão um espaço maior no próximo texto.

Enfim, vemos que a evolução da ciência, da tecnologia e da sociedade de uma maneira geral tende a dar explicações naturais para os fenômenos que no passado não tinham resposta.

A ciência não tem respostas prontas para tudo imediatamente, porque vai avançando com métodos, testando-se e usa de mecanismos de autocorreção a fim de reduzir ao mínimo a sua margem de erro.

E assim, o conhecimento vai moldando a fé, não necessariamente a diminuindo, mas ajudando a pessoa a questionar crenças e valores e filtrar o que ora julga ou não válido.

11 – EXERCITANDO A EMPATIA – O caminho da paz em meio à diversidade dos credos

(a) Como entender as pessoas que tem outro credo e não o meu ?!?

Nenhuma religião chega a ser seguida por mais de 3 entre 10 pessoas do mundo, mesmo se considerarmos todos os Cristianismos como uma religião só.

Mesmo que a sua religião seja numerosa, ainda assim, é minoria e é só mais uma dentro de um universo imenso de credos.

Não arrogue para sua religião uma maioria, porque ela não existe, salvo dentro de um espaço geográfico específico, como os Mórmons em Utah, nos EUA. Então um pouco de humildade, para começar, é essencial. Se você tem as suas certezas absolutas e seus confortos, respeite as certezas absolutas do outro. Da mesma forma que você está satisfeito e realizado com um credo e não está pedindo para ser doutrinado, entenda que a outra pessoa sente a mesma coisa e não está pedindo a sua intervenção. Isso é uma invasão de privacidade. Agora se a pessoa procura você e quer saber mais sobre sua religião, são outros quinhentos. E tenha sensibilidade o suficiente para saber até onde pode ir sem ferir a pessoa: a arma do ignorante é a agressão, e isso as religiões não pregam.

Em religiões onde não se crê em inferno ou onde os demônios não tem um papel crucial, as pessoas costumam ser mais tolerantes. Siga os bons exemplos.

Todas as pessoas são os infiéis de algum credo, porque niguém tem fé em todas as doutrinas.

Se uma pessoa nasce no Islã poderá ser muçulmano e crer que Muhammad é seu profeta, se nasce no Brasil poderá ser cristão da Igreja Católica ou de uma das denominações evangélicas e rezará para Krishna ou outro deus se nascer na Índia.

Um bom exercício de tolerância é permitir à criança os questionamentos próprios de suas idades, em vez das respostas castradoras como ‘porque é assim’ ou ‘porque tem que ser assim’. Conhecer e respeitar a diversidade do pensamento humano é o ponto de partida para conseguir a paz entre os homens. E isso deve começar com os exemplos dentro de casa. Tolerância se aprende desde a infância.

(b) Mas a pessoa de outra religião não tem provas de que o meu Deus não existe !!!

Se você não acredita na Cientologia e não tem meios de provar que Xenu e os Theta nunca existiram, os cientologistas podem pedir que você comprove que Xenu nunca existiu. Isso seria o razoável? Não.

Imagine se para tornar válida a sua crença em Deus você precisasse provar que Krishna, Tupã, os Thetan, Pan Ku, Alah ou os Duendes não existem.

Claro que você não tem essa responsabilidade, se houvesse uma exigência de prova, o cientologista é que deveria comprovar que uma força do mal que aniquilou os ETs na Terra foi Xenu.

Então nos coloquemos no mesmo lugar. Do jeito que provar a NÃO existência dos deuses do outro não é obrigação sua e sim deles, não é obrigação de nenhuma outra pessoa provar que a sua crença NÃO existe.

Nós podemos afirmar que unicórnios não existem? Sim, podemos afirmar. Como podemos afirmar que a Nammu também não existe. E podemos afirmar que Pan Ku não existe ou que qualquer outro deus não existe.

Sim, podemos. Por que? Porque não existe evidência alguma que comprove que eles existam, além da Fé das pessoas que crêem neles. Caso contrário não seria preciso Fé para crer, bastaria ter a prova em mãos.

