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Fábio de Cristo

Fábio de Cristo - fabiodecristo@digizap.com.br

Psicologia e Trânsito

Psicólogo, Especialista em Gestão de Pessoas e Mestre em Psicologia pela UFRN. Atualmente é Doutorando em Psicologia na UnB.

Circular é Arriscar-se!

sábado, 20/janeiro/2007

Compreender as causas das violações das leis ou dos acidentes de trânsito não é uma tarefa fácil, uma vez que muitos são os fatores, internos e externos aos indivíduos, que estão interagindo e determinando tais ocorrências. As pesquisas em psicologia do trânsito, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, têm investido maciçamente para a elucidação desses fenômenos, buscando os porquês.

Uma teoria bastante interessante e cientificamente consistente, que explica alguns aspectos relativos à violação e aos acidentes, é a “Teoria da Homeostade de Risco” (THR), uma teoria da motivação que estabelece, em linhas gerais, que nós aceitamos correr mais ou menos riscos dependendo da situação que estamos vivenciando no momento e dos benefícios que podemos obter nos comportando de determinada forma. Segundo a THR, checamos continuamente a quantidade de risco a que sentimos estar expostos e comparamos com a quantidade de risco que estamos motivados a aceitar para que nossos ganhos sejam maximizados na situação. Em função desse “cálculo”, ajustamos o nosso comportamento, equilibrando - ou seja, deixando em homeostase - o risco percebido e o risco aceito, agindo, conseqüentemente, de modo mais ou menos arriscado.

Em outras palavras, a teoria diz que tendemos a agir conforme a “lebre”, na conhecida fábula “A lebre e a tartaruga”. Conta-se que uma lebre e uma tartaruga discutiam calorosamente sobre quem seria a mais rápida. Para resolver a peleja, marcaram um dia e um lugar para o desafio e se prepararam. O dia da disputa chegou. A largada para a corrida foi dada, conforme o combinado. A lebre, contando com sua rapidez natural, não se apressou em correr, mas o contrário; deitou-se no caminho e dormiu, confiando-se no seu potencial. Ao acordar, percebeu marcas no chão com as patas da tartaruga, que a ultrapassara. Saiu em disparada, tentando recuperar o tempo perdido; mas, àquela altura, a tartaruga já estava quase cruzando a linha de chegada. A lebre acelerou o máximo que pôde, mas tropeçou nas próprias pernas e caiu no chão.

No nosso cotidiano, quantas vezes não passamos, também, por diversas situações de perigo ou sofremos danos efetivamente, tal qual a lebre, por confiar na nossa suposta habilidade? Por confiar ainda, por exemplo, na suposta segurança que o nosso veículo nos oferece com os airbags e outros equipamentos? Devemos sempre procurar refletir sobre a nossa responsabilidade pelas próprias decisões e sobre o nosso comportamento no ambiente do tráfego, pois, muitas vezes, sabemos o que é certo, seguro, mas, mesmo assim, agimos equivocadamente para maximizar os próprios benefícios. O problema, todavia, não reside em querermos nos beneficiar - o que, aliás, é, até certo ponto, racional e justo -, mas quando tal ganho ocorre em função da infringência ao código de trânsito ou da exposição da vida dos outros usuários ao perigo.

Por isso, da próxima vez que você, caro leitor, estiver no trânsito, seja dirigindo, andando de bicicleta, caminhando nas ruas, lembre-se que circular é arriscar-se! Procure, então, analisar constantemente a sua motivação para o risco, perguntando-se a cada momento: Qual a quantidade de risco que estou disposto a correr neste momento? Por que? Não será a hora de esperar mais um pouco ou ir mais devagar? Vale a pena eu me expor tanto e expor meus passageiros? Chegar uns minutinhos atrasado para o compromisso não seria mais prudente, no momento…?

2 comentários

  • Nonato Filho : -

    Fabio, somente agora tive oportunidade de conhecer suas colunas sobre psicologia no trânsito em uma pesquisa que estava realizando. Fiquei muito satisfeito em saber que pessoas dão o valor necessário para este assunto que, hoje em dia, devia ser mais explorado pelas autoridades. Sou supervisor de segurança de uma transportadora e gostaria que seu trabalho neste site não fosse descontinuado, pois me ajudará muito a resolver problemas que me preocupam todos os dias.

  • carolina : -

    cade a fabula cade a istoria da lebre e a tartaruga dõõõõ presta atenção

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