Colunas Diginet
Clotilde Tavares

Clotilde Tavares - clonews@digi.com.br

Umas & Outras

A escritora Clotilde Tavares, que divide seu tempo e sua vida entre Natal e João Pessoa, apresenta ao leitor crônicas e artigos sobre Arte, Cultura e Comportamento.

Esses ceresumanos, meus dessemelhantes…

segunda-feira, 22/setembro/2008

O título acima apresenta ao leitor a contradição em que estou metida ao escrever este texto, porque o meu assunto de hoje são as pessoas e seus comportamentos. Pessoas que são como eu e você, seres humanos; todos, como você e eu, criados à imagem e semelhança de Deus, como aprendemos – ou melhor, como eu aprendi – na escola, quando a religião era matéria de ensino obrigatório.

Aí eu me pego confusa quando preciso escrever sobre o comportamento desses que passam ao meu lado na rua, que freqüentam o shopping comigo, que encontro no elevador quando subo ou desço os seis andares que me separam do térreo, que emparelham comigo no sinal, que quase tocam o meu cotovelo quando, lado a lado, nos encontramos no cinema, no teatro, no restaurante self-service.

Tão iguais, e ao mesmo tempo tão diferentes de mim, esses ceresumanos, meus dessemelhantes.

Isso porque em certas ocasiões não me reconheço da mesma espécie dessas pessoas. Será que o mundo foi invadido por uma espécie diferente, alienígena, como naquele filme “Invasores de Corpos”? Quem são esses estranhos, que assumem formas de comportamento que me deixam espantada, e com uma sensação de irrealidade? De que estou no mundo errado? Ou de que meu planeta foi invadido?

Em texto escrito para o Correio da Paraíba no sábado passado, 20 de setembro, eu falei sobre esse tema, e chamei essas pessoas de “sem-noção”. São eles que invadem sem pedir licença o espaço alheio, admiram e imitam os episódios constrangedores que vemos em programas do tipo “Pânico na TV”, submetem as pessoas a brincadeiras de mau-gosto em festas e comemorações, falam de boca cheia, comunicam-se através de grunhidos e encontrões, como três adolescentes de cerca de 15 anos que subiram no elevador comigo por seis andares e eu não entendi uma só palavra do que disseram. Um detalhe: cada um tinha na mão a sua latinha de cerveja.

São os “sem-noção” que estacionam em vagas de deficientes e idosos como vi sábado no supermercado, um camarada estacionar uma 4×4 imensa na vaga reservada para os deficientes e descer do carro de chapéu de cow-boy na cabeça, pisando duro nas botas de vaqueiro, acompanhado de criatura igualmente sem noção, com bijuterias que davam para enfeitar três ou quatro mulheres, de blusa de oncinha curta mostrando acima do cós da calça “baixa” uns dois ou três pneus, falando alto, e reclamando do provincianismo de João Pessoa. Olhei a placa da 4×4: era de uma cidadezinha do interior da Paraíba.

Os “sem-noção” andam de salto alto o dia inteiro no apartamento, alucinando com seu toque-toque os que moram embaixo. Arrastam a mobília e pregam pregos nas paredes a qualquer hora, violando insistentemente a convenção do condomínio. Prendem o elevador enquanto esperam alguém. Levam o carrinho de compras para cima e não o devolvem à área comum do prédio. Buzinam dentro da garagem.

No cinema, os “sem-noção” se aproveitam da escuridão para exercer o seu reinado. Atendem o celular e encetam longos papos, chegando até a contar uma parte do filme, pelo telefone, a quem está do outro lado do sem-fio. Comem com ruído, arrotam e emitem outros sons não mencionáveis se quisermos manter o nível desse texto. As mães entram na sala de projeção com os filhos, e permitem que eles entrem e saiam da fila e da sala quantas vezes quiserem, indiferente ao incômodo que causam às outras pessoas.

