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Fábio de Cristo

Fábio de Cristo - fabiodecristo@digizap.com.br

Psicologia e Trânsito

Psicólogo, Especialista em Gestão de Pessoas e Mestre em Psicologia pela UFRN. Atualmente é Doutorando em Psicologia na UnB.

Todos Somos Pedestres

quinta-feira, 8/fevereiro/2007

A livre locomoção no território nacional, conforme estabelece a Constituição Federal Brasileira, é um direito fundamental de todos os cidadãos. A forma como exercemos este direito, no entanto, pode ser bastante diversa e particular, sendo possível utilizar os diversos meios de transporte atualmente disponíveis, como o avião, o barco, o carro, a bicicleta, o skate, os patins ou os próprios pés. Aliás, a caminhada é a forma de locomoção mais barata e democrática que existe, mas também a mais “frágil” na disputa por espaço. Devido a esta fragilidade, o ato de circular à pé deve ser garantido e preservado por todos, cidadãos e autoridades.

Mas, será que zelamos por esta forma de circulação e pelas pessoas que a utilizam? Responder de forma categórica a esta pergunta é bastante difícil; todavia, existem algumas situações observáveis no dia-a-dia que definitivamente não são de zelo.

Tenho um colega que diz que não gosta de parar na faixa de pedestres, por ter a convicção de que os pedestres desfilam vagarosamente, como se estivessem em uma “passarela da moda”, deixando-o irritado. Em função disso, ou ele passa direto ou freia e fica acelerando o veículo, coagindo os pedestres para que passem rápido pela faixa. Uma outra colega, quando está atrasada para um compromisso, sob hipótese alguma dá preferência aos pedestres. Para “ganhar tempo”, ela exerce o poder que tem; no caso, impõe a sua vontade, aliada a força do veículo, para passar primeiro. O grande problema é que ela está sempre atrasada…! “Eles que se cuidem para não serem atropelados”, diz ela.

Pois bem, esses dois casos exemplificam como não zelar pela circulação à pé, já que, de acordo com o código de trânsito, o maior cuida sempre do menor. Os condutores de veículos, portanto, deveriam proteger os pedestres, e não aproveitar-se da vulnerabilidade deles!

Outros casos de falta de zelo podem ser citados, por exemplo, quando donas de casa e empregadas domésticas depositam, de modo incorreto, o lixo na calçada; quando os carroceiros colocam entulho à revelia nos passeios públicos; quando condutores estacionam em cima das calçadas ou param sobre a faixa; também quando construímos de modo inadequado e irresponsável nossas calçadas (muito inclinadas, desniveladas, muito altas, excessivamente estreitas) e quando não as conservamos em bom estado, deixando-as esburacadas, com pedras e sujeiras; quando empresas deixam tampas de bueiros abertas; quando as autoridades de trânsito não disponibilizam sinalização adequada destinada a informar os pedestres sobre a circulação em trechos perigosos etc.

Quantos de nós não já fizemos, pelo menos uma vez, algumas dessas coisas no cotidiano? Quem atiraría a primeira pedra? O fato é que em todas essas ações (ou omissões) tornamos, de algum modo, o fluxo de pedestres mais difícil e arriscado, especialmente para as crianças, os idosos e os deficientes, contribuindo diretamente para que eles não adotem padrões de comportamentos seguros recomendados na legislação de trânsito; isto porque, frente a situações como as que foram expostas, os pedestres são pressionados a atravessar a rua correndo, a desviar de um obstáculo que está na calçada indo para a rua, a dobrar o esforço físico para subir e descer calçadas, a dobrar a atenção ante as informações conflituosas do ambiente, conseqüentemente, aumentando na mesma proporção a probabilidade de tropeçarem, escorregarem, tombarem e serem atropelados, que também são considerados acidentes de trânsito.

No mundo em que os carros se avolumam, as ruas são mais alargadas para os veículos, privilegiando a circulação motorizada - nem que seja apenas alguns centímetros, como ocorre atualmente na Av. Hermes da Fonseca, em Natal -, e os espaços dos pedestres mais reduzidos ou sem infra-estrutura adequada, convém lembrar, caro leitor, que todos somos pedestres! Portanto, procure exercer o seu dever de cidadão zelando pelo nosso direito de ir e vir à pé com segurança.

4 comentários

  • Lílian : -

    Excelente texto, a cada publicação assuntos de extrema importância. O que foi trazido nos impulsiona a mudarmos nossos comportamentos em prol de um ambiente mais seguro, onde os maiores beneficiários somos nós mesmos. Muita atenção e compromisso com a vida são essenciais para a segurança! Parabéns Fábio, esperamos que continue escrevendo e nos estimulando para o exercício do nodso dever de cidadãos! Bjussss…

  • Diogo Borba : -

    Aqui em Portugal, há ruas estreitíssimas pavimentada com pedras. Teoricamente, a preferência é do pedestre. Mas não é só no brasil que o que está previsto enquanto direito não se verifica na realidade. Experimente entrar numa rua dessas sem olhar pros lados. Os carros passam na velocidade maior que puderem. É impressionante como o trânsito aqui é absurdo. Enquanto as estradas são bem melhores, as pessoas, regra geral, excedem em muito o limite de velocidade…

    é fábio, aqui se quiser tem campo pra vc. E muito o que trabalhar. Mesmo. eheeheh

    um abraço

  • Elaine : -

    Oi Fabio, tudo bem? Fabio encontrei sua coluna por acaso, pois etou fazendo um trabalho de pesquisa para entregar na universidade da qual estudo. Fiquei muito feliz em descobrir que não sou louca. Pois fico super indignada, ao passar pelas ruas de Belém do Pará, e quase não encontrar lugar para me locomever. Geralmente as ruas estão cheias de entulho, ou lixo, ou inclinadas e com calçamento liso, estreitas, e ai por diante. Pensei que também a maneira dos motoristas daqui fosse coisa incomum, pois os mesmos não respeitam os pedestres, sendo eles , os motoristas sempre os mais privilegiados. Aqui como ai, vale a lei do mais forte. Nesse contexto, os motoristas.
    Um abraço.
    Obs: também faço faculdade de psicologia

  • Fábio de Cristo : -

    olá, Elaine! obrigado pelo comentário. com a confusão que anda o transito brasileiro, achamos que querer um trânsito melhor e harmônico é ir na contra-mão. que bom que você também faz parte desta luta. em Belém existem bons professores de psicologia do trânsito p.ex. o João Bosco da UFPA. um abraço.

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