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Hugo Morais

Hugo Morais - hugomorais@digizap.com.br

Fita k7

Jornalista apreciador de quadrinhos e música. Escreve para o portal Rock Press, mantém um blog e gosta de coisas simples.

Odair José, sexta, na churrascaria A Carreta. Vai?

quarta-feira, 2/abril/2008

De vez em quando um estilo não muito aceito pelos metidos a besta, como vocês e eu também, cai no gosto da população e o inferno está feito. O estrago é menor se você não for ouvinte de rádios populares. Como eu só ligo rádio para ouvir notícia e jogo…

O que é brega para você? Para mim são aquelas bandas de Metal (quase todas) dos anos 80 que usavam aqueles cabelos armados (?) e vestimentas ridículas que causam nojo até nos mais liberais. Na época eram um sucesso, se bem que hoje em dia ainda há quem ache, inclusive aqui em Natal. Também entram no estilo brega as duplas sertanejas que usavam, e usam, igualmente aos metaleiros, calças justas estilo OP (Ovos Partidos) ou o colorido ofuscante da New Wave com suas roupas berrantes e músicas ridículas como as bandas Magazine, Rádio Táxi e muitas outras que acabaram depois de conseguir emplacar uma música. Até Cazuza e o Barão Vermelho usaram as roupinhas. Se naquela época o sucesso foi relâmpago, hoje festas como a Ploc 80 revisitam a época e fazem os saudosistas se emocionarem cantando Gretchen, Xuxa, Balão Mágico ou mesmo temas de desenhos infantis. Deus tenha piedade.

Brega virou estilo musical por volta dos anos 80. Rotulando toda a música que é muito popular e trata de cornagem, dor de cotovelo, raparigagem e temas ligados a vida das classes sociais menos abastadas. Mas será que esses temas só existem na vida dos menos favorecidos? Conversa fiada. A verdade é que se levarmos em consideração apenas as letras teremos que englobar muita gente. Legião Urbana, Los Hermanos e até Vinicius de Moraes, porque não? Para ficar com três. É ou não é? Gente como Waldick Soriano, Alípio Martins, Agnaldo Timóteo (que depois ficou mais conhecido por falar mau de todo mundo), Odair José e muitos outros foram rotulados como brega. E o pior é que entre eles existe muita diferença.

Quem abraçou a causa com força foram as bandas de Belém do Pará, criando uma sonoridade própria e a banda que mais toca no Brasil, a Calypso. Enquanto a maioria das bandas de rock independente ralam e passam maus bocados, a Calypso tem a própria gravadora, produtora e até avião. É a volta do brega ao topo das paradas.

Deixando o Pará de lado e voltando ao brega clássico, um dos que foi alçado a cult (ui) com disco tributo e tudo, assim como Reginaldo Rossi, foi Odair José. Odair é autor de letras simples do ponto de vista da temática, mas da letra em si é melhor do que muitos compositores famosos que andam por aí. Foi chamado até de cantor das empregadas domésticas. Odair vendeu milhões de discos falando de amor em puteiro (Vou tirar você desse lugar), de pílula anticoncepcional (Uma vida só), do amor por uma empregada doméstica (Deixe esse vergonha de lado) e muito mais. Muitas foram censuradas na década de 70. Odair não se considera brega. Aliás, para ele esse estilo não existe. Já Falcão é um dos maiores representantes da categoria e defende a causa com roupas que vão ao extremo do mau gosto. Agora eu pergunto: Quem é mais brega? Odair ou Paulo Ricardo (ex-RPM)? A verdade é que muita gente no universo musical adora Odair. É o caso de Wander “abridor de garrafa” Wildner que acha o cantor e compositor um grande cronista do cotidiano. Muitos dos cantores denominados brega surgiram no rastro da Jovem Guarda e da Bossa Nova, participando inclusive dos famosos festivais da canção.

Tudo isso é para justificar o disco tributo que comprei ano passado e disponibilizo agora. Ainda a meu favor posso dizer que entre as versões há gente do calibre de Mombojó, Mundo Livre S/A, Los Pirata, Pato Fú, Picassos Falsos, Volver, Jumbo Elektro e Terminal Guadalupe, que foi matéria de revista por estar investindo em novas formas de divulgação como Pen Drives. Pegue um copo de conhaque, pode ser cerveja também, abra aquele pacote de amendoim, baixe o disco, escute e tire suas próprias conclusões. Vai Alexis: Ráááááái.
O escritor Thiago de Góes, nos brindou com o Contos Bregas. Mais sobre esse estilo de ser que muitos adoram, outros execram.

Ossada, Alexis e Débora, Honório e Kênia, Marcelo e Adriana, estaremos lá. Eu e Rebeca. Bora?

10 comentários

  • Laura : -

    Bem…se formos analisar as músicas que tocam por aí, dentre as quais estão “chupa, que é de uva”, “beber, cair, levantar”, “não vale mais chorar por ele” (quer mais brega que isso???), os que curtem um bregão estão anos-luz na frente, né verdade?

  • Anderson Legal : -

    ” A verdadeira e autêntica música, que adentra os corações sem o menor esforço…” (Dedé Braga, Belina Mamão)

  • A pedra : -

    Aposto que vc vivia no forró classe A que tinha no américa né não???

  • Humberto : -

    Vida longa ao brega! :)

  • Lindinha : -

    É porque brega é tudo o que a gente não goste… nem precisava rodear tanto pra dizer isso…
    Quando será que vai ter uma coluna que nem cite as bandas independentes??? Será que o assunto vira?
    Tô esperando….

  • Gabriel Galvão : -

    Com o declínio ainda maior esperado para o futuro próximo com o surgimento de “estilo” e “bandas” ainda piores que as atuais iremos então adorar os Babados-Novos, “Beber, Cair e Levantar”, ad infinitum em um movimento perpétuo observando “como eram boas aquelas músicas em comparação com o que temos hoje”.

  • José Dias Jr. : -

    Belo texto. Brega é a forma preconceituosa que uma elite cultural do Brasil resolveu discriminar alguns artistas populares do Brasil. Torturas de Amor de Waldick Soriano é uma das canções de amor mais bem produzidas neste país. No tempo que o meios de comunicação deste país (Radios AMs) serviam a música brasileira de forma espontanea, a música de Waldick, Marcio Greyck, Orlando Dias, Odair José e tantos outros não era tão esnobada. Caetano Veloso, como sempre, estava na frente e gravou Odair e disse que Roberto Carlos era ótimo. No disco Básico do Tropicalismo ele já havia cantado CORAÇÃO MATERNO de Vicente Celestino que a época era discriminado. Brega é um preconceito nojento.

  • Robson : -

    Pra quem tem saudades dos forrós dos anos 80 (já que o de hoje é só “lapada na rachada”), pesquise no Orkut - comunidade “CLUBE DO FORRÓ BREGA”. Terá a surpresa que vários arquivos de áudio de Alípio Martins, José Orlando, Eliane, Mardônio e tantos outros.

  • nina : -

    musica brga mesmo eo sertanejo ñ suporto pra mim e so HIPHOP,RAP,FUNK e algumas musicas de pagode e pronto o restante eu ñ curto nenhum poukinho

  • nina : -

    odeio rock!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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