E há um caso muito especial que é o dos “pais sem-noção”. Isso porque as crianças são somente o reflexo dos adultos que as educam, e a rigor não podemos dizer que existem crianças “sem-noção”. Os pais parecem não entender que o filho é, para eles, pais, a oitava maravilha do mundo, mas a criança não é vista da mesma forma por outras pessoas. Então permitem que as crianças, em lugares públicos, o usem como se fossem o espaço privado, incomodando os outros. Falam com os filhos em voz alta e melosa, ou então berram com a criança quando esta, cansada, irritada e com sono, atrapalha a diversão dos pais.

Insisto em citar novamente o discurso do poeta, escritor e jornalista José Nêumanne Pinto feito por ocasião da sua posse na Academia Paraibana de Letras, em 8 de setembro passado. Nêumanne afirma que “vivemos uma era de volta à barbárie. A democracia de massas, que levou à Presidência da República o primeiro líder político realmente egresso das camadas populares da população, trouxe em sua bagagem pesada a pregação da ignorância e o primado do demérito. A cafajestice, que assola o mundo como as velhas pragas medievais, invadiu a vida familiar, o aprendizado na escola e até as bibliotecas.”

Algumas pessoas questionaram a afirmação, alegando que esse “reinado dos sem-noção” não começou com o governo Lula, e que a afirmativa de José Nêumanne Pinto era tendenciosa. Mas precisamos concordar com o fato de que, quando o presidente vai para a TV se vangloriar da sua pouca instrução – coisa que ele faz sempre, criticando inclusive os instruídos – dá a impressão de que instrução, educação, aprimoramento, nada disso é importante. Penso que foi isso que José Nêumanne quis dizer.

Tem coisa mais absurda de que uma livraria de uma capital, filial de uma das maiores cadeias de livrarias do país, promova uma tarde de autógrafos de uma modelo, ex-Big Brother, que autografa a Playboy na qual saiu despida? Isso ocorreu na Siciliano daqui de João Pessoa em 2006 e o fato inusitado foi repetido nas Bienais do Livro do Brasil afora, com especial destaque para a de São Paulo, onde a Bruna Surfistinha provocou uma fila de centenas de pessoas em busca de autógrafos enquanto menos de dez pessoas estavam no auditório onde o poeta Ferreira Gullar falava sobre sua obra.

É ainda Nêumanne quem fala: “Uma literatura vulgar e uma arte mal educada substituem em nossos dias os velhos conceitos de beleza e delicadeza. (…) A língua portuguesa-galaica, criada por Camões e aprimorada por Eça, Machado, Pessoa e Bandeira, é diariamente atropelada nas esquinas da promiscuidade, do desleixo e da insensibilidade.”

Nas escolas é uma desgraça. As crianças são induzidas a fazer o que está na moda, o que aparece nos reality-shows da TV, que são cópias ainda piores dos piores shows da TV norte-americana. As meninas são sexualidazas precocemente e os meninos encorajados a serem truculentos e competitvos; e ambos, meninos e meninas, praticam o “bullying” como forma de afirmação dos torpes valores que aprendem em casa, na rua e na televisão.

Para completar, um dos piores capítulos desse rebaixamento de nível em que vivemos mergulhados. São as bandas de forró que desvirtuam o verdadeiro forró e lançam músicas de baixa qualidade, com letras absurdamente vulgares. Um dia desses o jornalista José Teles escreveu um artigo comentando um fato, e meus sobrinhos foram testemunhas do acontecimento, ocorrido no Forrock, aqui em João Pessoa. A banda começa o show, diante de uma platéia de milhares de jovens, dizendo: “Tem alguma rapariga aí? Quem for rapariga levante a mão!” E as jovens da platéía, como uma só, levantam as mãos… (”Rapariga” aqui no Nordeste você sabe o que é: prostituta).

