Bagagem de mão – parte III
No trânsito do supermercado, uma senhora com seus 70 anos procura saber qual a melhor oferta, cuidadosamente examina o prazo de validade e finalmente escolhe seu produto. Seu ajudante? Uma lente de aumento, dessas de detetive de desenho animado.
A senhora estampa no rosto a felicidade de sua independência, não se incomoda com o fato de necessitar da ajuda de óculos e de uma lupa. Vibra exercer seu poder de escolha e sua liberdade de avaliação.
No carrinho, iogurte, queijo, um frasco de Nescafé, duas caixas de fósforos, um pacote de pão, um embrulho de vela. Quem seria essa senhora? Qual será seu cardápio? Seriam os fósforo para esquentar água do café ou para acender as velas? Porque será que uma senhora, com seus 70 anos, estaria sozinha na tarefa de fazer compras no supermercado? O que será que essa senhora carrega na sua maleta de mão? Onde estarão seus familiares? Terá tido filhos? Seus vizinhos, seu marido, seu sobrinho estariam a sua espera para ajudá-la a guardar as compras?
Quantas bagagens de mão são carregadas diariamente ou têm seu conteúdo trocado, adicionado, dividido. Quantas senhoras, quantos viajantes se cruzam e levam suas bagagens, deixando rastros, levando lembranças. Quantas malas são perdidas, reencontradas, abandonadas.
Abrir o livro,descobrir novos mundos, novos pensamentos, refletir sobre as palavras escritas. Fazer uma releitura sobre o consenso. Descobrir um novo horizonte, mesmo sendo este um velho caminho já percorrido tantas vezes. Aprender que a vida é feita de momentos que recheiam as bagagens de mão.
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Oi Annick,
Todos nós somos um pouco dessa senhora,com bagagens e mistérios sobre o que contém nelas.
Beijos
Annick, vc está de parabéns pelo conteúdo de seu texto!
E desejo que a cada dia consigamos rechear mais e mais a nossa bagagem de mão da vida!
Também me faço estas mesmas perguntas todos os dias.