Em suma, quem afirma que uma divindade em particular exista, tem Fé e está no seu direito de afirmar, mas não tem direito algum de passar o peso da prova para uma segunda pessoa que não tem fé neste deus.

Então se alguém está num debate e afirma que Krishna morreu após uma flechada no calcanhar e ascendeu aos céus e está junto de um panteão de deuses, a prova deve ser dada por quem afirmou isso.

Estou repetindo para ficar bem claro: Se você afirma algo, o peso da prova é seu, e você não tem autoridade de dizer que provou que seu Deus existe porque o outro não provou que ele NÃO existe. Isso se chama ônus da prova.

Não perca um amigo porque ele tem outra religião. Amar o próximo não é pecado para nenhuma religião e é tudo que os humanistas, ou pessoas que não tem religião, esperam. Paz.

(c) Como entender um ateu ?!?!?!?!?!?! – Perguntas e Respostas

.:. Por que eles não acreditam em Deus? E por que eles não acreditam numa mente superior?

Eles não acreditam porque não existem evidências que os convençam de que exista uma força não natural agindo sobre o Universo. Se existisse uma evidência convincente para os ateus, seria forte o suficiente para todo o mundo ter uma religião só.

As evidências das pessoas que crêem são tão variadas em seus significados, que geram milhões de entendimentos mundo afora, porque elas não são fatos, e sim, sensações que as pessoas interpretam à sua maneira.

E da mesma forma que os religiosos merecem respeito ao valor que dão a essas sensações, os ateus merecem respeito ao valor que dão ao peso das evidências.

As Leis da Física, a biologia e as Ciências de uma maneira geral, conferem respostas naturais para os fenômenos considerados sobrenaturais, e se existem lacunas, os ateus não a preenchem com forças fora da natureza.

Da mesma forma que você está no direito de não crer na crença dos outros, os ateus também tem o mesmo direito, eles não crêem na crença os outros.

.:. Se Deus não existe, tudo é permitido para os ateus?

Não, da mesma forma que tudo não é permitido para quaisquer outras pessoas.

Os ateus militantes defendem que as pessoas sejam justas e cidadãs conscientes de seus direitos e deveres. Por isso, o que for considerado humanista dentro do código de uma religião nunca será combatido por um humanista secular.

Pessoas destituídas de consciência são os psicopatas, e constituem, para nossa felicidade, parcela mínima da população e estão distribuídos não só entre criminosos hediondos, mas no grupo das pessoas que buscam ganhos ilegítimos, como alguns líderes religiosos e políticos, ou simplesmente aquele ‘amigo’ ou parceiro aproveitador provoca danos em terceiros e não respeita os sentimentos de ninguém. Pode ter algum psicopata ateu? Claro que pode, ateus são pessoas como outras quaisquer.

.:. Os ateus são a favor do aborto?

Ateus não são pessoas feitas em um molde e que concordam entre si em todos os aspectos; por definição, ateu é todo aquele que não crê em um ou mais deuses.

Os ateus podem discordar entre si em outros assuntos tanto quanto um crente de uma igreja discorda de outro crente da mesma igreja. Portanto, há ateus favoráveis à legalização do aborto, e ateus contrários à sua legalização, bem como aqueles não tem uma opinião bem definida .

.:. Os ateus cultuam o demônio?

Os ateus não acreditam que existam deuses ou demônios. O Demônio, conforme quem crê nele, foi criado por Deus. Então só é possível alguém cultuar o demônio se esta pessoa acredita na existência de Deus. Quem é fã do Demônio é crente, crê em magia negra, em poderes ocultos e outras coisas místicas.

.:.Como os ateus enfrentam momentos de dificuldade e tristeza?

Como quaisquer outras pessoas, buscando o que lhes dê sentimento de conforto, como o apoio da família, ou de um ombro amigo.

