Do blues ao pop, sem preconceito
Felipe Cazaux é paulista radicado no Ceará, com apenas 26 anos já tem em seu currículo três álbuns gravados. Todos seguem a linha do blues, mas sempre enveredando por vertentes similares como o rock ou até puxando para o pop. Os saudosistas acham ruim? Felipe não. Para ele a diversidade do repertório atinge outros públicos e faz com que seu som viaje sem restrições, seja em solo nacional ou internacional.
Antes do terceiro álbum Good Days Have Come, Felipe gravou Looking for Trouble?! [2004, independente] e Help The Dog! [2007, Blues Time Records - Tratore]. A diferença entre o disco mais recente para os anteriores é o fato do guitarrista ter composto todas as músicas sozinho. E desta forma, mesmo sem intenção, acabou guinando o trabalho um pouco para o rock e pop. Nos discos anteriores Felipe contou com o apoio da banda, uma dupla, formada por Klaus Sena e Netto Krápula. A produção do terceiro álbum também foi superior aos anteriores, fruto da escolha de um melhor estúdio com melhores equipamentos, técnicos com maior conhecimento e experiência. Para Cazaux a sonoridade ficou mais profissional e próxima do som que costumamos escutar em casa.
Felipe também conseguiu um bom apoio quanto ao lançamento do álbum, na verdade uma relação estreitada desde a gravação do primeiro disco. Dessa forma o segundo trabalho já foi pelo selo Blues Time Records. Já a distribuição, problema enfrentado pelas bandas independentes, é feita pela Tratore. Mas Felipe não se engana, para uma boa distribuição, é necessário que o artista seja conhecido: “Para uma boa distribuição o mais importante é a divulgação do artista, pois quanto mais se fica conhecido, mais a distribuidora consegue repassar o produto”. Se ficar conhecido significa circular, Felipe não tem do que se queixar. Já passou por eventos no Ceará como Festival Ponto CE, Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga e Ceará Music; em São Paulo na Virada Cultural, BR Blues – SESC Vila Mariana; no Rio de Janeiro no Festival Blues e Imagens – SESC Campos; no Mr. Jones International Blues Festival – Buenos Aires (Argentina) e se apresentou nos lendários clubes americanos Buddy Guy’s Legends e Rosa’s Lounge, ambos em Chicago (EUA).
Good Days Have Come tem as letras e ficha técnica toda em inglês. Produto do gosto do músico pela lingua e por ele receber contato de pessoas de toda parte. A produção ficou a cargo do onipresente Regis Damasceno [Mr. Spaceman], que vem sendo muito procurado. Felipe o procurou e não se arrependeu da experiência: “O Regis é um cara que admiro e conheço há muito tempo, e foi muito importante ter ele na produção. Ele ajudou muito nos arranjos das músicas, no controle de qualidade dos takes que foram gravados, além de ter um conhecimento vasto de todo equipamento que estávamos usando, especialmente na guitarra. Também foi importante o fato dele já conhecer e ter trabalhado com o Kalil, técnico e proprietário do estúdio, eles se entendem muito bem e isso ajuda na hora de definir os timbres quando não dependem somente dos instrumentos, e sim de todo equipamento utilizado no estúdio”. Todo esse controle e acabamento do produto final agradam e faz com que o músico não sinta receio em apresentar seu blues em locais não dedicados exclusivamente ao estilo. “Tenho respostas positivas inclusive de pessoas que não gostam de blues. Não procuro me enquadrar. E o fato de a minha música ter influência de outros estilos acaba ajudando, pois geralmente agrada quem gosta de blues, de rock, de pop, etc”.
Sendo assim Felipe Cazaux já participou de Mostra de música, Festival de Blues e de Rock. Mas ele acha que desde o Help the Dog! (que já não é tradicionalmente Blues) o contato com pessoas de outros meios vem aumentando e isso vai mudando naturalmente. Ele acredita que com Good Days Have Come possa vir a participar de eventos fora do eixo do Blues pelo Brasil, como já faz há bastante tempo no Ceará. Cazaux é dos que enaltecem os festivais, não sem esquecer o primordial: a quelidade. “É bom que tenham festivais, é um ótimo meio de divulgação do trabalho. Mas acho que os Fetivais devem ter um boa estrutura, para que os músicos possam viajar e ficar tranquilos com relação ao show, pois o aproveitamento é bem melhor assim. É bom também pois consegue atingir um púlico que muitas vezes não é seu, que está lá para ver outra banda e acaba gostando do seu trabalho. Também acho importante a troca de informações entre os músicos que se conhecem pelos festivais”.
Além da produção de Regis, o disco contou com participações de Vasco Faé e Guilherme “Guizado“, outro que também tem aparecido bem nos trabalhos atuais de músicos da cena independente brasileira, além de ter lançado um disco bem elogiado recentemente. O próprio Felipe conta como foi a colaboração de ambos. “O Vasco cantou como estava lá, mas colocou a voz da forma dele, isso é bacana, pois devemos respeitar as idéias dos convidados e a forma como trabalham, o solo de gaita foi improviso dele e ficou ótimo na música, como não poderia deixar de ser. Quando chamamos o Guizado, ele fez o que o Regis já tinha pensado para a música, mas o improviso final também veio da cabeça dele, eu só disse que queria uma frase bem legal para fechar. Eles conseguiram se encaixar bem na música e o resultado foi excelente”.
Baixe o disco aqui.
Publicado originalmente n’O Inimigo.
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