PERTO DAS ÁGUAS DO RIO TOTORÓ
WESCLEY J. GAMA APRESENTA IARA MARIA CARVALHO

Iara, menina poeta, nasceu perto das águas do rio totoró, em Currais
Novos. Inclina elementos do ar seridoense e das saias das lavadeiras
para os seus poemas, escrevendo um tratado de suor e sangue sobre a
condição de viver e de ser, exprimindo sentimentos inerentes aos
nativos quer seja de Acari ou do Sudão: O fogo Incandioso do
cotidiano, a esperança lavada em sal grosso e chamuscada num devir de
sombras, quiçá de luzes e enfeites cheio de tempo presente. Iara
escreve a lida de um eu solitário, solidário com os solilóquios de
cada ser em tentativa de contato com o outro, tentando se livrar das
tonteiras que vêm da ciranda da vida, intensa, desconcertante,
imprevisível. Iara sabe pintar em seus poemas as cores do dia, com
todos os seus tons de tristeza e possível alegria, de vez em quando
pingando no horizonte um amanhecer de groselhas, bom como todos os
amanheceres que vem trazendo novas experiências, novos contatos, novos
silêncios. Eis os poemas que foram premiados no Concurso Zila Mamede,
edição 2008:
A DESPEDIDA DO PASSARIM
Tem um qualquer predileto azul desconsumindo a ave que partiu:
porque há flechas em suas asas
e manco existir no seu canto de ir embora.
Agora que os palitos da gaiola enfeitam de aparas
o chão de azulejo da área de serviço
é possível olhar pro céu
e chorar.
QUEDA LIVRE
hei de atravessar a rua
de bandeja para os carros
para os cantos sem flores
das esquinas desbotadas
não direi meu nome aos transeuntes
a pressa despolicia meus passos de cristal
e embaixo da ponte o corpo corre.
SE(MENTES) SOBRE A MESA
Acordar sozinha
e separar o espinho da flor
DIANTE DE SILVOS
Vamos ao café
Que a tarde queima
Que os convivas estão mortos
Que o cheiro grita de longe
Vamos ao café
Não dormiremos
A fumaça não é fabril
Não usamos macacão
O céu silenciou
O silêncio é febril
Vamos ao café
Vamos acordados.
TONTEIRA
sou desmerecida de natureza
quando me curto na chuva
biqueiras não me apavoram
ser-me lodo é consolo
e todo o fel que recolho
guardo no agreste da rede
não marco passos
com pedrinhas na contramão
mas pingo no horizonte
um amanhecer de groselhas
e é bom.
Conheça um pouco mais de meus versos na minha Janela!
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Gosto muito do seu dizer. E do afinamento de Wescley também.
Iara, minha professorinha que me enche de orgulho.
Que bom te encontrar aqui, escrevendo e divulgando seu trabalho, que desde sempre tal inclinação foi perceptível, na sala de aula, nas conversas do dia-a-dia dos corredores do ex objetivo (Millenium) santa Cruz!
Bem, muita saudade de você, e que bom mesmo que você tá assim enchendo a vida de poesia seridoense de currais novos.
Beijos saudosos,
Mayse Araújo (amiga e ex aluna)