Da mesma forma que uma pessoa que crê em Krishna não busca conforto em Alah, ou uma pessoa que crê em Alah não busca conforto acreditando em reencarnação, uma pessoa que não crê em deuses não procura conforto neles. Se procurar, é porque não era de fato ateu, da mesma forma que se um católico procura conforno no espiritismo, não é de fato católico.

A reencarnação não faz parte do credo católico, bem como a vida além da morte não faz parte do entendimento natural que o ateu tem sobre sua vida.

.:. Como a pessoa se torna atéia?

Como a crença da pessoa depende de onde ela nasce, do que foi ensinado a ela na infância, das experiências que acumulou ao longo da vida, do que ouviu, viu, estudou e etc, com a falta de uma crença ocorre a mesma coisa.

Se a pessoa já nasce num lar ateu e não é ensinada a seguir um credo em particular, poderá ser atéia para o resto da vida, como poderá, em algum momento, passar a crer.

As pessoas adultas se julgam atéias ou crentes através de um questionamento, o que varia entre elas é o grau de satisfação das respostas que obtem. Como há pessoas com pouca ou com muita confiança em Deus, há ateus mais ou menos convictos.

A fé de uma pessoa pode sofrer altos e baixos, e nada impede que a convicção de um ateu em particular sofra o mesmo. O que torna mais difícil uma pessoa atéia vir a ser crente, é que na trajetória do ateísmo é comum a pessoa já ter sido crente antes.

Há também a possibilidade da pessoa se tornar atéia porque perdeu um filho ou se decepcionou com a bondade de Deus quando vê, por exemplo, que se tudo foi criado por Deus, ele criou também as bactérias, os vírus e tantas coisas que trazem a morte de crianças. Esse tipo de ateísmo é emocional, e pode fazer com que a pessoa mude de opinião se sentir abençoada.

.:. É verdade que na hora da morte muitos ateus se convertem?

Os ateus vêem a morte como algo natural e consequencia da vida, mas podem ter os mesmos medos que quaisquer outras pessoas venham a ter.

Basta irmos a um velório para vermos o quanto as pessoas sofrem com a morte, mesmo quando creem em Deus. Crer ou não crer não torna a nossa morte mais bonita.

E mesmo crendo em vida após a morte, as pessoas sofrem por anos, e até durante toda a sua vida quando morre um filho, por exemplo.

Alegar que alguém está sofrendo durante um velório porque é ateu é vício de confirmação sem tamanho. Não tem quem não sofra quando perde alguém querido.

Contrariando o que muitas pessoas pensam, pacientes com longas enfermidades enfrentam a vinda da morte com muita serenidade, porque tiveram mais tempo para refletir, e no final das contas, sofremos mais do que elas porque não sabemos que seremos capazes de ter a mesma serenidade quando a hora chegar.

Mas a serenidade é sempre possível. Achar que uma conversão deve ocorrer na hora do sofrimento é falar contra sua própria fé: é preciso estar desesperado para conseguir crer?

As pessoas que pensam assim esquecem que ateus são pessoas que também passam por problemas em suas vidas, e nem por isto necessariamente voltam-se para algum tipo de crença, da mesma forma que pessoas que creem necessariamente não deixam de crer porque Deus não ouviu suas preces.

Stephen Jay Gould e Carl Sagan, a exemplo de muitos outros que não acreditavam em Deus, enfrentaram suas graves doenças e morreram como todo mundo espera morrer, com conforto. No caso deles, o conforto veio da família e dos amigos.

José Saramago, o autor de ‘O Ensaio Sobre a Cegueira’ está idoso e já enfrentou doenças graves e nem por isso se converteu. Se você passou a vida inteira sem dar valor ao Islã, não se converterá a ele justamente na hora da morte.

Estar com medo ou sob ameaça dificulta um raciocínio adequado, portanto, pensar a morte anos antes dela ocorrer é a forma de se preparar para ela, seja a pessoa crente ou atéia.

A imposição por ameaça (fogo do inferno, por exemplo) ou promessa de cura e prosperidade é uma forma comumente usada por muitos líderes religiosos para forçar conversões.