Há um filme, que não passou nos cinemas mas eu vi da TV, num telecine desses da vida. “Idiocracia” (Idiocracy), dirigido por Mike Judge, uma fantasia sobre o futuro desta nossa humanidade se as coisas continuarem do jeito que estão. O filme se passa no ano 2.500, e neste futuro a população de “sem-noção” se transforma na maioria quase absoluta dos que habitam o planeta. Ninguém bebe água, mas um energético tipo “gatorade”, cuja empresa domina os Estados Unidos. O líquido é usado inclusive na agricultura, para regar as plantações que, por isso, não progridem. O idioma se deteriora e as pessoas passam a se comunicar através de um dialeto formado por gíria e linguagem caipira. Uma tatuagem, que todos têm obrigatoriamente que ter, em forma de código de barras, serve como identidade. A ciência não progrediu porque concentrou todos os seus esforços em descobrir a cura da calvície e outras bobagens. Depois de séculos de acúmulo de lixo não degradável, há um gigantesco “tsunami de lixo”, cuja onda invade as cidades afogando quem mora nos andares inferiores dos prédios. Só se come fast food. O filme de maior sucesso chama-se “Ass”, e tem apenas a imagem de uma bunda na tela. O programa de televisão favorito do público se chama “Oh! My Balls!” onde o protagonista é acertado no saco repetidas vezes. O presidente dos Estados Unidos é lutador de luta-livre e ator de filmes pornô.

O filme, todo ele, é uma comédia alucinada, mas a premissa em que se baseia é terrível, pois pinta o quadro de um mundo dominado por pessoas sem delicadeza, estúpidas, ignorantes: os ceresumanos, estes meus dessemelhantes.

37 comentários

  • Leo Seabra : -

    São tantos assuntos que você abordou, que não sei nem por onde começar. Acho que vivemos em um período de inversão de valores, que não da pra saber até quando vai permanecer, daqui a uma década pode ser tudo voltado para o outro extremo. É bom ter cuidado pra não taxar tudo que surge como subcultura, seria dizer que há uma cultura mais importante e melhor que a outra.
    Sobre a comunicação, creio que a linguagem sofrerá muitas mudanças, principalmente pelo constante avanço das tecnologias, a forma de se comunicar e se relacionar mudou muito.

  • Clotilde Tavares : -

    Oi Leo,
    Grata pelo comentário.
    Eu não taxei nada de subcultura, pelo contrário. Acho legal vivermos numa época multicultural, em que coisas diferentes convivem lado a lado. Na verdade, meu texto tem como centro o comportamento das pessoas quando por pura falta de educação invadem o espaço do outro e essas pessoas estão em todos os estratos culturais e sociais da sociedade, se é que estou me expressando bem: há “sem-noção” rico, classe média e pobre. Paris Hilton, por exemplo, é “sem noção”. Quanto à lingua, o idioma, sei que evolui, que é recriado no dia-a-dia da fala do povo. Se não fosse assim ainda estaríamos falando “o linguajar camoniônico”. Ou você acha que quando estou no MSN eu escrevo do jeito que escrevo no jornal?

  • Mônica Donato : -

    Olá Clotilde…

    Os “sem-noção” estão por toda parte e com certeza não ficarão ofendidos com essa matéria. Primeiro porque eles não lêem o que você escreve, segundo porque suas fontes de pesquisas são outras… Talvez nós que sejamos “sem-noção” para eles. Por que buscar explicações plausíveis para entender o comportamento do outro, quando muitas vezes não sabemos nem quem somos?

  • Clotilde Tavares : -

    Minha gente, vejam uma introdução do filme Idiocracia no You Tube. Sigam o link: http://www.youtube.com/watch?v=hggVe7Udsio

  • Clotilde Tavares : -

    Querida Mônica,
    Muito obrigada pelo comentário.
    Eu sempre buscarei explicações plausíveis para as coisas que me cercam, para o mundo no qual vivo. Talvez estes artigos sirvam para alguma coisa, quem sabe até para criar uma massa crítica preocupada com o que etá acontecendo no mundo. Nessa altura da minha vida, já sei muitas coisas sobre mim mesma, apesar de não saber ainda tudo o que eu quero. Mas mesmo que não soubesse nada, aí é que ia ter motivo para buscar explicações.

