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Carlos Fialho

Carlos Fialho - carlosfialho@digi.com.br

Sei lá! Mil Coisas

Escritor, autor dos livros "Verão Veraneio", "É Tudo Mentira!" e "Mano Celo - O rapper natalense". Seu estilo é o de textos curtos, humor fácil, cotidiano, simples e certeiro.

Como vencer na crise!

domingo, 12/abril/2009

Em tempos de crise como a atual muita gente fica preocupada com o desemprego em alta e a possibilidade de perder ou de não conseguir arrumar um trabalho. Este temor é bastante pertinente, pois com a retração da economia mundial, as dificuldades em se colocar no mercado aumentam exponencialmente, provocando ondas de demissão e verdadeiras epopéias em busca de um atividade, qualquer que seja, que pague as contas de cada mês.

Em todo caso, o objetivo da presente coluna é dar um sopro de otimismo nos esperançosos corações desempregados e mostrar que, com um pouquinho de imaginação e vontade de acertar, você pode transformar o limão em limonada, a escassez em fartura, um cenário desfavorável em um futuro promissor. Vou citar dois exemplos de profissionais que foram à luta, arregaçaram as mangas e venceram na crise.

A primeira delas é a minha colega blogueira Talita Pavão. Descobriu que uma ótima oportunidade de emprego na nossa cidade é montar um blogue jornalístico sobre política. Baseada no sucesso dos colunistas sociais que pululam nos jornais locais (quer dizer, o Diário de Natal parece que deu um basta na farra dos boys e por isso recebe os parabéns deste escriba), Talita Pavão pôs no ar sua página com informes políticos. É verdade que ela não entende nada do assunto, inclusive pensa que o Evo Morales é presidente do Paraguai e o Hugo Chavez da Colômbia. Mas nada disso foi obstáculo suficiente para Talita. Com seu blogue no ar, conseguiu viabilizar uma polpuda mesada das autoridades sempre dispostas a pagar bem para serem citadas e elogiadas nas atualizações da jornalista.

Talita não se preocupa em publicar verdades, essa não é a ideia do blogue. O importante é fazer com que pareçam verdades incontestes mesmo os mais clamorosos absurdos, desde que essas quase-verdades favoreçam os generosos mecenas que altruisticamente depositam belas quantias em sua conta bancária e ajudam esta abnegada profissional virtual a vencer a crise. Os principais clientes desta assessora de imprensa disfarçada são políticos em mandato ou postulantes a cargos públicos, mas ela atende também artistas com grana que fazem de tudo para serem bem faladas na imprensa. É a diversificação dos negócios de Talita Pavão, a blogueira do cifrão, sempre disposta a publicar a sua verdade, desde que você pague bem e faça prosperar essa auspiciosa carreira profi$$ional.

E digo aos meus queridos leitores que Talita Pavão não é o único exemplo de gente que faz bem feito nessa cidade. Observem o caso de Natasha Farinos. Esta jovem mulher, nascida em uma família tradicional e abastada, com vocação política e empresas bem sucedidas não queria ficar à sombra do pai e irmão já prósperos em suas atividades. Ela queria ser reconhecida pelo sua capacidade e empreendedorismo, o problema era que Natasha era uma moça muito simpática, mas desprovida de qualquer talento aproveitável. Fútil como a pauta da Revista Caras e sem nunca ter trabalhado na vida, ela não se deu por vencida e idealizou a carreira perfeita para ela: Natasha Farinos Personal Stylist.

Natasha frequenta camarotes VIPs de eventos e lojas de luxo na Afonso Pena. Sabe muito sobre moda e tendências do mundo da alta costura. Entende como ninguém a cabecinha vazia de suas coleguinhas VIPs e passou a aconselhar dondocas e autoridades a usarem vestimentas adequadas a cada situação. Ela levou ao pé da letra a expressão tão comum em Natal: “As pessoas aqui vivem de aparência.”, percebendo aí um nicho de mercado e resolveu ela própria viver da aparência das pessoas que vivem de aparência.

Natasha Farinos, que muitos consideravam de uma futilidade estéril, de uma mediocridade sem limites, hoje é consultora das principais lojas da Afonso Pena, a Oscar Freire papa-jerimum. Ela também recebe quantias mensais de políticas e esposas de políticos para determinar tudo o que elas vão usar no dia-a-dia e em viagens. Natasha cobra caro por seus serviços, mas é necessário que o faça, pois os custos que ela própria tem com a sua aparência são altíssimos. Ela precisa comprar calças de R$ 3.000,00 e outras peças de roupa ainda mais custosas para poder manter a pose e dar exemplo a suas potenciais clientes.

