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Hugo Morais

Hugo Morais - hugomorais@digizap.com.br

Fita k7

Jornalista apreciador de quadrinhos e música. Escreve para o portal Rock Press, mantém um blog e o site O Inimigo, feito com amigos.

WARM UP FESTIVAL DOSOL

terça-feira, 1/abril/2008

Sábado e domingo aconteceu na Casa da Ribeira o aquecimento do Festival DoSol. Lá o público assistiu shows, palestras e vídeos. Sempre nessa ordem.

Quem abriu a programação foi a banda local Bandini que faz um som influenciado por Joy Division. Se essa referência não lhe diz nada fique com Interpol. Linhas de baixo e bateria marcantes. E a voz de Felipe (guitarra e voz) empostada de forma que lembra a de Ian Curtis. O show foi bom, mas a banda deve fazer algo que dê uma cara própria a eles, senão podem ficar marcados como “a banda que parece com Joy Division”, ou Interpol. A palestra que veio em seguida tratou de música e tecnologia, internet inclusa, obviamente. Quem conduziu a conversa foi Bruno Nogueira. Conversa que todos nós um dia já tivemos: produção, comercialização e consumo de música, antes e hoje. O novo na história é o próprio Bruno que é mestre na área abordada. Ou seja, uma opinião consistente. Ao seu lado dando seus testemunhos estavam Matheus (PitubaR2) e Marcelo (Indiada Magneto). Eles foram selecionados por fazerem experiências com trechos de músicas deixados no site do Rumos Itaú Cultural e antes e depois da palestra mostraram elas ao público. O Indiada é um trio “normal” com o acréscimo de efeitos eletrônicos. A digestão é difícil. Mais ainda é a de Matheus que faz música com barulhos. O trabalho é mais usado em trilhas de filmes e etc. A palestra de Paulo André também foi muito boa. Ele falou sobre suas experiências a frente do AbrilProRock e das dificuldades de se tentar mudar a mentalidade do público da cidade de Recife. Ainda teve a exibição do documentário do Festival DoSol 2005 e shows de duas bandas de Recife bem distintas. A Nuda traz muita coisa de samba e o Sweet Fanny Adams traz muito de rock de garagem e rock dançante. Baixo alto e bateria rápida e as vezes compassada.

No domingo quem abriu a programação foi a a banda paraibana Sem Horas que faz um rock influenciado pela turma da década de 50 e 60. A banda é mais ou menos como a Revolver aqui de Natal. Mas as vezes as músicas soam mais pesadas do que a semelhante local. Na sequência Marlos Apyus e Caio Vitoriano deram dicas de como lidar com sites e design para a música. Caio deu toques de como desenvolver cartazes e capas de discos a partir da cara da banda. Já Marlos deu dicas de como usar a internet a favor da música. A banda cearense Et Circenses mostrou um rock bem feito, pop, que em alguns momentos pareceu com Los Hermanos. A banda seguiu para São Paulo para divulgar o CD “Homônimo”. O documentário Festival DoSol 2007 mostrou como ocorreu a edição do ano passado, feita na marra. Eduardo Pinheiro veio em seguida para mostrar o que não deve ser feito pelas bandas. Ou o que deve ser feito antes de se entrar em estúdio. Com muito bom humor e vários exemplos locais (sem citar nomes) falou das deficiências de bateristas, baixistas, guitarristas e vocalistas. Em seguida veio o documentário que fiz com Rebeca Correia, minha mulher. A sala tinha um bom público porque em seguida seria o encerramento com Seu Zé e todos puderam ver como funciona a produção local. Em breve ele estará na net para todos verem. Encerrando veio o Seu Zé com músicas novas e velhas. Instrumentos e equipamentos novos que fizeram o show sempre redondo da banda ganhar mais elementos. Aos poucos a banda vai se distanciando da imagem de rock regional e apontando para outras influências.

O ponto negativo fica, mais uma vez, para o público que deveria ter lotado o evento. De graça e com palestras, shows e vídeos. Aos que reclamam da falta de eventos e de eventos de qualidade perderam uma boa oportunidade.

Que venha o AbrilProRock.

Um comentário

  • foca : -

    tinha um excelente público hugo, da última vez que fizemos essas palestras naum tinham nem vinte pessoas na sala e da primeira vez tinham exatas três…

    Fora e dentro da casa conseguimos reunir umas 600 pessoas os dois dias, tava bastante rotativo, achei bom!

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