Esse mecanismo de conversão muitos ateus conhecem na prática, porque muitos deles já creram em Deus um dia através desses caminhos. O momento em que a pessoa está mais fragilizada emocionalmente são os momentos mais propícios para que ela ou perca a sua fé ou se converta, não sendo portanto, situações que especificamente caracterizem uma opção consciente.

.:. Os ateus são contra Religiões?

Alguns ateus são contra, outros são indiferentes e outros ainda esperam que a paz entre os povos seja possível mesmo com religiões. Como já foi dito antes, o fato de alguém ser ateu não o torna com a mesma opinião de outros ateus em assuntos diversos.

.:. Os ateus são mais inteligentes do que os crentes? Por que há tantos ateus nas universidades e nos meios científicos? E por que praticamente não existem ateus nos presídios?

Não, ateus não são mais inteligentes do que quaisquer outras pessoas. Muitas pessoas no meio científico são crentes, e isso não reduz suas capacidades de pensar cientificamente, salvo se a crença prejudicar sua isenção na hora de uma pesquisa.

O que ocorre é que entre as pessoas analfabetas ou com pouca instrução há uma parcela pequena ou inexistente de ateus/humanistas seculares, mas isso ocorre por questões culturais e não necessariamente pela quantidade de inteligência das pessoas.

Entre os ateus há uma parcela muito grande de pessoas com nível de instrução alto, não necessariamente mais inteligentes do que um senhor da roça, mas no geral são pessoas muito inteligentes e produtivas, como são inteligentes e produtivas muitos crentes com o mesmo nível de instrução. Instrução e inteligência não são a mesma coisa.

O que ocorre de fato é que é mais possível uma pessoa se tornar atéia se tiver acesso à diversidade dos credos, a preceitos filosóficos e científicos, viajar mais e conhecer outras culturas, etc.

Para ficar bem explicado e evitar preconceito dos dois lados: não é preciso ser mais inteligente do que os outros para ser ateu, mas pode ser preciso ter mais instrução. E ter instrução não torna necessariamente a maioria das pessoas atéia.

Então quando se alega que o índice de criminosos entre ateus é baixo, não podemos afirmar que ateus são menos criminosos do que crentes porque não crêem em deus.

Há menos criminosos entre os ateus da mesma forma que há menos criminosos entre pessoas que crêem em Deus e tem maior nível de instrução e escolaridade.

A criminalidade é maior nos países pobres e entre pessoas com baixa instrução e desfavorecidas financeiramente, isso não tem necessariamente relação com crer ou não crer em Deus. Se assim fosse, poderíamos concluir que ser cristão é fator de risco para ser bandido porque os presídios estão lotados de cristãos no nosso país.

12 -CONSIDERAÇÕES FINAIS – Um apelo

Se parte das grandes religiões da atualidade são fonte de tantos conflitos com pessoas de outros credos e não é adequado extingui-las à força porque isso não só seria impossível e significaria obstruir a liberdade de pensamento do Homem como consistiria em lesar as pessoas que usam a Fé como um conforto e são contrárias a certas aberrações, é preciso que as mentes religiosas que semeam ódio e preconceito sejam de alguma forma rapidamente reconhecidas pelos seus e recebam educação: elas prejudicam não só as pessoas de sua própria religião, maculando a fé do outro, como prejudicam as pessoas de credo distinto ou aquelas que não tem credo nenhum.

Não precisamos ir longe na História da Humanidade, a atualidade demonstra que essas pessoas são uma outra Peste: É preciso que exista uma separação real do Estado e da Religião, no mundo todo para que não se permita que crenças, pseudociências ou óbices à liberdade individual por argumentações de fundo religioso sejam escudados pelo Estado e assim estendidos a toda população.

Quem escolhe um credo, tem toda liberdade de cumprir os seus preceitos, no entanto não tem direito algum de impô-los ao resto da população.

