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Hugo Morais

Hugo Morais - hugomorais@digizap.com.br

Fita k7

Jornalista apreciador de quadrinhos e música. Escreve para o portal Rock Press, mantém um blog e gosta de coisas simples.

Mais um suicídio?

terça-feira, 13/maio/2008

Quem visitar o site DoSol esses dias encontrará lá um editorial que diz que o bar poderá fechar as portas em novembro após mais uma edição do Festival DoSol. O que está por trás disso? Sinceramente não sei. Foca se questionou, e deixou a questão a quem quiser responder no site, sobre Natal merecer um local como o DoSol. Eu pergunto: Natal merece o quê?

Em recente entrevista ao Disruptores Foca respondeu que pretende transformar o bar num centro cultural. O nome já é e de certa forma ele fomenta a cultura com as apresentações de rock. Mas um centro cultural precisa de mais. E é isso que ele e Ana Morena querem. Para investir do próprio bolso acho que não dá, então irão tentar a verba pública. Se a verba pública financia Aratú no Facho com Cavaleiros do Forró e Ricardo Chaves chamando de movimento cultural, porque não financiar uma ação no bar? É possível. Não sei se as mentes conservadoras que analisam e destinam as verbas aos projetos ainda vêem o rock como algo desagregador, ruim, como uma má influência. Mas que as mentes dos que estão por trás dessas aprovações não são lá muito evoluídas isso é fato. A ordem é: investir no que é da terra. Então planta macaxeira.

Quando falo em suicídio, obviamente refiro-me ao fato de se matar, e não matarem. Foi o que aconteceu com a Velvet Café e Música, a Limbo Livros Selecionados e provavelmente vai acontecer a GHQ. Mortes anunciadas. Suicídios. E sem falar na Solaris e na Mudernage. Ok, a Mudernage não morreu, mudou. Vlamir tem em mente exatamente o tal centro cultural onde todas as formas de expressão de arte tem vez.

Abrir um negócio que envolva o cultural aqui em Natal requer estudo. Foi isso que Milena Azevedo fez no SEBRAE. E dentro de seus investimentos delimitou um prazo: julho. Se até lá não der lucro, fecha. E vai fechar. Se não deu em dois anos vai dar em 3 meses? O caso do DoSol é diferente, no próprio texto do site mostra que o bar tem se sustentado. No caso da Limbo não sei, mas no da Velvet foi um alto investimento sem retorno. Apesar da decisão, na minha modesta opinião, ter sido precipitada. Marcelo Morais deveria ter esperado mais porque o capital investido teria retorno a longo prazo. Mas agora já era, ele já tomou a decisão e continua vendendo seus discos virtualmente.

Aí lá vem a velha frase malhada de Cascudo: “Natal não consagra nem desconsagra ninguém”. E pra quê insistir então? Por amor a arte? Para tentar mudar algo? Por masoquismo? Não sei. A verdade é que um dia cansa. E o que cansa principalmente é o fato de se investir, saber que é uma boa opção e o público não enxergar igual. O público tem sempre razão? Pra mim não, isso está ultrapassado.

Talvez Foca e Ana Morena estejam cansando. Talvez com o cansaço deles apareçam outros dispostos a continuar. Quem sabe? O que eu sei é que muitos que se lamentam não vão ao bar, aasim como não iam na Velvet, na Limbo (eu nunca fui) e nem na GHQ, os tem como referência virtual. Já vi vários lugares surgirem e sumirem deixando ou não saudade. Não torço para que o DoSol feche, vi muitos shows excelentes lá, mas não vai ser o fim do mundo se o DoSol fechar.

O que Foca e Ana acham disso pode ser visto no DoSol.

7 comentários

  • leo seabra : -

    saudade do bar do macaco :\

  • Marcelo Morais : -

    Mexer com cultura em geral não é fácil, e cultura alternativa mais ainda. Essa realidade não é só aqui em Natal, mas no Brasil em geral, embora aqui seja particularmente delicado.

    Torço muito pra que isso não ocorra, assim como torço para que o Festival do Sol seja um sucesso ainda maior este ano, e será, com certeza.

  • Edmundo Nesi : -

    Parece masoquismo, mas a graça do mundo alternativo é porque ele é alternativo…

  • leonardo florencio : -

    Rapaz… o segredo, acho eu, eh “atirar em 90 graus” ( uma alusao a atirar pra todo o lado, q seria entao 360 graus ), ou seja, investir em produtos relacionados por afinidade, e nao num unico produto ou serviço.

    Um dos paraisos dos nerds de Natal eh a Reinos, loja de Junior Candelaria muito bem situada no Lagoa Center. Qual o seu segredo? Vender tudo o q nerd gosta: livros de RPG, literatura fantastica, action-figures ( bonecos de series e filmes ), card games, dados multifacetados, animé, mangá, comics, quadrinhos nacionais, albuns de arte pop e por aih vai…

    Quem gosta de RPG ( q nao eh a Reeducaçao Postural Global ) gosta de series de TV, filmes de ficçao-cientifica, comics, animés, mangás,… Aih estah o segredo da loja!!!!! A loja começou com livros de RPG e foi se diversificando, abrangendo o gosto de seus clientes em outras areas.

    Milena soh vende comics e quadrinhos nacionais. Marcelo soh vende CDs e DVDs e Anderson e Ana soh promovem shows de rock. Percebem a diferença?

    Espero q o novo paraiso nerd, Dragon’s Place, no shopping Natal Sul, tb entre no gosto do publico com seus card games e livros de RPG, mas se nao se diversificar, poderah falir como varios empreendimentos culturais de Natal.

    Viva a Reinos e sucesso a Dragon’s Place!!!!!!!!!!

  • Rebeca : -

    Concordo com o Leonardo. Também acho que o segredo é esse, unir tudo o que esse segmento consumidor gosta num mesmo ambiente.

    Seria perfeito unir Marcelo (Velvet) e Milena (GHQ) numa só loja, quem sabe ainda com o conceito de café. O fato é que o produto deles é voltado para uma minoria do povo daqui de Natal e se não existir variedade fica difícil se manter. E sem divulgação é pior ainda…

    Agora quanto ao Dosol creio que não vá fechar. Lá são realizados eventos de todas (ou quase todas) vertentes do rock. Não há como promover um show de forró ou axé por aí já descaracterizaria a casa e daí perderia o sentido. Seira a mesma coisa que Milena vendesse livros sobre medicina estética ou Marcelo filmes pornô.

  • Juliano : -

    Vender cerveja dentro de um galpão e chamar de bar?
    O Dosol tem que fechar mesmo, ou então se transformar em um lugar atrativo.
    A única coisa que presta nesse bar são as bandas que se apresentam.

  • Milena : -

    Parabéns, Hugo, pelo texto. Mais uma vez, alertando para mais um provável fechamento de um ponto cultural na nossa bela e fútil Cidade do Sol.

    Meu caro Leonardo, a GHQ não é loja exclusiva de nerd, isso sim seria atirar no dedão do pé. A GHQ é um centro cultural adulto, para um público maduro, que curte HQ de ótima qualidade e livros sobre cultura pop, não lixo cultural. Diversifiquei e venho diversificando como posso e, aliás, muita gente me imitou, diga-se de passagem. Agora, falar sempre é tão fácil…

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