  • Cinara Jorge : -

    Clotilde, não quero cair na redundância e dizer: Adorei! O problema é que não quero, mas sou obrigada, e então vou dizer da maneira que falam hoje: ” Você arrasou!”. Creio que realmente os neologismos vão surgindo, novas atitudes aparecendo, mas nós todos deveríamos aprender a “peneirar” isto tudo. Separar o joio do trigo. Se a globalização nos mantém antenados (mais uma palavra que gosto e que é nova), também nos permite aprender a entender o que é doce e o que é azedo. Mas…o que se pode fazer se nem todos entendem ou não querem? Como diria minha Mãe sacudino os ombros: “Não quer não queira, tamanduá bandeira.”

  • Cinara Jorge : -

    Desculpe o erro da digitação: Como diria minha Mãe sacudindo os ombros.

  • vileni : -

    Oi, Clotilde, mesmo sabendo que a linguagem está em constante mutação, a convivência crescente com formas extremamente reduzidas de se expressar, nos traz uma preocupação com a tendência a uma menor complexidade de raciocínio, por falta de vocábulos. Quanto ao comportamento invasivo dos “sem-noção” é uma matéria que afeta nossos direitos de cidadania; os caras pisam neles, com suas botas. Não dá pra calar, tem que reclamar! Clo, gostaria de ter acesso ao discurso do Nêumanne. Ele está disponível na internet?

  • olga : -

    concordo inteiramente com vc! Acabei de atravessar o país de Natal a SP e, com raras exceções, só encontrei “sem noções” por toda parte…O país está, por conta disso, mais feio, mais sujo e mais pobre porque essas pessoas só vêem a si mesmas e sua estética, infelizmente, é equivocada e caricata como as músicas e programas que elas prestigiam. É preconceito contra esse tipo de comportamento? Que seja! Educação, gentileza e boa conversa são fundamentais para tornar a existência mais alegre e reforçar os afetos.

  • B. C. de Melo : -

    Clotilde:
    Pois é, dias desses, escutando o “Caixinha Obrigado” do Juca Chaves, sucesso de mil novecento e cinquenta e século passado, fiquei pensado que pouquíssimo faltaria para atualizar sua letra.
    Talvez, onde se diz que “a mediocridade é um fato consumado” se deva colocar um “r” a mais na devida palavra. Digo assim, quase em forma de enigma, somente pra “sacanear” (esta palavra, pra eles, tem mão única) os “sem-noção”. (Estou torcendo pra esse delicioso termo vingar! Será nossa vingança!) Abração demoroso.
    B.C. de Melo.

  • chico rei : -

    Cara Clotilde, esta história se repete há muito tempo e cada vez fica pior. Por mais que nos achemos sensatos e sofisticados, será que éramos vistos assim pela geração que nos precedeu? É muito provável que não. As palavras que usaram para nos descrever foram diferentes de “sem noção”, mas tinham o mesmo objetivo: traduzir a perplexidade de uma geração com a quebra de convenções e o comportamento adotado pelas que a sucederam. Como tudo o que é relativo, os valores mudam e o tamanho do nosso sofrimento é diretamente proporcional ao quanto estamos acostumados à moda “antiga”. Também não gosto das coisas que vejo todos os dias quando ando por aí, mas aprendi a não sofrer com isto e até mesmo a garimpar algumas coisas boas no meio de todo esse lixo. Mas isto é o melhor que conseguiremos: não sofrer. Porque para ser feliz mesmo no mundo de hoje, só sendo sem-noção. Só de uma coisa não abro mão: quando estou no MSN escrevo exatamente da mesma forma que em qualquer outro lugar.

  • Gabriel Galvão : -

    Sabe o que é pior?

    O voto deles vale tanto quanto o seu.