Natasha Farinos e Talita Pavão são exemplos inspirados e inspiradores de como agir em tempos difíceis como os que enfrentamos. O grande legado delas é nos ensinar que com um pouco de imaginação, disposição para trabalhar e um monte de otários pra pagar a conta, você pode ir muito longe sem.

16 comentários

  • Eduardo : -

    Na corte, exemplos inspirados e inspiradores…

  • William : -

    Em tempos de crise, queria um real por cada risada que dei ao ler este artigo. Ficaria rico só com a “pauta da Revista Caras”.

  • Felipe : -

    Um artigo sobre prostíbulos e seus cafetões!

    belo texto!

  • Felipe Gurgel : -

    Você escreveu tudo o que um dia eu queria ter dito. Parabéns! Mas tenho uma sugestão: que tal escrever sobre novos personagens sendo esses do sexo masculino? Há diversos por aí que estão aproveitando a tal crise…

  • Ygor : -

    (…)Natasha Farinos(…)
    Não captei vossa mensagem, digníssimo blogueiro…
    hehehe.

  • simon : -

    olha ae a preocupação dos nossos políticos http://tribunadonorte.com.br/panoramapolitico/post/deputado-fabio-faria-destinou-cota-de-passagens-aereas-para-artistas-e-namorada/

  • Cris : -

    Será que elas também leram aquele livro “Crise e Oportunidade”??
    Acho que a autora deveria lançar um segundo volume com esses casos de sucesso…kkkkkkkkkkkkk!!

  • Marina : -

    Em tempos de crise, se eu ganhasse 1 real por cada pessoa que se considera culta, estaria rica! Escrever não é pra qualquer um.

  • Malu : -

    Desculpa, mas acho que se você se esforçar só mais um pouquinho, você escreve uma coisa mais interressante do que patricinhas de Natal.

  • Rodrigo Freire - Neves : -

    Direto de Anápolis – GO, retudo da alta cúpula do nosso parlamento – é assim no Brasil inteiro meu caro amigo Fialho.
    Velho e “bom” jietinho brasileiro que até exportamos para o primeiro mundo resolver o que não se pode resolver só fazendo o certo e óbvio. Cada um se vira como pode, seja bloqueiras ou styilistas de VIP´S, pois brasileiro não desiste nunca.

  • Murillo Brandão : -

    Mestre Fialho, a coluna merece uma continuação.

    Se me permite, sugiro o perfil do ilustre parlamentar Fáber Mentira. Como persquisa, olha esse link aí:

    http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=21&cod_publicacao=27822

    Grande abraço.

  • Eva : -

    Adorei!! Qro a versão masculina…

  • Jordana Mamede : -

    Bom, com essas palavras tão verdadeiras, nada me resta a não ser parabenizá-lo por acreditar nas mesmas coisas que eu.

    Não é possível que seja normal essa sociedade tão fútil e falsa.

    E a gente ainda tem que achar isso o máximo?

    Negativo.

    Os camarotes que se espalham pelas festas da cidade simboliza o pensamento dos jets daqui: não dão nada em retorno, só separam da ralé.

    GRANDE MERDA.

  • Kiki : -

    Olha menino Fialho, acho que não tem nada de mais pessoas como a Natasha assessorar “estilisticamente” os políticos da cidade,acho que é um trabalho como qualquer outro, e merece respeito. Nao sei se você assiste TV, mas se assiste deve ter visto como nossa querida governadora estava vestida para se discurso do dia do trabalhador, um blazer verde e amarelo que se misturava com as cores da cenografia, ela estava realmente incrível, irradiante.
    Portanto, caro Fialho não cometa Fiascos!!!

  • Felipe : -

    Realmente pra ela ter ficado “incrivel, irradiante” deve ter dado um trabalho desgraçado!
    Qual a vantagem pra ela uma boa roupa? A mesma de uma tela de pintor? A tela se apaga com as pinceladas… Assim como o superfaturamento da ponte!

  • Thiago Costa : -

    Caro Fialho, antes de comentar sobre seu excelente artigo, quero te pedir perdão por não ter comparecido ao lançamento de seu último livro.
    Agora sobre o artigo, acho que a mediocridade é algo ínsito ao ser humano que tem preguiça de pensar. Ora bolas, o que seria dessas figurinhas por você citadas se não fossem os que dão créditos às duas? É um círculo vicioso sem fim, mesmo porque os dias atuais nos levam a buscar opiniões enlatadas, deixando-se o cérebro ocupado apenas com o cotidiano, sem se envolver em questões elevadas.

    Um grande abraço!

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