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Iara Maria

Iara Maria - macabea33@gmail.com

Palavras do Interior

Iara Maria Carvalho é poeta currais-novense e mestranda em Literatura Comparada pela UFRN.

PERTO DAS ÁGUAS DO RIO TOTORÓ

quarta-feira, 13/agosto/2008

WESCLEY J. GAMA APRESENTA IARA MARIA CARVALHO

 

Iara, menina poeta, nasceu perto das águas do rio totoró, em Currais
Novos. Inclina elementos do ar seridoense e das saias das lavadeiras
para os seus poemas, escrevendo um  tratado de suor e sangue sobre a
condição de viver e de ser, exprimindo sentimentos inerentes aos
nativos quer seja de Acari ou do Sudão: O fogo Incandioso do
cotidiano, a esperança lavada em sal grosso e chamuscada num devir de
sombras, quiçá de luzes e enfeites cheio de tempo presente. Iara
escreve a lida de um eu solitário, solidário com os solilóquios de
cada ser em tentativa de contato com o outro, tentando se livrar das
tonteiras que vêm da ciranda da vida, intensa, desconcertante,
imprevisível. Iara sabe pintar em seus poemas as cores do dia, com
todos os seus tons de tristeza e possível alegria, de vez em quando
pingando no horizonte um amanhecer de groselhas, bom como todos os
amanheceres que vem trazendo novas experiências, novos contatos, novos
silêncios. Eis os poemas que foram premiados no Concurso Zila Mamede,
edição 2008:

 

 

A DESPEDIDA DO PASSARIM 

Tem um qualquer predileto azul desconsumindo a ave que partiu: 

porque há flechas em suas asas

e manco existir no seu canto de ir embora. 

Agora que os palitos da gaiola enfeitam de aparas

o chão de azulejo da área de serviço 

é possível olhar pro céu

e chorar. 
 
 
 

QUEDA LIVRE 

hei de atravessar a rua

de bandeja para os carros

para os cantos sem flores

das esquinas desbotadas 

não direi meu nome aos transeuntes

a pressa despolicia meus passos de cristal 

e embaixo da ponte o corpo corre. 
 
 

 

SE(MENTES) SOBRE A MESA 

Acordar sozinha

e separar o espinho da flor 
 
 
 

DIANTE DE SILVOS 

Vamos ao café

Que a tarde queima

Que os convivas estão mortos

Que o cheiro grita de longe 

Vamos ao café

Não dormiremos 

A fumaça não é fabril

Não usamos macacão

O céu silenciou 

O silêncio é febril 

Vamos ao café 

Vamos acordados. 
 
 

 

 

TONTEIRA 

sou desmerecida de natureza

quando me curto na chuva 

biqueiras não me apavoram

ser-me lodo é consolo

e todo o fel que recolho

guardo no agreste da rede 

não marco passos

com pedrinhas na contramão 

mas pingo no horizonte

um amanhecer de groselhas 

e é bom. 
 

 

Conheça um pouco mais de meus versos na minha Janela!

2 comentários

  • Ana Santana : -

    Gosto muito do seu dizer. E do afinamento de Wescley também.

  • Mayse Araújo : -

    Iara, minha professorinha que me enche de orgulho.
    Que bom te encontrar aqui, escrevendo e divulgando seu trabalho, que desde sempre tal inclinação foi perceptível, na sala de aula, nas conversas do dia-a-dia dos corredores do ex objetivo (Millenium) santa Cruz!
    Bem, muita saudade de você, e que bom mesmo que você tá assim enchendo a vida de poesia seridoense de currais novos.

    Beijos saudosos,

    Mayse Araújo (amiga e ex aluna)

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