  • Gibson Azevedo da Costa : -

    Caríssima Clotilde, pena não conhece-la pessolmente para trocarmos um dedinho de prosa, quem sabe se não seria de algum proveito… Na aludida crônica”c??eres(des)umanos meus dessemelhantes( que em tudo nos assemelhamos ),notei um justificado pessimismo, tanto seu como dos personagens supra-citados, quanto a degradação dos valores e dos costumes nos últimos tempos, como se estivessemos assistindo a um triste desfecho, ouvindo o inconfundível dobre de finados. Crônica muito bem conduzida, como se trotássemos fogosos em situações, as mais improváveis de vivê-las todas, em pouco tempo. E em tempo, o trágico transforma-se em hilário. Pessimismos existem,justificam-se até, mas é bom que lembremo-nos que fomos no mínimo permissivos para que esta degradação acontecesse. Somos, tão ou mais culpados do que os ditos “sem-noção”, pois já disseram por aí: “perdõe-os que eles não sabem o que fazem!…” E como disse certa vez o poeta: “não perguntem por quem os sinos dobram…, eles dobram por ti!”
    abraços do admirador
    Gibson Azevedo da Costa
    Natal-RN, 23/09/2008.

  • Carolina Amaral : -

    Olá, Clotilde. Você não imagina como é bom ler uma crônica assim – ultimamente li algumas crônicas que deveriam está na lata de lixo, mas lendo sua crônica entendi que tem alguns cronistas que fazem parte dos ceres(des)umanos meus dessemelhantes ou melhor ainda , são exatamente parte dessa subespécie humana que você chama de “os sem noção”. Você tem toda razão – não dá para para ouvir e ver tanta insanidade e calar nossa voz. Precisamos unir nossas vozes e gritar bem alto para que o mundo nos escute – pois talvez o vírus dos sem noção seja o nosso SILÊNCIO diante de tudo que está acontecendo. Você tem razão em supor que o mundo foi invadido por alienígenas – e o mais incrível é que eles não usaram armas sofisticadas (como nos filmes de ficção), eles usuaram a mais perigosa das armas: A EDUCAÇÃO. E agora pergunto a você : será que conseguiremos reverter esse processo invasor? Podemos usar a mesma ARMA contra eles? Nesse caso a nossa arma seria a DESEDUCAÇÃO? Olha, amei sua crônica e fico feliz que ainda exista pessoas como você (autêntica, verdadeira, fiel a si mesma e a nossa pobre humanidade). Parabéns e por favor, continue escrevendo. Carolina Candido do Amaral

  • Clotilde Tavares : -

    Alô minha gente!
    É legal ver que esse assunto despertou tanto interesse. Leio cuidadosamente os posts de vocês, e respondo a todos, ou em particular, para o e-mail de cada um, ou por aqui mesmo.
    Quero comentar alguns dos emails acima.
    Chico Rei: não estou necessarimente “sofrendo” com essa situação. O que eu sou é uma observadora do cotidiano, sobre o qual comento sempre que acho que devo. Não tenho problemas com “mudanças”, aceito com muita facilidade a mudança de hábitos, costumes, etc. Quem me conhece sabe que sou antenada com a tecnologia, sempre disposta a experiemntar novidades, mesmo na minha idade – 60 anos, avó. O que não aceito, e falo contra, é a deterioração dos hábitos, e não sua mudança. Só para ficar claro.
    Gibson: perdoe-me, amigo, mas eu não sou culpada por isso que está aí. Passei quase trinta anos na UFRN ensinando numa luta diária para enfiar “noção” na cabeça de meus alunos. Pergunte a quem passou pelas minhas disciplinas: essa foi a minha luta diária. Meus dois filhos são roqueiros, mas são educados, gentis, e com muita noção sim senhor. Quem os conhece também sabe – Rômulo Tavares, publicitário e roqueiro; Ana Morena, empresária, contabaixista e roqueira, todos dois verdadeiros poços de “noção”. Então não assumo essa culpa.
    Carolina: penso que nosso papel é esse mesmo, chamar atenção, alertar, educar. E educar pela única forma que existe: pelo exemplo.
    Um beijão para todos vocês.

  • Alex : -

    Educação, assunto bastante relevante que poucos tem a coragem de abordar de tal forma.
    Existem muitos casos de atitudes “sem-noção” em todo lugar.
    Principalmente na mídia, essa que nos manipula e escraviza.
    Achei interessante sua colocação sobre o assunto.
    Essa questão é secular , que passa de geração, que vem de nossos colonizadores lusitanos…
    Não escolhe classe, nem cor, nem nação.
    Esta presente na massa e na mídia.
    Infelizmente temos que viver nesse meio tão estranho, algumas vezes tão cruel.