Já passou da hora da liberdade religiosa ser mais valorizada do que os direitos humanos.

Atualmente, uma criança que não é capaz de se defender e optar por viver, morre sob a proteção da lei quando seus pais, por motivo religioso, recusam-se a tratá-las.

Na minha humilde concepção, esse é um exemplo clássico de abuso e negligência.

É um abuso a sociedade ja munida de tanto conhecimento científico permitir que um líder religioso atormente e aterrorize uma criança acusada de possessão demoníaca, ferindo sua inocência no meio de uma multidão que paga com o pouco que ganha com muito suor, para ver um milagre e assim se sentir protegida por Jesus e livre do demônio.

Eu não consigo compreender como briga de galo é proibida e esse tipo de show não é. Ah, sim … Se fosse um exorcismo de galos, seria permitido !!

No entanto e para nossa felicidade, a maior parte das pessoas tem em sua fé um conforto para seus anseios, e não merece a responsabilidade sobre a minoria que está por trás dos grandes estragos feitos contra humanidade, tampouco merecem ser alvo de ódio e intolerância de pessoas de outros credos ou daqueles que não professam religiões. Será que é difícil entender que sociedade simplesmente não suporta mais tanto ódio?

Libertar-se de alguns preconceitos impostos pelas suas religiões, perdoar o passado e olhar além de seus próprios interesses, é a única forma de judeus, cristãos e muçulmanos darem-se as mãos em definitivo colocando a Paz entre os homens acima de tudo.

E não é preciso ter nenhuma religião ou uma inteligência privilegiada para se chegar a essa conclusão, é preciso apenas ter o senso de Justiça daquele que aceita a diversidade humana e reconhece o direito do homem que foi conquistado a duras penas durante a vida na savana: o de preservar a sua vida.

Esse pequeno trabalho nada mais é do que um humilde apelo e à Paz e ao respeito aos direitos dos outros.

Um beijo em cada um de vocês,

Meire Gomes


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Bibliografia Consultada:

1. A Assustadora História da Maldade, de Oliver Thomson

2. A Assustadora História do Holocausto, de Michael R Marrus

3. A Doutrina de Buda, tradução de Jorge Anzai, 2004

4. A Essência do Apocalipse, vários ensaios

5. Alcorão para a Língua Portuguesa – Com a colaboração da Liga Islâmica Mundial, em Makkah Nobre tradução de Dr. Helmi Nasr, Professor de Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade de São Paulo, Brasil

6. Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond

7. As Grandes Religiões do Mundo, de Marcus Bach

8. Adherents.com

9. Bhagavad Gita, tradução de Huberto Rohden

10.  Bíblia Sagrada, tradução de João Ferreira de Almeida, revista e atualizada, 2ª edição

11. Contos e Lendas da Mitologia Grega, de Claude Pouzadoux

12. Dicionário das Religiões, de Mircea Eliade

13. Dicionário de Mitologia Germânica, Eslava, Persa, Indiana, Japonesa e Chinesa, de Tassilo Orpheu Spalding

14. História das Religiões – Onde vive Deus e caminham os peregrinos, de Susan Tyler Hitchcock e John L Esposito, National Geographic

15. História do Brasil, de Mary Del Priori e Renato Pinto Venâncio

16. História Ilustrada do Povo Judeu, Raymond P Scheindlin

17. Mein Kampft, de Adolf Hitler

18. Mitos, Sonhos e Religião, de Joseph Campbell

19. O Animal Moral, de Robert Wright

20. O Evangelho de Tomé, edição bilíngue (texto Copta e Português), tradução de Marvin Meyer, 1993

21. O Livro de Ouro das Religiões, de John Bowker

22. Perseguições Religiosas, de James A Haught

23. Seu Guia no Candomblé, de Airton Barbosa Gondim

24. Símbolos Antigos e Sagrados, de Ralph M Lewis – Biblioteca Rosacruz, volume 23, Rio de Janeiro, 1979

25. Tao Te Ching, tradução de Huberto Rohden

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