Realizadores – Sangue do barro – A história de um assassino
A coluna de hoje seria novamente sobre a Copa de 2014, dessa vez repercutindo opiniões abalizadas sobre o evento, seus possíveis impactos sobre o país, a economia e a população. Seria um texto esperançoso, falando bem mesmo, mostrando dados de pesquisas e estudos sérios que trazem um pouco de luz ao horizonte que se vislumbra.
Contudo, precisei mudar às pressas o tema da crônica de hoje por uma ótima e justíssima razão. Fui arrebatado pelo filme potiguar “Sangue do barro” dos diretores Fábio de Silva e Mary Land Brito. Isso mesmo, vocês não leram errado: eu utilizei as palavras “filme” e “potiguar” na mesma sentença e não estou delirando nem nada. É daqui, feita por conterrâneos de sensibilidade, talento e capacidade de realização comprovada.
Fábio e Mary Land foram contemplados pelo programa Doc.TV do Governo Federal que patrocina películas em todos os Estados brasileiros. A ideia deles era produzir um registro do massacre de Santo Antônio das Barreiras, distrito de São Gonçalo do Amarante, ocorrido em 1997. Na época, um até então pacato morador chamado Genildo Ferreira assassinou 14 pessoas. Ele teria premeditado uma vingança em razão de um boato de que seria homossexual.
O episódio é reconstituído pelos realizadores de maneira envolvente, através dos depoimentos de gente que viveu o fato. Reportagens do finado “Aqui Agora “ também são mostradas para relembrar as horas de tensão vivenciadas em todo o Estado. O resultado é um documentário dinâmico, bem costurado, estarrecedor e emocionante. A sala (abarrotada, por sinal) ficou perplexa, estupefata e acabou a sessão de alma lavada.
Os diretores souberam explorar muito bem os contornos do episódio e contar a história sem tomar partido. Nem o assassino foi mostrado como um monstro e nem foi beatificado tal qual um justiceiro romântico, equívoco muito comum em produções do gênero. As possíveis motivações do bandido, seu passado, traumas sofridos, as palavras de sua família, amigos e conhecidos se alternam com falas de parentes das vítimas que revelaram todo o drama inerente às perdas irreparáveis que sofreram e o desamparo que se seguiu ao trágico ocorrido. Em meio a tudo isso, reflexões sobre o papel da imprensa no episódio nos relembram a importância da mídia em um caso como este.
Entre as cenas marcantes do filme, está o momento em que a filha de Genildo finalmente consegue ler a carta de suicídio do pai e a hora em que o repórter pergunta à garotinha que viu a mãe ser assassinada na sua frente: “O que seu pai fez com sua mãe?”
No fim da sessão, enquanto subiam os créditos, logo após os efusivos aplausos, ouvia-se nitidamente o choro incontido de muitos espectadores. Emoção coletiva ante um filme que não deixa ninguém indiferente, seja pela primazia com que foi realizado, pelas palavras fortes e emocionates daquela gente simples ou pelo orgulho de o filme ter sido produzido por gente como Gustavo Lamartine e Gabriel Souto (trilha sonora original), Flávio Aquino (fotografia) Alexandre Chompoo (edição) e Keila Sena (produção). Gosto de ver os amigos fazendo bonito e concretizando algo tão significativo.
Por isso, convido todos a verem o filme e constatar, como eu fiz, que apesar de ser um documentário, “Sangue do Barro” tem dois grandes heróis: Fábio e Mary Land.
SERVIÇO:
Nesta terça-feira (09/06), às 19h, haverá uma sessão gratuita do filme no Teatro da Cultura Popular. Apareçam. Vocês vão gostar.
SERVIÇO DOIS:
E também nesta terça-feira (09/06), às 19h, na Livraria Siciliano do Midway Mall, Lívio Oliveira lança seu novo livro “Dança em seda nua” de poesia erótica. Quem gostar de uns bons versos ou de uma putariazinha de leve, ou dos dois, vá lá prestigiar o amigo. Espero que o livro provoque ereções nos homens e calores nas mulheres.
12 comentários
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“Sangue do Barro”
Tô doida pra ver, ouvi falar muito bem e agora você me convenceu de vez!
Fialho, acho que o nome é “Sangue DO barro”, não é, não?
Enfim, amanhã estarei lá!
beijo.
Opa! Barrigada corrigida. Sangue DO barro!
opa, eu vo.
claro que vou…
só nao sei onde é esse teatro de cultura popular… help me atregis2@hotmail.com
Duka…
E reflitam… Tá carregado de mensagem subliminar.
E Sobretudo ambos grandes realizadores. Referência pra muita gente, aos que fazem algo, que desejam fazer e aos que só falam.hehe.
é…então…assim…tou dizendo…
Não tive acesso ao lançamento e nem como ir ao teatro terça.
Será veiculado em algum cinema mais alguma vez?
moro em santo antonio tinha 14anos quando aconteceu esta trajedia mas lembro muito bem foi um dia de muito panico aqui
Perdi, tava viajando, sabe quando vai ter sessao novamente?
Ahhhh, muito legal!
Confesso que nem vi ainda, mas conhecendo o profissionalismo do Fábio (um dos meus queridos professores), tenho certeza que está ótimo.
Estou louca pra ver tb!