    Como humanos e semelhantes podemos nos questionar…será que já fui “sem-noção” com alguém ao longo de minha existência????
    A “noção” está pra todos, mas poucos aproveitam e fazem uso dela.

    Obrigado por toda essa informação, sempre que puder, estarei comentando.

  • Clotilde Tavares : -

    Oi Alex, grata pelo comentário.
    Você levanta uma questão interessante: será que já fui “sem-noção” com alguém (…)?
    Eu respondo por mim, e já fui sim. Em muitas ocasiões, principalmente quando era jovem, inexperiente e vivia por minha conta, fui sim. Já liguei som alto incomodando meus vizinhos, furei fila, enfim, cometi alguns desses atos. O que quero registrar aqui é que esse comportamento era criticado por quem estava ao meu redor e, com o tempo e o controle social dos meus semelhantes – esses sim, “semelhantes” – fui me corrigindo.
    Hoje não. Hoje o comportamento “sem-noção” está institucionalizado, estabelecido, aceito e aprovado. E vem aí mais uma edição do BBB, com as novas atualizações…

  • DAM : -

    Pior que os “sem noção” não sabem o quanto são nocívos para a sociedade…

    “Levam o carrinho de compras para cima e não o devolvem à área comum do prédio.” isso acontece direto onde moro, e olhem que são apenas 8 famílias.

    Mainha vive dizendo que vovó já dizia “cada um oferce o que tem” infelizmente educação não é para todos (bons modos, respeitos ao próximo).

  • Marcelo Mourão : -

    Eita paraibana “paidegua”!
    Marcelo Mourão (Cearense exilado em Porto Alegre, RS)

  • Clotilde Tavares : -

    Cara Jordana, obrigada pelo comentário.

    Sobre a referência ao Presidente Lula , fiz apenas uma citação, entre aspas, porque não quis cortar a frase para não cortar o pensamento, de discurso proferido pelo jornalista e escritor José Nêumanne Pinto, como já foi referido.

    Mas precisamos concordar com o fato de que, quando o presidente vai para a TV se vangloriar da sua pouca instrução – coisa que ele faz sempre, criticando inclusive os instruídos – dá a impressão de que instrução, educação, aprimoramento, nada disso é importante. Penso que foi isso que José Nêumanne quis dizer.

    Pelo que entendi do seu comentário, se vivemos num país como você o descreve, de analfabetos funcionais, é bobagem aspirar a uma realidade onde todos pudessem ler – e compreender – Shakespeare. E eu luto por um mundo onde os sem-noção não precisem existir.

    Curioso, Jordana, é que você comenta para dizer que o texto não merece comentários; os clichês e os preconceitos precisam ser citados, ou então dou o assunto por encerrado.

    Os outro leitores que se manifestem.

  • Marcelo Mourão : -

    Com clichês ou sem clichês o que ali está dito é a mais pura expressão da verdade. Quem enaltece a condição de poucas letras é o próprio Presidente… “Foram tantos doutores e acadêmicos que passaram pelo nosso Governo”… É verdade também o “clichê retórico” da Jordana, mas no Brasil já tivemos vários presidentes que não falavam outros idiomas e não eram tão cultos, porém o Presidente Lula é o ÚNICO que quer tirar vantagem desse fato.

  • Ana Morena : -

    Ah, Jordana, qual é? Escreveu assuma, oras! Eu não aguento essa história de não se poder fazer uma crítica a Lula, mas que coisa! Eu mesma votei nele e nem por isso vou achar lindo o cara falar “pobrema” e se vangloriar disso… agora deu mesmo!

  • Ana Morena : -

    ei, como foi que vc deletou o seu comentário?

  • Gustavo : -

    Oi Clotilde,

    Para mim um “sem-noção” é aquela pessoa que coloca suas vontades à frente de tudo, sempre ignorando o direito dos outros:
    É a pessoa que estaciona o carro em cima da calçada ou na frente de uma garagem só para não ter que andar mais 15 metros até o barzinho, é quem fecha o cruzamento causando o maior caos só para não ter de esperar mais 5 minutos, é quem “puxa” o muro da casa, ocupando o espaço da calçada só para ganhar mais 1 metro de terreno.

    Com esse pensamento de “vou fazer isso porque se não fizer outra pessoa vem e faz do mesmo jeito” é que o Brasil vai cada vez mais pro buraco. Nosso país não anda enquanto o pensamento egoísta da massa “sem-noção” não mudar, porque eu acredito que um país só vai pra frente como sociedade quando as pessoas começam a se preocupar mais com aquilo que pertence a todos (a calçada, os parques, etc,) do que em garantir o seu pedaço antes que outro o faça.

  • Maurício Porto : -

    Olá Clotilde!!!

    Muito bom o assunto abordado, ao ler me deparo diante desses seresumanos e até mesmo, por convivência acabamos comentendo alguns erros também. Mas, ora, onde vemos Igrejas promovendo festas com estas qualidades de músicas, vendendo bebidas e coisa e tal, ah! mas deixa pra lá. o que podemos esperar destes seresumanos….

  • Sonia Neusa Mignot : -

    Minha querida prima, incrível como vc colocou bem toda a minha revolta, a minha indignação, e também, por que não dizer, o meu espanto diante do que vem ocorrendo na nossa sociedade! Para mim, a explicação principal é que hoje raríssimos pais (ou substitutos) se preocupam em dar EDUCAÇÃO DOMÉSTICA aos filhos. Infelizmente, parece que o fenômeno está se alastrando…Há 4 anos estive em Curitiba, passei uma semana lá e vi apenas um caso de falta de ‘noção’!

  • José R. de Vasconcelos : -

    Prezada Clotilde,
    Essa crônica é muito verdadeira, pois envolve todos os comportamentos. Comportamentos antagônicos, porque a essência do ser humano é bem diferente. Pelo menos deveria ser, uma vez que somos filhos de DEUS. Parabéns.

  • Rosana Albi8no de Barros Valentim : -

    Muito bom o texto, que reflete a infeliz realidade da falta de educação moral, cívica e religiosa em que estamos absurdamente tendo que conviver, com esses infelizes momentos do nosso mundo.
    Temos esperança que depois de todo esse caos “humano”, possamos de alguma forma reagir e contribuir para a consolidação de valores melhores e verdadeiros.

  • Lord Audius : -

    Há um alento, por incrivel que pareça.

    Assim como o dia está para a noite, o calor para o frio, e outras combinações dialéticas que mantem o equilibrio do universo, cada vez mais me convenço que os sem-noção tem sua razão de ser, claro, resguardada a preocupação emergente da proliferação desse tipo de criaturas em progressão geométrica.

    Penso que eles existem para que poucas pessoas de bem os utilizem como referencial do que não deve ser um exemplo de conduta. Parece pouco, mas quando penso nas raras ilhas de racionalidade de nossa sociedade, fico feliz de poder notar que o mundo ainda é passivel de crédito e isso me impulsiona a querer combater a sem-noçãozisse fazendo trabalho de formiguinha.

    Convidar amigos a refletir sobre práticas não nocivas tem sido um bom caminho, nesse sentido. Seu texto é um referencial e tanto nesse aspecto, tanto que nem vou te pedir licença para replicar o mesmo por ai… :)

    Grande abraço

  • Paulo Correia : -

    Clotilde,
    Estamos na era da burrice e da violência, infelizmente.
    E acredito que essa praga ainda vai durar muito tempo.

  • Josemar Martins : -

    Clotilde, apesar de estarmos na era da tecnologia da informação do conhecimento, fica dificil acreditar que na mesma velocida estamos vivendo an contra mao desse conhecimento ao vermos e conhecermostantos semelhantes sem-noção ao nosso redor. Pode crer dá muito medo. Será que burrice pega?
    Bjssss.

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